Primeira Mão

 

“Deve ser um ano de perdas maiores, com fenômenos climáticos mais vigorosos, conjuntura econômica desfavorável, aumento muito maior dos custos, com mais impacto da alta do dólar e, por fim, um mercado consumidor muito mais descapitalizado. Nossa orientação é que se foquem na gestão dessa nova safra, e que contenham investimentos”. Presidente do Sistema Faemg (Federação da Agricultura de Minas Gerais), Roberto Simões, sobre 2016 para o agronegócio mineiro. Em 2015, o crescimento do faturamento da agropecuária do estado foi de inexpressivo 0,65%, um dos piores desempenhos do setor na última década.


5,3 bilhões...

...de dólares: esse foi o superávit da balança comercial dos produtos florestais no ano passado (janeiro a novembro). As vendas do setor somaram US$ 6,5 bilhões, 3,7% do total de exportações brasileiras. Eucalipto e pínus são as principais espécies cultivadas, com áreas somadas de 7 milhões de hectares. Nesse setor, três são as cadeias produtivas: a madeira industrial (celulose e papel e painéis de madeira reconstituída), o processamento mecânico da madeira (serrados e compensados) e a madeira para energia (lenha, cavaco e carvão vegetal).


SOS solos

Um em cada três hectare do planeta está degradado. A estatística consta no documento do Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), tornado público em dezembro. Entre os principais problemas, erosão, salinização, compactação, acidificação, perda de fertilidade e contaminação. O trabalho foi desenvolvido por 200 cientistas de 60 países, incluindo a pesquisadora da Embrapa Solos Maria de Lourdes Mendonça. “Cerca de 50% dos solos latino-americanos estão sofrendo algum tipo de degradação. No Brasil, os principais problemas encontrados são erosão, perda de carbono orgânico e desequilíbrio de nutrientes”, diagnostica ela.


Agro, fatia maior no PIB

Tendo em vista a crise generalizada na maioria dos segmentos econômicos do País, a agropecuária aumentou sua participação no PIB total: de 21,4% em 2014 para 23% em 2015. A estatística foi levantada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que prevê crescimento do setor agropecuário em 2,4% no ano passado – ainda que a agricultura não cresça e o agronegócio encolha 0,6%. O crescimento vai ocorre em insumos e produção primária. No caso de insumos, o crescimento se dará pelo aumento dos preços, e no caso do setor primário, em decorrência da expansão na produção de soja, milho e alta no preço do boi.


Dólar nocivo em 2016/17

A safra 2015/16 nem terminou, mas o Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb) já projeta que a safra seguinte terá um custo alto em razão do dólar cotado a R$ 3,90 e será implementada em meio à insegurança política e econômica do País. “Para este ano o agricultor adquiriu insumos a preço suportável, mas a alavancada ainda virá, e reduzirá a margem de lucro, diante dos custos com insumos, cuja valorização deve ultrapassar os atuais 40%”, avalia o vice-presidente do Cesb, Leonardo Sologuren. A entidade reconhece, no entanto, que a desvalorização do real torna competitiva a soja brasileira.


Conta assustadora

Todos os preços têm aumentado no Brasil, desde aqueles do custo de vida doméstico até os dispêndios do produtor para fazer a sua safra, independentemente da cultura. Mas o que dizer de um incremento de 104%? É o choque que os arrozeiros gaúchos têm sofrido ao receber a conta da energia elétrica da irrigação e compará-la há um ano antes. A entrada em vigor no ano passado do Sistema de Bandeiras Tarifárias é a explicação: a bandeira vermelha, a de maior custo de geração, atingiu na outra safra o final do período de irrigação, mas para esta incide sobre as contas desde o início da implantação das lavouras, quando o produtor utiliza mais intensamente a irrigação. Em dezembro de 2014, o kilowatt-hora (kW/H) custava R$ 0,06 entre 22h e 6h30min e R$ 0,16 entre 6h30min e 19h. Em dezembro/2015, os valores estão em R$ 0,14 e R$ 0,28.


1 bilhão...

...de reais: esse é o montante de seguro agrícola oficial que poderá ser disponibilizado neste ano, valor suficiente para segurar 20 milhões de hectares. A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, afirmou que o Orçamento de 2016 deverá trazer R$ 850 milhões para o seguro agrícola, sendo que R$ 400 milhões já estão previstos para tal finalidade e R$ 350 serão deslocados da rubrica de Política de Garantia de Preços Mínimos, verba não utilizada integralmente em 2015. Tais valores, segundo a ministra, foram negociados com a Frente Parlamentar da Agricultura. E para chegar ao R$ 1 bilhão, o ministério estuda formas viáveis de alocar crédito sem comprometer as políticas de ajuste fiscal do Governo.

“Dependemos de uma taxa de câmbio elevada até pelo menos a venda da safra. Caso contrário, haverá mais redução nas margens já achatadas da safra 2015/2016”. Avaliação de Antonio da Luz, economista da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), lembrando que o produtor gaúcho enfrentou 25% de aumento nos custos no atual ciclo.


Dow + DuPont = US$ 130 bi

As americanas Dow Chemical e a DuPont anunciaram no mês passado acordo para uma fusão de US$ 130 bilhões, que será seguida por uma cisão em três empresas separadas (cotadas na bolsa de forma independente), sendo que uma se dedicará à agricultura, outra a especialidades químicas e a terceira à ciência dos materiais. A nova empresa se chamará DowDuPont. A fusão ainda será submetida aos organismos reguladores dos Estados Unidos.


Tudo sobre nutrição vegetal

A Associação Brasileira de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo) publicou o seu primeiro Anuário Brasileiro de Tecnologia em Nutrição Vegetal, no qual constam as principais informações sobre o segmento no Brasil. A publicação é uma ferramenta útil para todos que querem entender melhor o segmento de nutrição vegetal no País. Há dados oficiais mais recentes organizados de forma clara e com informações sobre características do mercado de tecnologia em nutrição vegetal e seus conceitos, além de estatísticas mercadológicas e ainda um guia de mercado com todas as empresas brasileiras de tecnologia em nutrição vegetal. O anuário está disponibilizado de forma gratuita para download em http://abisolo. com.br/anuario.


Soja, 50% em 2025

Apesar do pé no freio em comparação aos últimos anos, o agronegócio brasileiro seguirá angariando espaços nos mercados internacionais dos próximos dez anos. É o diagnóstico e a projeção do Outlook 2025, elaborado pelo Departamento de Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). As exportações de soja, por exemplo, deverão crescer à média de 4,7% ao ano até 2025, e então representará metade das exportações globais (hoje é de 40%). O açúcar será 46% das vendas internacionais em dez anos. E, nas lavouras brasileiras, a maior demanda de fertilizantes será de soja, com 38%, milho, 21%, e cana, 11%.