Agribusiness

 

CAFÉ

EMBARQUES DO BRASIL CAEM 0,7% EM VOLUME NO ACUMULADO DO ANO

Lessandro Carvalho - lessandro@safras.com.br

As exportações brasileiras de café no acumulado dos dez primeiros meses do ano civil 2015 (janeiro-outubro) totalizaram (entre café verde e industrializado) 29.852.943 sacas de 60 quilos, recuo de 0,7% no comparativo com janeiro a outubro de 2014, quando os embarques foram de 30.051.507 sacas. A receita nos dez primeiros meses do ano foi de US$ 5,078 bilhões, com baixa de 4,7% sobre o mesmo período de 2014 (US$ 5,327 bilhões). O Brasil fechou outubro com embarque vultoso de 3,215 milhões de sacas de café em grão, com queda de 3,9% no comparativo com outubro do ano passado (3,346 milhões de sacas).

Para o analista de Safras & Mercado Gil Barabach, o Brasil pode fechar o ano com embarques recordes, ultrapassando os 33,1 milhões de sacas de café verde acumulados em 2014, e os 36,35 milhões de sacas totais (verde mais solúvel) de 2014. Para isso, basta manter uma média de 3 milhões de sacas de café verde em novembro e dezembro, o que tem tudo para acontecer. Vale lembrar que, no total de verde e solúvel, em outubro as exportações chegaram a 3,6 milhões de sacas. O dólar em patamares mais altos, em que pese recente recuo da moeda americana, estimula os embarques brasileiros. Os produtores dizem que a oferta é limitada no Brasil e que essas exportações mais fortes agora vêm de cafés vendidos meses atrás, quando as cotações superaram a linha de R$ 500. “Com essas exportações, é difícil lá fora dizer que falta café no Brasil”, comenta. “Por isso, o preço não reage nas bolsas”. Ele acredita em exportações fortes nos próximos meses e com preços pressionados em função também disso. A não ser que o clima preocupe ainda mais, intensificando o cenário de apreensão com a falta de chuvas no ES e em outras regiões.


ARROZ

OFERTA APERTADA E INCERTEZAS SOBRE SAFRA SUSTENTAM PREÇO

Rodrigo Ramos - ridrugi@safras.com.br

O mercado brasileiro de arroz iniciou a segunda quinzena do mês de novembro com preços firmes. Na média do Rio Grande do Sul, principal referencial nacional, a saca de 50 quilos era cotada a R$ 41,02 no dia 16, o que correspondia à elevação de 1,5% em relação ao mesmo período do mês passado e de 13,3% quando comparado ao mesmo momento do ano anterior. “Essa alta deve-se, basicamente, ao enxugamento da oferta na atual temporada, devido ao comportamento da balança comercial do produto e às incertezas em relação à próxima safra”, afirma o analista de Safras & Mercado Élcio Bento.

De acordo com dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, entre março e outubro o Brasil exportou 708 mil toneladas (base casca) e importou 340 mil toneladas. Em igual momento do ano passado, as vendas externas foram de 618 mil toneladas e as compras, de 627 mil. O superávit comercial de 368 mil toneladas na atual temporada e o déficit de 9 mil toneladas na anterior mostram que nos oito primeiros meses da temporada 2015/ 16 o comércio exterior retirou 377 mil toneladas a mais que na anterior.

“Com o País exportando bons volumes e adquirindo pouco arroz no mercado internacional, os estoques de passagens reduzirão para os menores níveis dos últimos dez anos, atendendo pouco mais de um mês do consumo nacional”, pondera o analista. Assim, o atraso do plantio e, consequentemente, uma colheita mais tardia, podem gerar um estrangulamento na oferta entre os meses de fevereiro e março. “A combinação desses dois fatores deve garantir firmeza para as cotações no mercado doméstico”, aposta.


SOJA

USDA ELEVA ESTIMATIVA DE SAFRA E ESTOQUES DOS EUA PARA 2015/16

Dylan Della Pasqua - dylan@safras.com.br

O relatório de novembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) confirmou as expectativas do mercado e elevou as projeções de produção e estoques finais dos Estados Unidos em 2015/16. Mas a elevação ficou acima do esperado pelo mercado. A safra norte-americana está estimada em 3,981 bilhões de bushels, enquanto o mercado apostava em 3,912 bilhões. O Usda indicava em outubro produção de 3,888 bilhões.

Os estoques ficaram estimados em 465 milhões de bushels, enquanto o mercado esperava 429 milhões. No relatório anterior, a previsão era de 425 milhões de bushels. Para 2014/15, o Usda manteve a estimativa em 191 milhões de bushels.

Segundo o Usda, as exportações em 2015/16 deverão somar 1,715 bilhão de bushels, contra 1,675 bilhão de outubro. O esmagamento está projetado em 1,89 bilhão, contra 1,88 bilhão no relatório anterior. A produtividade foi elevada de 47,2 bushels para 48,3 bushels por acre.

A previsão de área colhida foi mantida em 82,4 milhões de hectares. O relatório projetou safra mundial em 2015/16 de 321,02 milhões de toneladas. Os estoques finais foram reduzidos de 85,14 milhões de toneladas para 82,86 milhões, abaixo do esperado pelo mercado, de 85,1 milhões. A projeção do Usda aposta em safra americana de 108,35 milhões de toneladas, contra 105,81 milhões previstos em outubro.

Para o Brasil, a previsão é de uma produção de 100 milhões de toneladas, enquanto a safra argentina deverá ficar em 57 milhões, repetindo as projeções de outubro. A China deverá importar 80,5 milhões de toneladas, contra 79 milhões do mês anterior.

O mercado sentiu o impacto do relatório do Usda, que ampliou a oferta mundial da soja. Os Estados Unidos tendem a colher a maior safra da história. No Brasil, a tendência também é de produção recorde. A Argentina deverá também obter uma safra cheia. Em consequência, os contratos futuros em Chicago atingiram os menores níveis em sete anos em meados de novembro.

O único fator de sustentação aos preços continua sendo a boa demanda pela soja americana. No Brasil, o produtor adotou uma postura mais cautelosa diante das quedas em Chicago e também do equilíbrio no câmbio. Os vendedores optam por focar no plantio da safra nova. Até mesmo porque a comercialização antecipada ganhou ritmo em setembro. A partir dali a comercialização perdeu ritmo.


ALGODÃO

MERCADO INTERNO SEGUE COM POUCOS NEGÓCIOS

Rodrigo Ramos - ridrugi@safras.com.br

O mercado brasileiro de algodão iniciou a segunda quinzena de novembro com pouca movimentação, em consequência da baixa demanda por parte das indústrias. “O fraco interesse de compras é reflexo do mau desempenho apresentando pela economia brasileira até então”, explica o analista de Safras & Mercado Cezar Marques da Rocha Neto.

“Dados divulgados pelo Banco Central têm alarmado ainda mais a situação”, lembra o analista. Os dados econômicos só têm piorado para o ano de 2015. A projeção de inflação aumentou para mais de 10%; o PIB está com expectativa em queda de 3,10% e a produção industrial brasileira está com recuo de 7,40%.

A proximidade de datas festivas no final do ano está sendo um momento aguardado por grande parte das indústrias, pois as mesmas estão querendo diminuir seus custos, já que sua receita reduz em virtude do menor número de vendas. “Para isso, irão fornecer férias coletivas em massa para tentar se adequar à situação do mau desempenho econômico”, pondera Rocha Neto.

A safra brasileira na temporada 2015/ 16 está estimada entre 1,458 milhão e 1,499 milhão de toneladas, recuo de 6% a 3,3% na comparação com 1,551 milhão na safra 2014/15. Na primeira estimativa, ficou entre 1,529 e 1,564 milhão de toneladas. A produtividade está estimada em 1.553 quilos em pluma por hectare, ante 1.561 quilos na temporada 2014/15.

A área plantada na temporada está estimada de 939 mil a 965,3 mil hectares, retração de 5,5% a 2,9% ante os 993,9 mil hectares da safra passada. O Mato Grosso deverá colher uma safra de algodão em pluma de 896,3 mil a 914,1 mil de toneladas, números que representam recuo de 2,8% a 0,8% ante 2014/15 (de 1,029 milhão).


MILHO

MERCADO SEGUE ATENTO AO CLIMA DIANTE DOS ATRASOS NA SOJA

Arno Baasch - arno@safras.com.br

O mercado brasileiro de milho chegou à segunda metade de novembro com as atenções voltadas ao clima para o futuro plantio da safrinha. Segundo o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, com a ocorrência do fenômeno El Niño, havia uma expectativa de chuvas dentro da normalidade no Sudeste e no Centro-Oeste, mas elas não estão se confirmando em algumas regiões.

Molinari destaca que, entre o final de outubro e a primeira quinzena de novembro, houve boas chuvas em São Paulo, Sul de Minas e Triângulo Mineiro, Sudoeste de Goiás e região central do Mato Grosso. Essa condição tem favorecido o plantio da soja e o encaminhamento final do cultivo do milho nas regiões que plantam a safra de verão.

Contudo, algumas localidades receberam chuvas no final de outubro e depois nada mais. “Há paralisação de plantio de soja, necessidade de replantio e alguma perda por má germinação no Centro-Norte de Minas Gerais, Leste de Goiás, Bahia, Norte e Leste do Mato Grosso, grande parte do Tocantins, Maranhão, Piauí e Sul do Pará, o que pode ocasionar um plantio mais tardio da safrinha 2016”, sinaliza.

Em termos de negócios, Molinari afirma que os preços internos do milho seguem em bons patamares no momento, levando em conta fatores como o bom ritmo das exportações (por conta da questão cambial), a menor área cultivada na safra de verão e os atrasos de plantio na soja.

“Uma mudança neste quadro dependerá do ambiente externo. Em meados de dezembro haverá uma definição sobre a elevação ou não das taxas de juros nos Estados Unidos, a qual poderá trazer efeitos sobre a valorização do dólar e, consequentemente, sobre os preços das commodities no cenário internacional”, sinaliza.


TRIGO

PERDAS POR CHUVAS NO SUL REDUZEM OFERTA DE QUALIDADE

Gabriel Nascimento – gabriel.antunes@safras.com.br

O mercado brasileiro de trigo registrou uma redução no quadro de oferta nacional nos últimos dias. Segundo o analista de Safras Jonathan Pinheiro, as perdas ocasionadas pelo excesso de chuvas na Região Centro-Sul paranaense foram importantes responsáveis pela retração. Essa região responde por cerca de 10% da produção estadual. A comercialização segue lenta, que registra apenas negócios pontuais, focados no final de ano e levando em conta as férias coletivas.

“A indústria nacional só abastece seus estoques de trigo. Os preços estão em elevação desde a entrada da safra, e os fatores que compensam a concentração da entrada de oferta no mercado são o câmbio e a redução de oferta no Mercosul”, analisa.

No Paraná, os preços subiram mais de 30% desde o início de 2015 – cerca de R$ 200 a tonelada do grão de boa qualidade. No RS, a situação é mais grave, e as perdas já superam a última temporada. A estimativa inicial era de 2,6 milhões de toneladas.

Graças aos problemas climáticos – geadas e excesso de umidade durante a colheita – a produtividade caiu e a estimativa atual gira em torno de 1,5 milhão de toneladas, das quais a grande maioria tem baixa qualidade. “O volume esperado de trigo de boa qualidade é de cerca de 600 mil toneladas. Com o grande volume de trigo de baixa qualidade, novamente deve haver escoamento da produção para os países da Ásia e África”, destaca Pinheiro. Os preços no RS estão por volta de 45% superiores em relação ao início do ano.