Aqui Esta a Solução

O CAJUEIRO E O CLIMA

Olá, amigos da revista A Granja. Qual é a resistência do cajueiro à seca? E quais são os limites de pluviosidade mais recomendados para a planta? Agradeço a informação.

Carlos Augusto Mello
Teresina/PI

R- Prezado Carlos Augusto, o cajueiro apresenta certa resistência (tolerância) à seca. Essa tolerância pode ser sentida apenas em condições de solos profundos e com boa retenção de umidade. Segundo os pesquisadores da Embrapa, o cultivo em regiões de solos rasos e arenosos, com precipitações inferiores a 800 mm anuais, provoca perdas de plantas no ano de plantio e reflexos negativos até a fase produtiva, com complicações no florescimento e na frutificação. As pluviosidades recomendadas são as que variam entre 800 mm e 1.500 mm anuais, distribuídas entre cinco e sete meses, seguidas de estação seca definida que coincida com as fases de floração e frutificação da planta. Em regiões com precipitações muito elevadas, superiores a 2.000 mm, os solos devem ser drenados, pois a cultura não suporta encharcamento. Quando o período de floração e frutificação coincide com chuvas constantes, a produção fica bastante prejudicada pelo alto nível de umidade relativa do ar, que favorece a incidência de doenças fúngicas, principalmente a antracnose, o oídio e o mofo-preto. Chuvas fortes, por sua vez, contribuem significantemente para a queda de flores.


ALGODÃO COLORIDO

Tenho curiosidade em saber mais sobre a produção de algodão colorido no Nordeste do Brasil. Como esse cultivo vem se desenvolvendo? Desde já, obrigado.

Celso Leal Prestes
Guarapari/ES

R- Caro Celso, o algodão colorido desenvolvido pela Embrapa e produzido em sistema de cultivo orgânico é hoje a principal fonte de renda de cerca de 30 famílias no agreste paraibano. A quantidade de hectares cultivada ainda é pequena para que seja incluída nas estatísticas oficiais de produção do algodão no País, mas destaca-se pelo uso sustentável da água e dispensa o uso de defensivos e adubos químicos. Mesmo com a produção limitada e considerada uma novidade na indústria têxtil, os agricultores comemoram o valor de mercado que está acima do tradicional algodão branco. Depois de mais de 20 anos de melhoramento genético, a Emprapa Algodão obteve cinco variedades com tonalidades que vão do verde-claro aos marrons claro, escuro e avermelhado. Em breve será lançada uma nova variedade marrom, com melhor qualidade de fibra para a indústria têxtil. Outra linha de pesquisa também busca obter o algodão de cor azul através da biotecnologia para transferir o gene que fornece a cor azul para a fibra do algodão, o que reduziria significativamente o uso de tinta na indústria. Na Paraíba, o algodão colorido se tornou símbolo regional em lojas de artigos para turistas e, também, ganhou o status de peças de luxo em feiras nacionais e internacionais, chamando a atenção de mercados em países europeus como Itália, Espanha, Alemanha e França. O produto também já chegou ao Japão e aos Estados Unidos.