Sustentabilidade

 

A inserção da ÁRVORE na propriedade

Desenvolvido pela Embrapa e pela CNA, o Projeto Biomas promove experiências de cultivo nos diferentes ecossistemas do País

Denise Saueressig denise@agranja.com

Aárvore é o elemento destaque do Projeto Biomas, iniciativa que teve início em 2010 por meio de uma parceria entre a Embrapa e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A ideia surgiu quando o novo Código Florestal ainda era alvo de discussões polarizadas envolvendo produção rural e preservação ambiental, lembra a engenheira agrônoma Cláudia Rabello, coordenadora executiva do projeto na CNA. “Entendemos que seria importante trazer para esse debate argumentos técnicos e científicos”, relata.

O Biomas tem dois objetivos principais. O primeiro é apresentar ao produtor rural soluções de sustentabilidade na propriedade a partir da intensificação do uso da árvore, com diversificação de sistemas produtivos e ganhos sociais, econômicos e ambientais. O segundo propósito é fornecer informações científicas que possam subsidiar o aprimoramento das leis ambientais vigentes.

O programa tem frentes de atuação nos seis biomas brasileiros: Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Amazônia, Pantanal e Pampa. Estão envolvidos 330 pesquisadores de 122 instituições de extensão e pesquisa e universidades, além de cerca de 70 estagiários. “Essa equipe é responsável pela condução de cerca de 100 projetos de pesquisa que englobam 64 espécies arbóreas distribuídas em 97 mil mudas já plantadas”, enumera Cláudia, citando números computados até novembro do ano passado.

As particularidades regionais são valorizadas e, em cada bioma, foi selecionada uma área experimental localizada em uma propriedade rural, e uma área de referência, ou seja, aquela em que as características locais se mantêm intactas. O trabalho envolve diversos modelos de cultivo, como, por exemplo, integração lavourapecuária- floresta, implantação de Reserva Legal (RL), restauração de Áreas de Preservação Permanente (APP), plantio de espécies nativas intercaladas com eucalipto e cultivo de café em consórcio com seringueira. “Cada sistema leva em consideração a identificação, as potencialidades e as fragilidades do local, que passa por levantamento detalhado antes de receber o experimento”, explica a agrônoma.

Difusão de tecnologias — Até 2015, foram realizados dias de campo na Mata Atlântica, no Cerrado e na Amazônia, com a participação de aproximadamente 600 pessoas. Nessas atividades, produtores visualizaram, na prática, técnicas e cultivos que podem ser empregados nas propriedades. A partir deste ano, os dias de campo deverão ocorrer também nos outros três biomas.

A difusão das tecnologias ainda se dá por meio de ações de capacitação promovidas pelo Sistema Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). “Muitos resultados, ainda que preliminares, estão sendo compartilhados com a comunidade, especificamente, com os produtores rurais. Ainda foram promovidos cursos voltados a técnicos extensionistas e multiplicadores nos biomas Mata Atlântica e Cerrado, quando foram produzidas as vídeo-aulas que serão transmitidas pelo portal de ensino a distância do Senar”, destaca Cláudia.

As atividades propostas pelo Projeto Biomas têm previsão de conclusão em 2019, quando se encerrará uma primeira fase que foi estruturada em nove anos. Além da Embrapa e da CNA, são parceiros o Sebrae, a Monsanto e a John Deere. O aporte financeiro é do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em um montante de cerca de R$ 23 milhões em nove anos.

Embora ainda não exista o planejamento para uma segunda fase do programa, há a possibilidade de expansão e continuidade das ações. Por enquanto, as metas numéricas estabelecidas são a conclusão de 98 subprojetos de pesquisa e difusão das novas tecnologias geradas por meio de nove cursos de capacitação, incluindo ensino a distância, e oito dias de campo.

“Atingindo esses objetivos entendemos que estaremos próximos de chegar a um propósito maior: intensificar o uso da árvore e garantir ao produtor novas técnicas que possam promover a adequação da sua propriedade à legislação ambiental e, com isso, alcançar a sustentabilidade ambiental no meio rural”, ressalta Cláudia.