Fitossanidade

 

A eficiência da tecnologia ELETROSTÁTICA

Método promove a ionização das gotas do defensivo, que, por serem pequenas, não se chocam no ar e ganham velocidade, e assim são fortemente atraídas pela planta e pelo solo, possibilitando melhor penetração no dossel de folha

Jefferson Gitirana Neto, diretor técnico do Sistema Integrado de Proteção de Plantas - Café (SIPP)

Para o estabelecimento de um plano bem sucedido no Manejo Integrado de Pragas (MIP), a precisão no uso dos defensivos agrícolas torna-se um fator determinante para controle efetivo das pragas e doenças, limitantes à produção. A estratégia de utilização do controle químico é bastante complexa e deve ser bem planejada, considerando o comportamento das populações de pragas, as características das lavouras, as condições climáticas e, principalmente, a capacidade operacional das fazendas.

Não basta apenas usar o produto correto, é preciso acertar o dia, o local, a quantidade suficiente, sem contaminação ambiental e com o maior rendimento operacional possível.

Mas como proceder diante de todos Embrapa Café 52 | DEZEMBRO 2015 PULVERIZAÇÃO esses aspectos e obter o máximo de desempenho dos recursos disponíveis? Ora, a economia de água e o aumento na velocidade de trabalho era o caminho para ganhos operacionais. Na otimização dos defensivos, a orientação seria acertar o alvo biológico em cheio, no momento correto, com a maior deposição do produto, sem desperdícios e riscos ambientais. Na necessidade de melhoria no sistema de aplicação, a tecnologia eletrostática, enfim, chegou para satisfazer as condições brasileiras. A tecnologia foi apresentada por um produtor que adquiriu o primeiro equipamento hidropneumático tratorizado eletrostático, modelo SPE, para utilização na cafeicultura do Cerrado Mineiro.

A tecnologia SPE trata-se de uma grande novidade, um dispositivo capaz de potencializar a corrente elétrica do trator e distribuí-la na base de um jato de pulverização, ionizando as gotas. Com a ionização, gotas pequenas não se chocam no ar, ganham velocidade e são fortemente atraídas pela planta e pelo solo, promovendo uma boa penetração no dossel de folhas e uma perfeita distribuição.

A curiosidade se tornou uma grande oportunidade, pois muitas são as perguntas e poucas as respostas. Assim são traçados os primeiros protocolos de experimentação em campo, na expectativa de contribuir para a evolução da agricultura brasileira.

Na primeira instância, verifica-se que a tecnologia eletrostática, além de viabilizar volumes menores de calda, ainda proporciona uma deposição de produto muito superior às tecnologias convencionais, principalmente nas regiões medianas e inferiores do cafeeiro.

A economia de água foi de 74% e o ganho de deposição de até 160%, sugerindo ganhos operacionais imediatos e possíveis melhorias no desempenho de inseticidas e fungicidas que necessitam de melhor recobrimento. As perdas também foram menores, justificando os ganhos de deposição (Gitirama Neto et al., 2015). Esses resultados de imediato validam a tecnologia, porém, suscitam novas perguntas.

Em outros trabalhos, verifica-se que o aumento de ponteiras eletrostáticas em atomizadores axiais permite aumento na velocidade de trabalho de 6 km/h para 7,8 km/ h, demonstrando também que as misturas realizadas no tanque não promoviam prejuízos à deposição, alertando ainda para riscos de perdas na deposição do produto com o uso excessivo de água.

Dessa forma, fica evidenciado que a tecnologia realmente se presta a baixos volumes de calda. Quanto maior a quantidade de água passando pelos bicos, maior divisão de carga entre as gotas, menor ionização, maior a capacidade de perdas. Não se deve insistir na utilização de volumes maiores quando os menores se prestam muito bem.

Costais — Na cafeicultura de montanha, com relevo acidentado, a utilização da tecnologia eletrostática em equipamentos costais, também demonstrou a viabilidade de redução de calda sem prejuízos à deposição dos produtos nos diferentes extratos da planta, ficando comprovado um efeito aditivo na deposição de produtos sobre as folhas com o uso de adjuvantes. Na prática, o uso de adjuvantes tem melhorado as misturas de tanque, reduzindo os riscos de entupimento, mesmo com o uso de sais adicionados às caldas de aplicação.

Gitirana Neto: além de viabilizar volumes menores de calda, a tecnologia ainda proporciona uma deposição de produto muito superior às tecnologias convencionais

A atratividade das gotas ionizadas exercidas pelas plantas e pelo solo corrigiu velhos problemas conhecidos nas aplicações convencionais, permitindo grande economia de água, melhor distribuição e boa deposição de produtos, principalmente na região inferior das plantas, como foi o caso do cafeeiro.

Possibilitou ainda, aumentar a velocidade de deslocamento. Assim, respira novos ares a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas no Brasil. Muitos benefícios já foram alcançados e outros estão por vir.