Comigo

  

COMIGO, um orgulho do agronegócio goiano

Agricultores então sem condições estruturais de produzirem criaram a Comigo, em Rio Verde/GO, em meados dos anos 1970

Comigo
Sede: Rio Verde/GO
Principais produtos: soja, milho, industrializados
Faturamento: R$ 2,7 bilhões em 2014
Associados: 6.785

Um grupo de produtores rurais de Rio Verde/GO se reuniu, em meados dos anos 1970, para discutir soluções relativas à baixa rentabilidade da atividade agrícola decorrente da falta de mercado, infraestrutura de armazenagem, insumos e transporte da produção. Baseados nos princípios cooperativistas, 50 produtores liderados por Paulo Roberto Cunha, Antonio Chavaglia, Hadovaldo Horbilon, John Lee Ferguson, Alcyone Bernardes, Vanderval Lima Ferreira, entre outros, atuaram de forma empreendedora na fundação da Cooperativa Mista dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano, a Comigo, em 1975. A razão social seria alterada, mais tarde.

Com um capital inicial de aproximadamente U$ 4 mil por pessoa, as atividades começaram em 1976 com a primeira loja agropecuária da cooperativa (de insumos em geral), onde também funcionavam a administração, a assistência técnica e o local de reuniões. No mesmo ano foi adquirido um terreno de 114 hectares às margens da BR-060, onde mais tarde seria implantado o Complexo Industrial da Cooperativa. Os primeiros armazéns foram ali construídos, em 1978. Com a elevação do número de cooperados, a Comigo deu início a uma expansão gradativa com a construção de lojas agropecuárias e armazéns em cidades próximas, Santa Helena, Acreúna, Jataí, Montividiu, Paraúna, Indiara, Jandaia e Serranópolis. Recentemente estendeu suas atividades para Caiapônia, Iporá, Montes Claros e Palmeiras, completando 13 municípios goianos.

Em um projeto arriscado e inovador para a época, a cooperativa deu início à construção da primeira agroindústria de esmagamento de soja do Centro-Oeste, em 1982. “No começo, não acreditavam na industrialização do grão devido à baixa produção da região, por isso foi difícil conseguir crédito para iniciarmos as nossas atividades”, recorda o presidente da Comigo, Antonio Chavaglia. Em 1983, a instituição colocou em funcionamento a agroindústria de soja, com uma capacidade inicial de 600 toneladas/dia, subindo para 1 mil toneladas, tempos depois, e hoje já são mais de 5.500 toneladas, em duas fábricas. O fato impulsionou os produtores a plantarem, inclusive muitos que migraram de outras regiões. O plantio, assim, aumentou de forma considerável.

“No começo, não acreditavam na industrialização do grão devido à baixa produção da região, por isso foi difícil conseguir crédito para iniciarmos as nossas atividades”, revela o presidente da Comigo, Antonio Chavaglia

A região contava agora com uma nova opção de renda, alavancando o desenvolvimento. Dois anos depois, a cooperativa instalou sua refinaria e o enlatamento, lançando no mercado os óleos de soja Comigo e Brasileiro. Pioneira, a Comigo abriu as portas da industrialização, incentivando outras empresas a se instalarem em Goiás. “Na região, tudo aconteceu mais depressa por causa da cooperativa”, entende Chavaglia.

Nos anos seguintes, tendo a soja como carro-chefe, a cooperativa desenvolveu diversos processos industriais, passando a produzir, além do óleo, o farelo de soja, fertilizantes, suplementos minerais, rações, produtos lácteos, sementes e sabão (desativado no ano passado). Tudo isso auxiliou no crescimento do agronegócio gerando maior valor agregado aos produtos derivados da soja, oriunda de seus cooperados, assim como gerando empregos e movimentando a economia regional.