Notícias da Argentina

PLANTIO DIRETO

Incrivelmente o Governo tentou culpar o plantio direto pelos problemas causados pelas inundações ocorridas na província de Buenos Aires e no Sul do país com a intenção de esquivar-se das responsabilidades pelas obras não realizadas para evitar as perdas que ocorrem a cada novo El Niño. Contrariados com a afirmação, os representantes da Associação Argentina de Produtores em Plantio Direto (Aapresid) solicitaram uma reunião com o chefe de gabinete dos ministros, Aníbal Fernández, para explicar os benefícios dessa prática conservacionista, cujos resultados são totalmente opostos aos que foram propagados pelo Governo. Voltando 30 anos atrás, a Aapresid informou que o plantio direto é um sistema que permite maior absorção e armazenamento da água no solo e, portanto, ajuda a prevenir as inundações.


TRIGO

A Bolsa de Cereais de Buenos Aires manteve em 3,7 milhões de hectares a área plantada com o cereal, mas ainda reconhece que a área em risco é muito importante. A Bolsa de Comércio de Rosário acredita em não mais do que 3,4 milhões de hectares.


SOJA

É significativa a incerteza que ronda todos os cultivos de primavera, considerando os baixos preços internacionais e o permanente incremento dos custos. Não será surpreendente se houver uma queda na área dedicada à oleaginosa.


LEITE

O preço do leite pago aos produtores não melhorou. O litro vale US$ 0,34 (dólar oficial) e US$ 0,21 (dólar paralelo). As dificuldades internas somam-se à queda nos preços internacionais do produto.


CARNE

Em média, o novilho no Mercado de Liniers é cotado em torno de US$ 1,90 o quilo vivo (dólar oficial) ou US$ 1,13 (dólar paralelo). Os preços mantêm-se estáveis nas últimas semanas.


FRUTICULTORES SOFREM COM OS CUSTOS

Os produtores de frutas do Sul argentino estão com tantos problemas como os do restante do país. Já está difícil a produção pelos elevados custos. E a essa dificuldade soma-se o crescimento da importação de maçãs do Chile. Na região de Rio Negro e Neuquén, há milhares de árvores rodeadas de maçãs e peras que deveriam ter sido colhidas há meses, mas que acabaram perdidas na terra. A estimativa é de que a queda na produção tenha sido em torno de 25% sobre o que era esperado, já que os custos superaram em muitas vezes o que os produtores poderiam pagar. O mesmo ocorre com as indústrias, abarrotadas de frutas que não podem ser vendidas porque o Brasil vem reduzindo as compras em função dos problemas econômicos.


POUCO PARA O PRODUTOR

Segundo o Índice de Preços em Origem e Destino (Ipod) elaborado pelo Departamento de Economias Regionais da Confederação Argentina da Média Empresa (Came) para uma cesta de 20 alimentos agropecuários, em agosto, a diferença entre o preço pago pelo consumidor na gôndola superou em 8,01 vezes o que recebe o produtor no campo. E, em alguns casos, a situação é ainda pior: pela uva de mesa, o consumidor pagou 48,9 vezes mais do que recebeu o produtor. Para a Came, “a grande diferença entre o preço de origem e o preço de destino é um reflexo das distorções que tanto prejudicam os produtores. No caso de produtos que não têm sazonalidade, as diferenças são ainda mais injustificáveis”.