Primeira Mão

Rumo aos portos, rumo à China

Em apenas seis anos o volume de soja + milho exportado pelo Brasil dobrou. Em 2009, o somatório (incluindo farelo de soja) foi de 48,6 milhões de toneladas, montante que atingiu 98,07 milhões em 2015. Para 2016 a previsão é que chegue a 100 milhões de toneladas. No ano passado, o embarque de soja foi 19% maior, para 54,3 milhões de toneladas – recorde para a oleaginosa. No caso do milho, foram 28,9 milhões de toneladas em 2015, também recorde.

A verdade é que o peso do agronegócio na balança comercial brasileira atingiu a maior fatia em 2015, com 46,2% de tudo o que é vendido ao exterior. No ano anterior, foi de 43% e, em 2013, de 41,3%. Os segmentos de soja em grão, milho, frango in natura, café e celulose tiveram em 2015 seus melhores desempenhos nas exportações desde 1997, quando iniciada a série histórica. A China foi o principal destino dos produtos do agronegócio brasileiro, de onde vieram US$ 21,28 bilhões, principalmente da venda de soja em grãos e celulose, e para onde foi 75% da soja brasileira exportada.


500 milhões de toneladas

A combinação de água + terras cultiváveis + tecnologia + alta produtividade levará o Brasil a se tornar um verdadeiro celeiro na produção de alimentos no planeta, um feito fundamental para suprir o aumento da população de classe média em diferentes países. Conforme a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), enquanto a população mundial não para de crescer, o número de hectares para produção de alimentos encolhe. Já o Brasil é exceção, visto ter altas taxas de produtividades agrícolas, além de potencial para expandir sua área agrícola em 70 milhões de hectares, terreno que permitiria incrementar em 136% a atual produção de grãos e fibras – de 210 milhões de toneladas de grãos e fibras para quase 500 milhões. A interpretação é do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, André Nassar.


PIBÃO DE UM BRASIL À PARTE

Enquanto a economia brasileira degringola a cada estatística ou indicador anunciado, o agronegócio mostra números vistosos, como este: o Valor Bruto de Produção (renda bruta do produtor, dentro da “porteira”, sem considerar custos) de 2015 foi de R$ 498,5 bilhões, o maior da série histórica iniciada em 1989. Resultado de R$ 321 bilhões das lavouras e R$ 177,5 bilhões da pecuária. E a estimativa é que em 2016 o Valor chegue a R$ 503 bilhões. O levantamento é feito pelo Ministério da Agricultura, por meio da Secretaria de Política Agrícola.

O alto valor é consequência de uma grande safra – recorde de 207,7 milhões de toneladas – e do ótimo momento atual da pecuária. Os destaques nas lavouras foram a soja (R$ 106,4 bilhões), a cana (R$ 50,3 bilhões), o milho (R$ 41,3 bilhões), o café (R$ 19,4 bilhões) e o algodão (R$ 13 bilhões). Já a carne bovina contribuiu com R$ 73,8 bilhões, o frango, com R$ 49,8 bilhões e o leite, com R$ 27,8 bilhões. Para o Ministério, neste ano a soja vai ser responsável sozinha pelo VBP de R$ 122 bilhões.


1,992 bilhão...

...de toneladas de grãos: essa deverá ser a produção global na temporada 2015/16, segundo levantamento recente do Conselho Internacional de Grãos (IGC). E o consumo está estimado em 1,984 bilhão de toneladas, o segundo maior até hoje, “sustentado pela forte demanda por alimentos, rações e usos industriais”, conforme o ICG. Já os estoques globais deverão chegar em dezembro de 2016 em 455 milhões de toneladas, o mais alto em 29 anos.


NÚMEROS ANIMADORES

A indústria de nutrição vegetal – fertilizantes orgânicos, organominerais, foliares, condicionadores de solo e substratos para plantas – cresceu 9% nas vendas no ano passado, para um faturamento de R$ 4,8 bilhões. “Essa evolução é resultado do trabalho árduo das empresas do setor e também da busca pelo produtor rural brasileiro por novas tecnologias que garantam ganhos de produtividade”, justificou Clorialdo Roberto Levrero ao tomar posse na presidência da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo) para o biênio 2016/17.


PRODUTIVIDADE SEM FREIO

A produtividade média das lavouras brasileiras cresceu a uma média de 4% por safra nos últimos 15 anos, de 2000 a 2014. A pesquisa das instituições – sobretudo a Embrapa – e de empresas, bem como a adoção das tecnologias pelos produtores explicam tal performance, estatística tornada pública por estudo elaborado pelo Departamento de Estudos Econômicos do Ministério da Agricultura, e pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/ USP) e do Serviço de Pesquisa Econômica do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda). A viabilidade da segunda safra no verão, a resistência genética das plantas a doenças e pragas e as práticas benéficas ao solo, como o plantio direto, justificam o aumento da produtividade. A média mundial no período foi de 1,84%/ano.


GALINHAS TRANSGÊNICAS

A agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA, a Food and Drug Administration (FDA), que tinha acabado de aprovar um salmão transgênico, o primeiro animal modificado com regulamentação, em dezembro deu o ok para galinhas geneticamente modificadas. A penosa transgênica produz nos ovos um medicamento apto a tratar pessoas com um raro problema genético, a Deficiência de Lipase Ácida Lisossômica (LAL), também conhecida por Doença de Wolman, que afeta 200 mil americanos, e pode causar óbito de crianças. Os ovos das galinhas GMs produzem a enzima Sebelipase Alfa, que em falta no ser humano leva ao acúmulo de gordura no fígado, intestinos e vasos sanguíneos.


CAR: o tempo está passando

O prazo para que os produtores façam o Cadastro Ambiental Rural (CAR) termina em 5 de maio. Até essa data, 146,6 milhões de hectares de área rural ainda precisam ser cadastrados. O último levantamento divulgado pelo Serviço Florestal Brasileiro (dados até 30 de novembro), mostra que 251,3 milhões hectares já foram registrados no Sistema Nacional de CAR, 63,16% da área passível de cadastro. O CAR é um sistema eletrônico que integra as informações das propriedades rurais e será a base de dados para o controle, monitoramento e combate ao desmatamento no Brasil. No sistema, os produtores devem informar os dados cadastrais e a localização georreferenciada das áreas de Preservação Permanente, de Reserva Legal e de Uso Restrito.


APOIO PRECIOSO AOS FAMILIARES

Os agricultores familiares venderam ao Governo Federal R$ 567,2 milhões em produtos agrícolas no ano passado por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Criado em 2003, o PAA beneficia mais de 38 mil famílias, que comercializam seus produtos por intermédio da Conab e das prefeituras, que ficam responsáveis por indicar e acompanhar os projetos atendidos, e depois definem o destino dos alimentos – como restaurantes populares, hospitais e postos de saúde.