Glauber em Campo

 

BIOCOMBUSTÍVEIS, UMA SOLUÇÃO ENERGÉTICA E ECONÔMICA PARA O BRASIL

GLAUBER SILVEIRA

Participei do oitavo Congresso Nacional de Bioenergia realizado em Araçatuba/SP, onde se debateu profundamente o futuro do setor sucroenergético exatamente quando o Programa Nacional de Álcool (Proálcool) completa 40 anos. Todos os que participaram tiveram a certeza da crise que vem assolando o setor. Claro que vários fatores são responsáveis pela quantidade de usinas que deixaram de produzir nos últimos anos, mas fica claro que a principal dificuldade vem da política equivocada do Governo Federal em subsidiar a gasolina.

O Governo compra gasolina cara e vende barato, isto fez com que a Petrobras perdesse seus ativos e o setor sucroalcoleiro entrasse em dificuldade. Afinal, o preço do álcool é atrelado ao da gasolina, e a manutenção do preço baixo da gasolina faz com que o preço do álcool seja comercializado a preços que não remuneram a atividade. Com isso, várias usinas, principalmente as menores, não tiveram competitividade. A certeza desse erro governamental vem agora quando, por dificuldades econômicas, o Governo Federal, ao reajustar o preço da gasolina, deu fôlego e as usinas de cana voltam a respirar e pensar em crescer.

Neste ano de 2015, os números do setor são os seguintes: gasolina nacional, 29 bilhões de litros; gasolina importada, 5 bilhões de litros; álcool anidro (que é adicionado à gasolina), 12 bilhões de litros; e álcool hidratado, 13 bilhões de litros. Para 2026, o Ministério de Minas e Energia prevê os seguintes números: gasolina nacional, 29 bilhões (apesar do dito pré-sal); gasolina importada, 26 bilhões de litros; álcool anidro, 20 bilhões; e álcool hidratado, 10 bilhões.

Como podemos observar, o que cresce no nosso País é a importação de gasolina, algo que não contribui em nada para a geração de empregos e distribuição de renda. No etanol, teremos crescimento apenas para atender a demanda de anidro que é adicionado na gasolina. Perdemos produção de álcool hidratado. Sendo assim, nosso País perde uma grande oportunidade em produzir etanol para suprir a demanda de importação de gasolina. É nesse sentido que as discussões tomaram conta do Congresso de Bioenergia.

O etanol de milho passa a ser uma oportunidade principalmente para as usinas flex.

Afinal, o investimento é de apenas 30% em relação ao necessário para se ampliar a produção de etanol de cana. Ou seja, qualquer usina, para dobrar sua produção, investiria apenas 30% do recurso necessário para produzir etanol de milho em detrimento do de cana. Sem falar que não é necessário ampliar nenhum hectare de cana, que tem um custo em torno de R$ 7 mil reais por hectare.

Gostei de ouvir dos líderes desse setor que todo usineiro pode até olhar de atravessado para o etanol de cereais, mas está fazendo suas contas. Afinal, ficou claro no congresso que o etanol de milho é um importante aliado para suprir a necessidade de crescimento do biocombustível na matriz energética nacional, pois a demanda está posta. O Brasil, se não aumentar a produção de etanol hidratado, terá a necessidade de importar de 2 bilhões a 3 bilhões de litros de gasolina a cada ano. E isso a que custo para nosso País e para o consumidor?

A tão discutida demanda de etanol e a viabilidade das usinas flex já estão superadas e comprovadas. Nos próximos dez anos ou crescemos a produção de etanol ou importamos 26 bilhões de litros de gasolina ao ano, que na atual política energética significa prejuízos de R$ 26 bilhões ao ano para os cofres do Governo e não agrega nada. A discussão agora é sobre as políticas de incentivo ao etanol de milho e outros cereais.

A sociedade a todo momento cobra do agronegócio a agregação de valor, e agora surge com o etanol de milho uma grande oportunidade de suprirmos a demanda futura de combustível. Milho que está sobrando e sendo vendido a preços baixos para o mundo. A oportunidade bate à porta dos produtores e do Governo, afinal, muitas indústrias serão criadas, florestas serão plantadas, milhares de empregos gerados e, o mais importante, teremos um combustível sustentável e uma distribuição de riqueza fantástica. Mas para isso se tornar realidade precisamos de políticas públicas que tragam segurança aos investidores. E espero que elas venham o mais rápido possível.

Presidente da Câmara Setorial da Soja, diretor da Aprosoja e produtor rural em Campos de Júlio/MT