Agribusiness

 

CAFÉ

ATENÇÕES DO MERCADO MUNDIAL AO CLIMA NO BRASIL E AO CÂMBIO

Lessandro Carvalho - lessandro@safras.com.br

O mercado internacional de café teve um mês de outubro (até o dia 21) de volatilidade ampliada pelos fatores fundamentais e cambiais. Nos fundamentos, o mercado está muito atento ao clima nas regiões cafeeiras, que estão em época de abertura de floradas e de “pegamento” dessas, que vão resultar na safra de 2016. É preciso um regime regular de chuvas e até as primeiras semanas de outubro isso não vinha acontecendo, o que mudou adiante. No câmbio, depois de superar R$ 4, o dólar recuou, e isso também tem relevância decisiva já que o dólar valorizado estimula ainda mais as exportações.

Se até quase a metade de outubro os preços foram sustentados pela falta de chuvas no cinturão cafeeiro do Brasil, as indicações de que a umidade voltaria na segunda parte do mês derrubaram os preços nas bolsas. NY avançou a uma máxima de 137,60 centavos de dólar por libra-peso no contrato dezembro do arábica, atingida em 12 de outubro, quando o mercado estava bem preocupado com o clima. Depois, com previsão de chuvas, houve a perda de terreno e o mercado ficou quase no zero-a-zero no balanço mensal no dia 21 de outubro, quando dezembro fechou a 121,05 centavos.

O dólar é outro ingrediente ativo da volatilidade nas bolsas. Quando o dólar avança, leva ao mercado o sentimento de ainda mais força para o Brasil exportar, e mais café brasileiro exportado resulta em preço mais baixo na bolsa. O movimento contrário também é imediato: se o dólar cai, a bolsa tende a melhorar a cotação. No mercado brasileiro, houve a sustentação dos preços, principalmente dos cafés de melhores bebidas, arábicas, com o produtor segurando a oferta. Os cafés melhores voltaram ao importante patamar psicológico de R$ 500/saca, para mais.


ARROZ

MERCADO GAÚCHO SEGUE COM PREÇOS FIRMES

Rodrigo Ramos - ridrugi@safras.com.br

O mercado gaúcho de arroz, principal referencial nacional, voltou a registrar preços mais altos ao final da primeira quinzena de outubro. A cotação voltou a subir, com a saca de 50 quilos do grão de qualidade 58/62% sendo comercializada a uma média de R$ 40,17.

Confrontada com igual período de setembro – R$ 36,63, havia ganho de 9,6%. Na comparação com o mesmo momento de 2014, era verificada uma alta de 11%, quando o valor registrado era de R$ 36,20. O primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra brasileira 2015/16 indica produção entre 11,961 milhões e 12,216 milhões de toneladas, o que representa um decréscimo de 3,9% a 1,9% sobre as 12,448 milhões de toneladas de 2014/15.

A área plantada com arroz na temporada 2015/16 foi estimada de 2,220 milhões a 2,271 milhões de hectares, ante 2,295 milhões semeados na safra 2014/15. A produtividade foi estimada em 5,383 mil quilos por hectare, inferior em 0,8% aos 5,424 quilos na temporada passada. O Rio Grande do Sul, principal produtor, deve ter uma safra de 8,106 milhões a 8,249 milhões de toneladas, um recuo de 6% a 4,4%.

A área prevista é de 1,080 milhão a 1,099 milhão de hectares, perda de 3,5% a 1,8% ante os 1,120 milhão de 2014/15, com rendimento esperado de 7.500 quilos por hectare, ante 7.700 quilos. Em Santa Catarina, segundo produtor, a produção deverá totalizar de 1,092 milhão a 1,110 milhão de toneladas, ante 1,057 milhão na safra 2014/15. Para o Mato Grosso, a Conab está estimando uma safra de 591,3 mil a 609,8 mil toneladas, ante 612,6 mil toneladas em 2013/14.


SOJA

USDA CORTA ESTIMATIVAS DE SAFRA, ESTOQUES E ÁREA COLHIDA DOS EUA

Dylan Della Pasqua - dylan@safras.com.br

O relatório de outubro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) confirmou as expectativas do mercado e reduziu as projeções de área colhida, produção e estoques finais dos Estados Unidos em 2015/16. A safra norte-americana está estimada em 3,888 bilhões de bushels, enquanto o mercado apostava em 3,884 bilhões. O Usda indicava em setembro produção de 3,935 bilhões de bushels.

Os estoques ficaram estimados em 425 milhões de bushels, enquanto o mercado esperava 398 milhões. No relatório anterior, a previsão era de 450 milhões de bushels. Para 2014/15, o Usda reduziu a sua estimativa de 210 milhões para 191 milhões de bushels. Segundo o Usda, as exportações em 2015/16 deverão somar 1,575 bilhão de bushels, contra 1,725 bilhão de setembro. O esmagamento está projetado em 1,88 bilhão, contra 1,87 bilhão do ano anterior.

A área colhida foi cortada de 83,5 milhões de acres para 82,4 milhões. O mercado esperava uma redução para 82,9 milhões de acres. O relatório projetou safra mundial em 2015/16 de 320,49 milhões de toneladas. No relatório anterior, o número era de 319,61 milhões. Os estoques finais foram elevados de 84,98 milhões de toneladas para 85,14 milhões, acima do esperado pelo mercado, de 84,6 milhões. A projeção do Usda aposta em safra americana de 105,81 milhões de toneladas. Para o Brasil, a previsão é de uma produção de 100 milhões de toneladas, enquanto a safra argentina deverá ficar em 57 milhões de toneladas. A China deverá importar 79 milhões de toneladas.

O mercado brasileiro mantém preços em patamares elevados. O principal fator de sustentação continua sendo o câmbio. O dólar comercial aproximase da casa de R$ 4, dando competitividade. As importações de soja em grão da China totalizaram 7,255 milhões de toneladas em setembro, com ganho de 44,27% sobre igual mês de 2014. O Brasil liderou as vendas para a China no mês, com 5,13 milhões de toneladas e alta de 52,26% sobre o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, as compras da China no Brasil somam 33,04 milhões de toneladas,alta de 10,4%. Os Estados Unidos venderam apenas 201 toneladas no mês. No acumulado do ano, os americanos já venderam 17 milhões de toneladas para a China, recuo de 1,88%. A Argentina exportou 1,62 milhão, com aumento de 65,3%. No ano, foram embarcadas 6,2 milhões, como alta de 50,2%.


ALGODÃO

MERCADO TEM VOLUME REDUZIDO DE NEGÓCIOS

Rodrigo Ramos - ridrugi@safras.com.br

O mercado brasileiro de algodão encerrou a primeira quinzena de outubro com reduzido volume de negócios. Com o dólar próximo a R$ 3,80, os preços internos aproximavam-se da paridade de exportação e limitavam uma manutenção da tendência de recuperação. A baixa disponibilidade de produto de boa qualidade era outro ponto apontado pela indústria. Os produtores com fibra de boa qualidade vinham se mostrado reticentes em negociar, apostando em momentos mais atrativos para comercializar. No Cif de São Paulo, a fibra 41.4 valia R$ 2,35 a libra-peso no dia 15, o que correspondia a uma alta de 1,29% em 30 dias e de 42,42% quando comparado ao mesmo momento do ano anterior.

A safra brasileira em pluma na temporada 2015/16 está estimada entre 1,529 milhão e 1,564 milhão de toneladas, recuo de 0,2% a alta de 2,1% na comparação com 1,532 milhão indicadas na safra 2014/ 15. Os números fazem parte do primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2015/ 16. A produtividade está estimada em 1.540 quilos de pluma por hectare, ante 1.507 quilos na temporada 2014/15. A área plantada na temporada está estimada de 993,5 mil a 1,016 milhão de hectares, retração de 2,3% a 0,1% na comparação com os 1,017 milhão de hectares da safra passada.

O Mato Grosso, principal produtor, deverá colher uma safra de algodão em pluma de 885,1 mil a 902,7 mil de toneladas, números que representam um avanço de 1,7% a 3,8% ante 2014/15, quando foram produzidas 1,005 milhão de toneladas. A Bahia, segundo maior produtor, deve colher entre 434,4 mil e 448,8 mil toneladas de pluma, retração de 4,1% a 1% sobre 2014/15 (453,2 mil toneladas). Goiás deverá ter uma safra 2015/16 de 57,6 mil a 58,7 mil toneladas, com acréscimo de 0,9% a 2,8% sobre 2014/15 – 57,1 mil toneladas.


MILHO

PRAZO PARA PLANTIO DA SAFRINHA COMEÇA A FICAR AJUSTADO

Arno Baasch - arno@safras.com.br

O mercado brasileiro de milho chegou à segunda metade de outubro atento às previsões de chuvas em boa parte do País, necessárias para um cultivo rápido da soja de modo a preservar uma boa janela de plantio para a safrinha de milho 2016. De acordo com o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, o ritmo de chuvas está acima do normal na Região Sul, favorecendo o cultivo de soja precoce, mas está atrasado em parte do Sudeste, do Centro-Oeste e do Centro-Norte, em decorrência do fenômeno El Niño. “Um atraso demasiado de chuvas nessas regiões, combinado com temperaturas elevadíssimas, acaba limitando o plantio da oleaginosa e trazendo risco às lavouras plantadas no pó, que talvez tenham de ser replantadas”, avalia.

O analista alerta que a safrinha 2016 precisará de uma produção recorde novamente, a exemplo deste ano, para suprir a discreta safra prevista no verão e o alto volume de milho que já foi comprometido com a exportação no próximo ano.

“Por enquanto, não se pode afirmar que há qualquer prejuízo para a safrinha 2016, mesmo que possa existir algum atraso potencial para o plantio no Centro-Oeste, com chuvas previstas para o fim de outubro, e para o Centro-Norte, que pode sofrer com limitações de precipitações ao longo de novembro, segundo a meteorologia.

Podemos afirmar apenas que Minas Gerais passa a ser um ponto de risco tendo em vista o atraso demasiado das chuvas”, informa. Em termos de comercialização, Molinari afirma que após as fortes altas de preço registradas no Brasil em setembro, com a desvalorização do real e as oportunidades de exportação, o câmbio mostra-se mais estabilizado em outubro.

Mesmo assim, o milho brasileiro ainda segue extremamente competitivo no cenário internacional, “Não há motivos para uma retração de preços no mercado interno neste momento”, conclui.


TRIGO

CHUVAS NO SUL PREJUDICAM LAVOURAS E ATRAPALHAM COLHEITA

Gabriel Nascimento – gabriel.antunes@safras.com.br

O mercado brasileiro de trigo segue preocupado com o clima no Sul. Conforme o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, as chuvas que atingiram a principal região de produtores do País, sobretudo o Rio Grande do Sul, provocaram perdas e atrasaram os trabalhos de colheita.

Os preços do grão, mesmo de baixa qualidade, começam a subir devido à redução da produtividade das lavouras. Segundo a meteorologia, novas chuvas devem atingir o RS, o que pode agravar ainda mais o quadro atual. Segundo a Emater/RS, a cultura no estado encontrava-se na segunda quinzena de outubro nas fases de enchimento de grãos, maturação e início de colheita. O padrão das lavouras é regular e o clima atual, extremamente desfavorável à cultura.

As geadas do começo do mês e o excesso de chuvas dos últimos dias prejudicaram as lavouras, propiciando boas condições para a instalação de doenças fúngicas. As primeiras lavouras vão sendo colhidas nas Regiões da Fronteira Noroeste, do Celeiro e do Noroeste Colonial.

Os grãos semeados no cedo desenvolveram-se satisfatoriamente e garantiram um produto de regular a boa qualidade. Na Fronteira Noroeste, os números iniciais apontam uma grande variação de produtividade, de 35 a 60 sacas por hectare. A qualidade pode ser considerada boa, entretanto, com o retorno das precipitações, não foi possível dar continuidade aos trabalhos.

“No Paraná, a situação é mais amena, visto que o estado sofreu menos com as chuvas, pois a colheita do cereal começa mais cedo. A qualidade do grão atendeu a demanda do mercado interno, entretanto, é importante destacar que as lavouras que estão sendo colhidas por último podem apresentar uma qualidade inferior”, analisa Pinheiro.

“No Norte do estado, a colheita já foi encerrada, e a qualidade do trigo que foi colhido é satisfatória. Já o ritmo de negócios é baixo, visto que os principais compradores encontramse em um congresso internacional, e durante esse período o mercado deve se manter estável”.

A Argentina deverá ter um saldo para exportação entre 4 milhões e 5 milhões de toneladas. A previsão foi feita pelo presidente da Associação Latino-Americana das Indústrias de Trigo, Diego Cifarelli. A safra em 2015 deve ser uma das piores da história, estimada em 9,5 milhões de toneladas.

Com os estoques de 3 milhões da safra anterior, a previsão é de uma oferta total de 12,5 milhões de toneladas. Com a expectativa de reservas de 2 milhões, sobraria para o País uma disponibilidade entre 4 milhões e 5 milhões de toneladas.