Escolha do Leitor

CRIMINALIDADE no campo: preocupação de todos

Com as ações mais enérgicas das polícias nas cidades, os bandidos acabam desviando suas ações delituosas para o campo, onde é mais difícil o monitoramento e mais fácil a fuga. Veja dicas para salvar a si e ao patrimônio

José Mário Schreiner, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e vice-presidente diretor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

Foi-se o tempo em que o ladrão de galinhas era o único a incomodar o sono de quem vive na roça. Hoje, o saco de linha que levava as aves deu lugar a armamentos pesados, que nem mesmo a nossa polícia possui. Os bandidos não só entram no nosso quintal na calada da noite, como também arrebentam nossos cadeados e cercas com violência e ousadia. São muitos os relatos de produtores que perdem milhares de reais em defensivos agrícolas, insumos, sementes, máquinas e outros produtos. As ocorrências mais trágicas levam das famílias do campo coisas muito mais valiosas do que bens que são fruto do seu trabalho: levam a dignidade, a vontade de viver no campo e, em alguns casos extremos, a vida de um familiar.

É triste e revoltante notar que, quanto mais o cerco à criminalidade aperta na cidade, mais ocorrências são registradas no campo. Com a intensificação do policiamento e de outras estratégias de contenção à criminalidade nos grandes centros, os bandidos procuram o campo para cometer seus crimes. Lá é difícil monitorar, mais fácil de fugir e o socorro demora mais para chegar. Essa realidade já mudou a vida de muitas famílias. Vítimas de assaltos constantes, muitos produtores passam o dia trabalhando e vão dormir na cidade, com medo que toda noite se repita uma história de horror. Isso representa mais um passo que distancia as famílias rurais do seu vínculo com a terra.

Goiás hoje está dividido em 17 Delegacias Regionais da Polícia Civil que registram as ocorrências de furtos e roubos no campo e repassam os dados à secretaria responsável. As unidades estão localizadas em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Cidade de Goiás, Luziânia, Itumbiara, Iporá, Rio Verde, Catalão, Uruaçu, Formosa, Porangatu, Posse, Jataí, Goianésia, Ceres e Águas Lindas de Goiás.

Em apenas nove dessas unidades foram registradas 1.124 ocorrências no último ano, e os dados gerais não foram repassados pela Secretaria da Segurança Pública e Justiça do Estado de Goiás, que não consideram os números seguros. Segundo a secretaria, há uma enorme quantidade de produtores que não registram Boletim de Ocorrência, o que impossibilita um mapeamento do estado segundo o nível de criminalidade de cada região, além da contabilização dos casos e a mensuração de fato a situação. Esse é outro problema que enfrentamos! Nossos produtores precisam acreditar no trabalho da polícia e colaborar para que ele ocorra. Sem que a ocorrência seja registrada, não conseguimos, sequer, saber quantos casos ocorreram em Goiás.

Comissão — Criada em 2006, a Comissão de Segurança Rural e Assuntos Fundiários da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) tem como objetivo intermediar as discussões entre os produtores e órgãos representantes da segurança em Goiás. Além disso, atua de forma preventiva, orientando as famílias do campo no combate à criminalidade e dando suporte nas questões de direito à propriedade. Nossas demandas não param por aí. Diariamente recebemos casos de produtores que foram vítimas de roubos e furtos nas propriedades. Em Rio Verde, por exemplo, no Sudoeste, os produtores, juntamente com o sindicato, uniram-se à polícia e estão participando, inclusive de grupos no Whatsapp, para atuação mais rápida. Lá, os produtores também foram para as ruas e, junto com três mil pessoas, protestaram contra a falta de segurança, em busca de melhorias.

Cartilha — Para levar adiante um trabalho em conjunto e auxiliar a polícia estadual, a Faeg e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) Goiás lançaram, no início deste ano, a Cartilha de Segurança Rural (veja quadros). O material foi produzido em parceria com Segurança Pública e Fundepec, e traz as principais orientações de segurança para quem vive no campo. Além disso, contém também os contatos das 17 Delegacias Regionais da Polícia Civil, 18 Comandos Regionais da Polícia Militar e dos mais de 130 Sindicatos Rurais.

O material contém ainda uma série de dicas e orientações para que o produtor se resguarde e saiba como agir em caso de furto e roubo. Além de participar de comissões de debate e consulta, essa foi mais uma alternativa prática e simples que encontramos de levar, por meio da informação, um pouco mais de segurança para quem vive no campo.

problema da segurança pública é mundial e sabemos que não se resolve somente com medidas pontuais. Entre outras políticas, precisamos de monitoramento eficaz das fronteiras internacionais, por onde entram armas e drogas, também de reforma na legislação criminal que garanta que bandidos sejam condenados e cumpram suas penas e, acima de tudo, precisamos criar oportunidades para todas as nossas crianças por meio da educação. Isto é o que o Poder Público tem a oferecer aos nossos jovens: a chance um futuro de sucesso. E, para isso, sim, o campo é o palco perfeito.


ROUBO EM RESIDÊNCIAS RURAIS

? Evitar ostentação de riquezas;

? orientar os funcionários a não fornecerem informações sobre a propriedade e seus proprietários a pessoas estranhas;

? evitar manter na fazenda muito dinheiro, mobília ou equipamentos caros;

? manter porteiras bem conservadas e, se possível, fechadas com cadeados (usar cadeado de segredo para evitar chaves);
? evitar manter de forma ostensiva na fazenda armas cobiçadas por criminosos (revólveres, pistolas, etc.);

? nunca deixar a fazenda abandonada (sem caseiro);

? procurar conhecer os funcionários e pessoas de suas relações;

? não comentar sobre grandes vendas (de gado, grãos, etc.);

? evitar colocar na estrada principal o nome do proprietário na placa que dá acesso à fazenda;

? construir a sede da fazenda longe da estrada (rodovia);

? possuir cachorro, ganso, galinha d’angola no terreno da sede (são excelentes vigias);

? estar sempre em contato com vizinhos de confiança;

? instalar alarme com chave de emergência na fazenda;

? fazer seguro residencial;

? em caso de assalto, não reagir e, se possível, procurar observar a fisionomia dos bandidos para facilitar um posterior reconhecimento e anotar as placas e características dos veículos usados no roubo;

? evitar carregar, sem segurança, dinheiro para o pagamento de funcionários na fazenda;

? manter escondido um celular na fazenda para emergências;

? manter controle sobre o patrimônio da fazenda, fazendo frequentes conferências;

? participar de associação dos produtores rurais (sindicatos, etc.);

? manter-se informado sobre a evolução da criminalidade na região;

? informar a polícia sobre situações suspeitas e denunciar todos os casos de assaltos ou furtos, ainda que de pequena monta.

Fonte: Faeg e Senar/GO


ROUBO DE VEÍCULOS E MÁQUINAS

? Utilizar garagens fechadas nas fazendas, evitando a exposição dos veículos a curiosos;

? manter as máquinas e os equipamentos agrícolas guardados em galpões fechados;

? fazer seguro do veículo e do maquinário agrícola;

? instalar mecanismos de segurança nos veículos e nas máquinas agrícolas (travas, chaves codificadas, alarmes, rastreadores, bloqueadores, etc.);

? manter sempre contato com os policiais da patrulha rural mais próxima;

? evitar deslocar-se com veículos e máquinas agrícolas durante a noite;

? evitar viajar sozinho;

? evitar a rotina de horários e itinerários;

? manter seus veículos sempre em boas condições, evitando as paradas na estrada (defeitos mecânicos, troca de pneus, etc.);

? não andar com documentos originais de seu veículo. Use sempre cópias autenticadas pela repartição de trânsito;

? evitar dar carona ou socorrer veículos de estranhos. Avise a polícia que há pessoas precisando de ajuda;

? comunicar a polícia sempre que se deparar com pessoas estranhas ocupando veículos e máquinas agrícolas dos proprietários que você conhece;

? evitar socorrer estranhos que estejam sinalizando defeito em seu veículo na estrada, especialmente à noite;

? durante a viagem, caso seja necessário falar ao telefone celular, procure sempre locais que permitam uma ampla visão, mantendo-se alerta à aproximação de estranhos;

? se perceber que está sendo seguido por outro veículo, aja com naturalidade, pare na fazenda mais próxima, em busca de socorro e avise a polícia;

? caso seja vítima de um acidente de trânsito que lhe pareça proposital, não pare para constatar danos, procure a fazenda mais próxima e peça socorro;

? manter em seus veículos e implementos agrícolas algumas particularidades que permitam uma identificação imediata caso sejam levados por bandidos;

? em caso de assalto, não reaja, a sua vida é muito mais importante do que os bens materiais.

Fonte: Faeg e Senar/GO


ROUBO DE INSUMOS

? Evitar manter na fazenda grandes estoques de defensivos e insumos agrícolas;

? quando a área de cultivo for consideravelmente extensa, de tal forma que o produtor necessite utilizar grande quantidade de defensivos, recomenda-se subdividir a área de cultivo de forma que o produtor possa buscar no revendedor apenas os defensivos necessários para área dividida. Isto evita o estoque na fazenda;

? adotar medidas para que pessoas estranhas nunca saibam da compra, transporte ou armazenagem de defensivos e insumos agrícolas em sua propriedade;

? a armazenagem na fazenda, quando for extremamente necessária, deverá ser feita em depósitos apropriados e que ofereçam um mínimo de segurança, ou seja, com grades, sistemas de alarmes, etc.;

? o transporte para a fazenda deverá ser realizado pela própria revendedora, que possui estrutura mais segura para tal feito ou mediante um esquema com segurança;

? caso o transporte tenha que ser feito pelo próprio produtor rural, recomenda- se a adoção de cautelas, durante o deslocamento, como a utilização de veículos apropriados e escolta, em casos mais complexos, com apoio da patrulha rural;

? em deslocamentos com carga de defensivos, recomenda-se manter a atenção voltada para qualquer veículo suspeito, comunicando à polícia qualquer anormalidade;

? sempre que estiver transportando tais produtos, é recomendável também manter familiares e funcionários de confiança informados sobre o início e o término de seu deslocamento.

Fonte: Faeg e Senar/GO