Circuito Tecnológico

 

Um RAIO-X da safra mato-grossense de soja

Os técnicos do Circuito Tecnológico Etapa Soja, da Aprosoja/MT, percorreram mais de 23 mil quilômetros em 56 municípios mato-grossenses para apurar o que os sojicultores estão empreendendo – e esperando – para a safra

Cristiane Bernini, analista de projetos da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) e coordenadora do Circuito Tecnológico Etapa Soja

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) tem como missão garantir a competitividade e a sustentabilidade dos produtores de soja e milho do estado. Para isso, leva informação aos produtores por meio de eventos, projetos e programas. Um deles é o Circuito Tecnológico Etapa Soja, evento que percorre as quatro regiões de Mato Grosso questionando os agricultores sobre diversos aspectos da safra. É um raio-x da safra.

Neste ano o projeto foi realizado entre os dias 19 e 30 de outubro. A expedição foi formada por oito equipes compostas por analistas da Aprosoja, Instituto Mato-gros- Fotos: Aprosoja sense de Economia Agropecuária (Imea), Agroconsult, pesquisadores da Embrapa, consultores e acadêmicos de agronomia (das faculdades da Unemat, Anhanguera, UFMT e IFMT).

As equipes percorreram 23,5 mil quilômetros em duas semanas nos 56 municípios do Mato Grosso, obtendo informação técnica, sobre o início de safra e perspectivas futuras do agronegócio. A expedição coletou 692 questionários técnicos, 63 boletas de campo, 424 amostras de sementes e 116 amostras de fertilizantes, batendo recorde de equipes e de coleta de questionários, e isso fez com que a expedição se destacasse como uma das principais do País.

Em breve, os resultados das amostras de sementes, fertilizantes e plantas daninhas coletadas em cada fazenda estarão prontos. Estão em fase de análise de vigor, germinação e fitossanidade, no caso das sementes. Nas amostras de fertilizantes, estão sendo verificadas as quantidades de formulados de cada produto e, nas plantas daninhas, diagnosticada a resistência em relação aos herbicidas.

Este é o sétimo ano de Circuito Tecnológico e, durante todas essas edições, a expedição buscou levar informações de interesse dos produtores, e entender suas necessidades para fazer seu negócio ser sustentável. Esse trabalho na “casa” do produtor fez com que o projeto fosse um dos pioneiros nessa busca das demandas do setor. Em 2009, eram apenas seis equipes e 300 visitas e, ao longo desses anos, colheu bons frutos como, por exemplo, a melhoria do manejo e produção da soja em Mato Grosso.

Por meio de um questionário técnico foram coletadas informações para o diagnóstico da safra. São feitas perguntas como estimativa de área cultivada com soja e milho, produtividade de grãos, manejo na propriedade, uso de insumos (fertilizantes, sementes e defensivos), incidência de pragas, doenças e nematoides, infraestrutura, gestão, mão de obra e cursos do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/MT). Diante isso, foi realizado o levantamento a campo da safra de 2015/16 no estado.

Com mais equipes a campo, novos caminhos foram descobertos e a expedição passou por propriedades que ainda não tinham sido visitadas pela Aprosoja. Os dados dos entrevistados apontaram que as Regiões Leste e Sul de Mato Grosso obtiveram os maiores índices de novas visitas. O Circuito visitou diversas fazendas, totalizando 1.120.269 hectares, o que representa 12% da área cultivada de soja em Mato Grosso (9.203.560 hectares), segundo o Imea. Dividindo por regiões, 39% das visitas foram no Norte, 25% no Oeste, 21% no Sul e 15% no Leste.

Sementes — Uma das coletas realizadas pelas equipes é a de sementes de soja. Dados da expedição indicaram que produtores das quatro regiões estão realizando o teste de germinação e vigor em sua propriedade ou por laboratório, para averiguação e posterior plantio em campo. Destacaram-se as Regiões Leste e Norte, com 88% e 84% dos entrevistados, respectivamente, realizando esses testes como rotina, seguidos do Oeste (78%) e do Sul (75%). A Aprosoja sempre ressalta que o produtor precisa verificar a condição da semente (qualidade) e discute a adequação das empresas em relação à taxa de germinação e vigor. Isso porque, em outras edições do Circuito Tecnológico, apresentaram-se amostras fora do padrão de qualidade, comprometendo o estande de plantas e, posteriormente, a produção final.

Os produtores de Mato Grosso escolhem cultivares de ciclo médio (67%), seguido da precoce (27%) e tardio (6%).

Considerando as regiões, foi observado na Oeste que esse número é semelhante entre as opções de ciclo precoce (42%) e médio (51%). A prática de integração lavourapecuária foi destacada por muitos produtores das Regiões Oeste (39%) e Leste (29%) como novo investimento para a próxima safra. Muitos produtores da Região Oeste de Mato Grosso vêm apostando nessa prática em áreas arenosas, o que contribui na fertilidade do solo, no controle de nematoides e no plantio da soja.

O Circuito Tecnológico está há sete anos em contato direto com o produtor, em conversas na sua propriedade, verificando in loco as demandas de cada um

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é um tema de destaque e muito debatido nos eventos da entidade. Os dados do Circuito Tecnológico Etapa Soja apontaram que nas Regiões Norte (53%), Leste (51,5%) e Oeste (51,3%) muitos produtores estão planejando utilizar a técnica em sua propriedade. Uma alternativa no controle de pragas iniciais da cultura, o tratamento de sementes surge como medida preventiva. Nessa coleta, 78% dos produtores entrevistados estão realizando tratamento na fazenda, seguido de 11% que optam por comprar sementes pré-tratadas e os outros 11% escolhem por ter a semente pré-tratada e tratar na fazenda, considerando os dados do estado.

Segurança e CAR — O programa de Gerência ao Combate ao Crime Organizado (GCCO) foi assunto de destaque no Circuito Tecnológico Etapa Soja, pois muitos produtores puderam conhecer e entender melhor a parceria da Aprosoja com a Polícia Civil em relação à segurança nas áreas rurais. Em 2015, segundo o levantamento, a Região Oeste teve o maior percentual de roubo/furto em propriedades rurais (18%), seguida da Sul (17%) e da Norte (13%). Esse programa é novidade para muitos produtores, considerando que apenas 28% dos entrevistados conheciam o GCCO.

O Circuito Tecnológico também verificou o andamento do Cadastro Ambiental Rural (CAR) nas propriedades. Nas visitadas, a maioria já apresenta esse item cadastrado e protocolado – 90% das fazendas estão regularizadas em Mato Grosso, com destaque para as Regiões Oeste (95%) e Sul (91%). Em relação à fiscalização ambiental e/ou trabalhista, os produtores que mais receberam algum órgão em sua propriedade estão nas Regiões Oeste (81%) e Sul (72%), principalmente (dados não apresentados).

Soja Plus — O programa Soja Plus foi destacado pelas equipes do Circuito Tecnológico Etapa Soja, o que contribuiu com o aumento de produtores ingressando no programa de melhoria contínua nas propriedades rurais. Isso resultou em 78% dos entrevistados interessados em participar. Foi destacado que 48% dos entrevistados conhecem o programa Soja Plus, especialmente nas Regiões Leste e Sul. Com os resultados das pesquisas e análise feitas em campo, a Aprosoja poderá identificar demandas de novos projetos ou mesmo para reiterar demandas já conhecidas do agricultor, como a fiscalização da qualidade das sementes de soja.

São sete anos de contato com o produtor, de conversas em campo, verificando in loco as demandas de cada um. Dessa forma, a Aprosoja busca se aproximar ainda mais do seu associado e cumprir sua missão de levar informação para o campo e, assim, ajudar na tomada de decisões para um agronegócio mais sustentável para Mato Grosso.