Soja

 

O que esperar da adubação FLUÍDA

A indústria de implementos agrícolas tem evoluído e atualmente disponibilizado equipamentos que atendem as necessidades dos produtores para adubação fluída

Técnica de adubação mostra-se mais prática ao realizar a aplicação do fertilizante de forma líquida e no sulco de plantio

Engenheiro agrônomo, doutor, Claudinei Paulo de Lima, professor e coordenador do curso de Agronomia nas Faculdades Integradas de Ourinhos/SP e professor do curso superior de Tecnologia em Agronegócios da Fatec Ourinhos

A soja é a cultura agrícola brasileira que mais cresceu nas últimas três décadas e corresponde a aproximadamente 30 milhões de hectares de área plantada, tornando o Brasil o segundo produtor mundial. O grão é Fotos: Nutriceler componente essencial na fabricação de rações animais e com uso crescente na alimentação humana. O aumento da produtividade está associado aos avanços tecnológicos, ao manejo e à eficiência dos produtores. Atualmente, a cultura recebe investimentos em desenvolvimento de tecnologia. E a busca por novos produtos para aumentar a produtividade é constante e vem evoluindo graças à pesquisa realizada pelos setores público e privado. As maiores produtividades sempre são almejadas pelos produtores, mas, sem dúvida, para aumentar a rentabilidade, é importante a redução dos custos de produção.

Os fertilizantes líquidos ainda melhoram o desenvolvimento radicular da soja, estimulam a atividade dos microrganismos e potencializam o efeito dos inoculantes

As Boas Práticas para Uso Eficiente de Fertilizantes (BPUFs) estão em destaque nos últimos anos para aumentar a produção de alimentos de forma economicamente viável e manter a integridade ecológica dos sistemas. O fundamento dos 4C seria aplicar a fonte certa, na dose certa, na época certa e no lugar certo para o manejo sustentável da nutrição das plantas e para o aumento da produtividade das culturas. As BPUFs destinam-se ao propósito de adequar a oferta de nutrientes às necessidades da cultura e a minimizar as suas perdas no campo.

O uso de fertilizantes solúveis em água, porém, de custo elevado, em solos da região tropical que possuem elevada capacidade de fixação de fósforo leva a grandes perdas desse elemento no que diz respeito à disponibilidade para as plantas cultivadas. Por ser o fósforo um dos elementos de menor taxa de recuperação imediata pelas plantas é necessária a otimização das fontes fosfáticas, especialmente em solos de elevada capacidade de fixação, que são característicos no Brasil.

A disponibilidade de potássio, assim como a capacidade de suprimento desse nutriente pelo solo, depende das argilas, da aplicação de fertilizantes e da capacidade de troca catiônica do solo, capacidade de retenção dos nutrientes. O potássio pode passar do local de armazenamento no solo para o local onde estará disponível para a planta rapidamente, fazendo com que seja possível a ocorrência de perdas por lixiviação, carregamento do nutriente em profundidade, saindo do alcance das raízes.

O manejo nutricional da soja está em pleno desenvolvimento e tem absorvido novas tecnologias. A cada dia os produtores têm à disposição produtos mais eficientes, que trazem grande avanço para a agricultura. Da mesma forma, a indústria de implementos agrícolas tem evoluído e atualmente disponibiliza equipamentos que atendem as necessidades dos produtores. Um fator importante no momento da semeadura é a distribuição da dose correta dos fertilizantes, que por mais que as semeadoras/adubadoras tenham evoluído ainda fica abaixo do esperado pelos produtores e dependem do operador, que precisa acompanhar de perto a calibragem e checar constantemente a vazão. E isso fica ainda mais complicado quando se trata de micronutrientes, pois seu volume é ainda menor e qualquer variação da dosagem resulta em alteração da produtividade.

Uma alternativa para melhorar a precisão da distribuição dos fertilizantes é a utilização de fertilizantes fluídos na semeadura, que se tornou possível graças a empresas que estão desenvolvendo equipamentos com eficiência. Para a aplicação do fertilizante fluído no sulco de plantio é necessária a instalação de dois tanques, normalmente de 300 litros cada, além da fixação dos bicos e da mangueira para a condução do fertilizante entre os discos da semente e do facão do adubo. Para a adubação fluída entrar em destaque no cenário de produção de grãos é necessário investir no fertilizante e em pesquisa para definir as melhores fontes, doses e posicionamento do produto.

Projeto Pioneiros — Uma iniciativa, o Projeto Pioneiros, lançado pela empresa Nutriceler, inspirado nas técnicas norte-americanas de produção e que teve início no Sudoeste do estado de São Paulo na safra 2013/2014, faz aplicação dos fertilizantes fluídos no sulco de plantio. O projeto foi ampliado na safra 2014/ 2015, e contou com agricultores dos estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Goiás, em mais de 3 mil hectares plantados, e, em função do sucesso, o objetivo é ampliar a área plantada com fertilizantes fluídos na safra 2015/2016. A média registrada entre as áreas tratadas com o mix recomendado foi de 15% de aumento de produtividade.

A possível explicação para os ganhos de produtividade obtidos pelos agricultores nas diferentes regiões de produção de soja está associada aos produtos utilizados, que além de fornecer fósforo e potássio, contêm substâncias húmicas, aminoácidos e extratos de algas que promovem desenvolvimento inicial acelerado às plantas, denominado arranque. Além disso, melhoram o desenvolvimento radicular, estimulam a atividade dos microrganismos e potencializam o efeito dos inoculantes.

Outro fato que tem deixado os agricultores bastante otimistas com o mix de fertilizantes fluídos é que a operação de plantio é mais rápida, rende mais em função da redução da mão de obra, menor número de reabastecimento, redução do espaço de armazenamento dos fertilizantes e entrega rápida. Tudo isso em função do baixo volume utilizado.

Segundo especialistas da área de mecanização e agricultura de precisão, o tema fertilização fluída vem despertando interesse para se realizar pesquisas com equipamentos de aplicação à taxa variável, utilizando- se equipamentos com multicanais, que possibilitam a aplicação simultânea de fertilizantes, inseticidas, fungicidas e biológicos nas doses recomendadas e sem misturas de tanque. Pesquisas têm demonstrado que a técnica de adubação fluída e o desenvolvimento de fertilizantes especiais fluídos têm um futuro promissor como uma ferramenta para o agricultor reduzir custos e perdas de nutrientes e aumentar a produtividade.