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PRIMEIRO BALANÇO DO NOVO GOVERNO

O campo argentino passou por momentos extremamente difíceis, como resultado das políticas implementadas até 10 de dezembro último. Agora, a administração Macri acabou com os impostos sobre as exportações de trigo e de milho, e reduziu para 30% os aplicados à cultura da soja. O presidente eliminou cotas e licenças de exportação e a taxa de câmbio mudou para um cenário mais razoável. A mudança é bem-vinda, o que não significa que não existam questões pendentes.

O presidente das Confederações Rurais (CRA), Dardo Chiesa, disse que o mercado de grãos não está se normalizando da maneira rápida como esperava o governo. “Como entidade, somos obrigados a sair e dizer que ainda há descontos sobre os preços do trigo, que atingem 30%, e de girassol, que vão até US$ 1.000 por tonelada, e para que o produtor esteja atento e lute por seu produto”, disse Chiesa em entrevista a um jornal de Buenos Aires.

Outra questão que preocupa são os aumentos programados para o valor dos combustíveis. “Começamos a ver como os custos começam a confrontar com os preços”, explicou Chiesa. É que a soja está ligada a 80% da economia do produtor argentino, e é o grão que recebeu benefícios mais limitados.


TRIGO

A Bolsa de Grãos de Buenos Aires mantém uma estimativa de produção de 10,1 milhões de toneladas de trigo, refletindo uma diminuição de 14% em comparação com a campanha anterior. 95% já está colhido, com um rendimento médio de pouco mais de 3 mil kg/ha.

SOJA

Até janeiro foram plantados cerca de 97% dos 20,1 milhões de hectares de soja que compõem a intenção de plantio da temporada 2015/16. Surgiram complicações por excesso de chuvas no Sudeste de Córdoba e Sul de Santa Fé, e da falta de chuva em algumas áreas da província de Buenos Aires. Por enquanto, não há nenhuma informação sobre perdas específicas.

LEITE

Com a contribuição que o governo fará para os próximos três meses, o preço do leite na fazenda chegará a US$ 0,22 por litro. Esse valor, na maioria dos casos, não é suficiente para cobrir os custos. Os produtores estimam que precisam de pelo menos US$ 0,33. O setor continua em crise.

CARNE

Os preços dos bovinos vivos caíram ligeiramente após aumentos em dezembro. Os novilhos custam em torno US$ 1,70 o quilo, a vaca, US$ 1,12, e o novilho gordo, US$ 2. Depois do problema cambial, o novilho argentino deixou de ser o mais caro do Mercosul.


IMPERDOÁVEL

A consequência da falta de uma política para pecuária de longo prazo e um desencorajamento às exportações realizado pela administração anterior não só afastou a Argentina dos primeiros lugares em nível mundial como também encareceu o preço de carne bovina para o público. Assim, o consumo per capita passou de uma média de 69 quilos por ano entre 2007 e 2008 para cerca de 58 a 60 quilos. E no que se refere a vendas externas, a perda da capacidade de gerar divisas era, em valores atuais, entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2,350 bilhões por ano porque deixou de exportar para o resto do mundo entre 560 mil e 770 mil toneladas por ano, a um preço médio de pouco mais de US$ 2 mil a tonelada equivalente de carne bovina com osso, para disponibilizar apenas 200 mil toneladas, com um preço médio de US$ 4.280 em 2015, e pouco mais US$ 5 mil entre 2011 e 2014.


LEITE: UM ACORDO

O governo assinou com as indústrias do setor de produção leiteira um acordo para resgatar os produtores de leite de sua situação crítica. O acordo tem três pontos principais: em primeiro lugar, o compromisso da indústria em manter o preço de dezembro, dando aos produtores que estavam cobrando menos de 2,60 pesos o litro um aumento de 15% ou alcançar esse valor. Em segundo, o aumento será implementado através do Ministério do Tesouro e Finanças, com uma contribuição compensatória de 0,40 peso para os primeiros 3 mil litros de leite para todos os produtores para os meses de janeiro, fevereiro e março. Essa contribuição terá um custo fiscal de pouco mais de 600 milhões de pesos. Paralelamente será desenvolvido um plano geral de financiamento por meio do Banco Nacional, em acordo com os estados produtores de leite, para a campanha de outono, a mais importante em termos de investimento por parte dos produtores. Isso representa um fôlego para os produtores de leite, mas ainda há problemas para corrigir.