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OUTRA HISTÓRIA COMEÇA

A eliminação das retenções ao trigo e ao milho é um passo importante para a recuperação da competitividade e rentabilidade do setor e, principalmente, para a volta dos dois cultivos para os sistemas de rotação agrícola, fundamental para a sustentabilidade da agricultura. A importância é ainda maior para as economias regionais, em que estavam em risco o emprego de 1,5 milhões de pessoas. Agora, desde as frutas até o algodão deixarão de pagar um imposto que estava condenando os cultivos ao desaparecimento.

Também é saudada a redução das retenções à soja, ainda que o impacto seja menor do que para o restante das produções. A agropecuária argentina celebra que o governo do novo presidente Mauricio Macri esteja cumprindo suas primeiras promessas políticas, que tinham como bandeira o fim dos direitos de exportação que tantos danos provocaram à economia nacional, aos produtores e às comunidades do interior. Também é bastante positivo o fim das restrições cambiais entre o peso e o dólar. O campo demonstra que é forte quando os produtores podem trabalhar, quando não sofrem imposições ou quando não se fecham caminhos comerciais. O certo é que inicia uma outra história, e cabe esperar uma Argentina mais ativa nos mercados internacionais, em qualquer produto do agronegócio.

TRIGO

As perspectivas para o cereal mudaram. É esperado um aumento significativo do plantio em 2016 para uma área próxima a 6 milhões de hectares. Para a safra atual, a produção deve ficar entre 9,5 e 9,6 milhões de toneladas sobre um total de 3,7 milhões de hectares cultivados.

SOJA

A estimativa, até meados de dezembro, é de que o plantio tenha ficado próximo a 70% dos 19,8 milhões de hectares da intenção para a safra 2015/2016. Até o momento, não há indícios de problemas significativos nas regiões produtoras.

LEITE

É o setor mais desamparado neste momento, e o governo estuda alguma forma de salvar a cadeia. Os preços, agora com o mercado cambiário unificado, valem em torno de US$ 0,19 para o litro do leite. A situação é crítica entre os produtores.

CARNE

Foram registrados aumentos importantes em meados de dezembro para o gado em pé. A expectativa com o fim das restrições cambiárias e a proximidade das festas de final de ano ajudaram a aquecer as cotações. Para o novilho jovem, houve registro de preços em torno de US$ 1,80 o quilo vivo.


IMPULSO GENERALIZADO

As novidades geradas pela administração de Mauricio Macri (foto) também representam um alívio para os fabricantes de insumos destinados ao campo e que, assim como o produtor, vinham em um quadro financeiro crítico. Um representante do setor de fertilizantes afirmou que “já percebemos uma mudança imediata. O milho não corrigiu toda a perda de área, mas ao menos a queda de 40% no uso de fertilizantes destinado a esse cultivo agora não será superior a 25%”.


ESPERANÇAS RENOVADAS

São evidentes as aprovações a respeito de um tema que era considerado crítico. “Estamos muito entusiasmados com as perspectivas do futuro para o setor agropecuário”, destaca Juan Farinati, presidente da Monsanto na Argentina. A empresa, que trabalha para consolidar projetos até 2025, conclui que o setor tem potencial para produzir 180 milhões de toneladas de grãos na próxima década. A entidade que reúne a cadeia do milho e do sorgo no país informa que “vê com grande otimismo a eliminação dos direitos de exportação a todos os produtos da cadeia, assim como das restrições às exportações. Será fundamental para alcançar a expansão dos cultivos de milho e sorgo e a geração de valor agregado e riqueza no interior do país. Isso se traduzirá em maior geração de empregos e em um importante ingresso de divisas ao país geradas pelas exportações de milho, sorgo e produtos dessas cadeias”. Por sua vez, o novo ministro da Agroindústria, Ricardo Buryaile, pronunciou uma frase que dá sinais dos novos tempos: “O conflito entre governo e campo terminou. Teremos um diálogo produtivo com todos os setores”.