Ocesc

 

As cooperativas e o cenário ECONÔMICO

As instituições não repetirão os bons resultados de 2014, mas terão resultado positivo, com crescimento da receita operacional bruta entre 6% e 8%

Marcos Antonio Zordan, presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc)

O ano passado foi difícil para as cooperativas que, no mercado, enfrentam as mesmas dificuldades e desafios das empresas mercantis. As cooperativas não repetirão os bons resultados de 2014, mas terão resultado positivo em menor escala. Acredito que a receita operacional bruta das cooperativas catarinenses cresce entre 6% e 8%. O recrudescimento da inflação, com o aumento geral dos principais insumos da produção, foi nosso maior problema. A economia está lenta, quase parando, e a inflação não cessa. Isso comprova o enorme fracasso da política macroeconômica do Governo Federal.

De um modo geral, todos os ramos foram afetados. As cooperativas agropecuárias e as de crédito são aquelas com melhor desempenho. As cadeias produtivas da avicultura industrial, da suinocultura industrial, do leite e dos grãos geraram um grande movimento econômico, estimuladas pelas exportações e pelo comportamento do câmbio. O aumento geral dos custos, entretanto, reduziu as margens de resultado. Por outro lado, as cooperativas de crédito aumentaram seu protagonismo no mercado financeiro, com crescimento do número de associados e no volume das captações e das operações de crédito.

Infelizmente, as projeções não são boas. O consumo vai diminuir e o desemprego, aumentar. O ambiente de negócios no Brasil não é bom. O nível de confiança de todos os agentes econômicos – especialmente dos empresários – está baixo. O Governo tem se revelado incompetente para gerir as crises que ele próprio criou. Entretanto, quem estiver operando, trabalhando com uma cooperativa, tem chance de se sair melhor. Sempre devemos estar preparados, principalmente no que tange a informações e conhecimento, que acompanhado de muito trabalho, certamente a crise será mais amena. Com essa visão é que o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo de Santa Catarina (Sescoop/SC) tem atuado com investimento muito grande nos associados, funcionários e dirigentes das cooperativas.

As cooperativas agropecuárias e as de crédito são as de melhor desempenho entre as cooperativas, afirma o presidente da Ocesc, Marcos Antonio Zordan

Mas nem tudo são pedras. Em 2016, o Sescoop/SC investirá R$ 22 milhões nas atividades de formação profissional e demais ações. Outra notícia positiva é que a participação da mulher no quadro social das cooperativas de Santa Catarina chegou a 37,20% (são 651.422 pessoas do sexo feminino) e deve crescer mais. Até o fim do ano passado, as mulheres representariam cerca de 40% do quadro de associados das cooperativas.

Nós, os cooperativistas, estamos acostumados com desafios. Respondemos por 11% do PIB catarinense. A força do cooperativismo barriga-verde está nas suas 253 cooperativas que reúnem mais de 1,7 milhão de famílias associadas. Continuaremos trabalhando de forma cooperada para que sejamos cada vez mais os protagonistas da mudança. Esperamos que o associado opere cada vez mais com suas cooperativas e que suas diretorias, com a autogestão, continuem o trabalho democrático e participativo junto ao quadro social.