Forum ABAG

Desafios para o CRESCIMENTO

O Fórum Protagonismo do Agronegócio Brasileiro, realizado em Porto Alegre pela Abag, em parceria com A Granja, debateu a importância estratégica do agronegócio para a economia

Os desafios e os rumos do setor que responde por 25% do PIB nacional foram debatidos no mês passado no Fórum Protagonismo do Agronegócio Brasileiro. Realizado em Porto Alegre, na sede da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul), o evento foi promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), em parceria com a revista A Granja.

O momento complicado da economia e da política foi abordado pelo economista Sérgio Vale, analista da MB Associados. Na avaliação dele, o cenário não é otimista, já que a perspectiva indica um prolongamento da recessão nos próximos anos, lembrando que o País enfrenta consumo em desaceleração, investimentos em queda, alta taxa de desemprego e baixos índices de popularidade da presidente Dilma Rousseff. “A conjuntura só poderá ficar diferente se houver uma mudança consistente na política”, resumiu.

Vale argumentou que a queda na atividade produtiva não tem relação com o agronegócio, que vem crescendo de forma expressiva. “Para esse resultado se refletir na economia de uma forma geral, precisamos de reformas, caso contrário, no curto prazo, o grau de deterioração vai acontecer em ritmo acelerado”, avaliou.

Na sua palestra, o sócio do Demarest Advogados, Renato Buranello, defendeu que há espaço para uma maior compreensão dos mecanismos do agronegócio para minimizar a insegurança jurídica no setor. O especialista ainda ressaltou que as ligações entre os agentes da cadeia produtiva dependem de relações financeiras e mencionou a importância de investimentos e de novas fontes de financiamento. “O agronegócio ainda é visto como um setor de grande risco, o que provoca restrições de crédito em momentos de dificuldades como esse”, concluiu. “A cadeia produtiva precisa de maior prazo, menor custo e maior previsibilidade”, acrescentou.

Reformas de Estado — Na apresen- Rosimeri Gonçalves Boningsegna tação que encerrou o fórum, o presidente da Abag, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, destacou a importância estratégica do agronegócio, observando que os agentes do setor trabalham para manter a lógica que alia competência com produtividade. “Mesmo com os problemas enfrentados, o agronegócio consegue segurar o resultado da balança comercial do País”, afirma.

Atualmente responsável por 40% das exportações e por 30% dos empregos, o agronegócio pode colocar o Brasil, em dez anos, no posto de principal exportador de alimentos. “Para alcançarmos esse protagonismo, precisamos trabalhar a produtividade em conjunto com a sustentabilidade, com as melhorias logísticas, com a orientação ao mercado e com o maior acesso ao crédito”, declarou o presidente da Abag. Carvalho também mencionou as preocupações que surgem com o momento de desequilíbrio econômico. “Precisamos de reformas de Estado, da previdência e da política”, salientou.