Congresso de Fertilizantes

 

SOLOS: pilares da segurança alimentar

O 5º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, promovido pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), reuniu especialistas em solo e adubação

George Bonifácio e Sousa, da Anda: o evento se realiza num momento de grande incerteza econômica e política do País

Com o tema Solos e Fertilizantes, Pilares da Segurança Alimentar Global, foi realizado no final de agosto, em São Paulo, o 5º Congresso Brasileiro de Fertilizantes. Promovido pela Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda), o evento reuniu os maiores especialistas no tema, além de autoridades públicas e lideranças do agronegócio. Conforme disse o presidente do Conselho de Administração da Anda, George Bonifácio e Sousa, o evento realizou- se em um momento de grande incerteza econômica e política do País, o que torna ainda mais urgentes as reivindicações do setor, assim resumidas: uma política adequada de seguro agrícola, melhor infraestrutura de logística, estratégia adequada de acordos comerciais com países relevantes e uma ampla reforma trabalhista que levem em conta as peculiaridades do agronegócio.

O cientista Paul Fixen, vice-presidente sênior do International Plant Nutrition, proferiu a palestra “Solos, Fertilizantes e Segurança Alimentar” e destacou a importância das boas práticas com o manejo do solo para assegurar o constante aumento de produtividade, incremento necessário para garantir alimentos para o mundo. “Isso será cada vez mais fundamental, pois a estimativa é de que o mundo tenha de produzir nos próximos 50 anos a mesma quantia de alimentos que já foi produzida ao longo da História, desde que o homem desenvolveu a agricultura”, argumentou.

Fixen salientou ainda que estudos indicam que fazendas com uma gestão adequada dos solos permite aumentar em até 58% a produção de alimentos. “Infelizmente, boa parte dos países não tem cuidado bem dos solos, uma vez que nada menos que 40% deles estão degradados”, informou. Segundo Fixen, em algumas regiões da África, essa degradação atinge a marca de 65%. “Estima-se que metade dos solos agriculturáveis no mundo foram perdidos nos últimos 150 anos”, completa. Ainda segundo ele, de 40% a 60% da produção mundial de alimentos depende do uso de fertilizantes. “O que temos de fazer hoje é lançar mão de toda a tecnologia ao nosso dispor para fazer uma adubação cada vez mais eficiente, quase que adaptada a cada planta, de forma a aumentar a produtividade sem desperdiçar insumos e, ao mesmo tempo, evitar impactos ambientais decorrente de adubação excessiva e desnecessária”, concluiu.

O painel “Solo, Fertilizantes e Agrossociedade” foi ministrado por José Luiz Tejon, diretor do Núcleo de Estudos de Agronegócio da ESPM, que destacou que, pela rápida transformação pela qual passa o planeta, o agronegócio demanda um novo posicionamento de todo o mercado. “Precisamos aprender a conversar com o cliente de nosso cliente, que é o consumidor final. Não podemos mais manter o nível de informação apenas dentro da cadeia”, afirmou. Um exemplo dessa mudança é que o consumidor final está cada vez mais atento com o que ele consome em termos de alimentos e, com isso, vem crescendo a importância em conhecer a origem do alimento consumido, de como é seu processamento, e se ele é sustentável. Por isso, atualmente, as companhias estão atentas para levar a informação para seu cliente.

Nutrientes para a vida — A Anda anunciou o lançamento de uma plataforma digital que reunirá informações sobre os vários aspectos relativos ao setor de fertilizantes. Denominado Nutrientes para a Vida, o site, que já existe nos Estados Unidos, pretende ser uma fonte de informações para levar os conceitos corretos da indústria de fertilizantes que levem em conta aspectos econômicos, sociais, tecnológicos e também de sustentabilidade. Os dirigentes da entidade enfatizaram também que o segmento reforça seu compromisso de continuar a suprir adequadamente a demanda brasileira por fertilizantes na atual safra.