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Propriedade administrada como um NEGÓCIO

Iniciativa inovadora do Senar propicia a assistência técnica e gerencial a 13 mil pequenos e médios produtores de 18 estados, que recebem orientações tecnológicas e consultoria de gestão

Engenheiro Agrônomo Daniel Kluppel Carrara, secretário executivo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar)

O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo. Nossa agricultura e nossa pecuária avançaram junto com a ciência e a tecnologia. Mas a inovação precisa chegar a todos os brasileiros. A extinção da Embrater, a Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural, em 1990, concentrou o conhecimento entre os grandes produtores rurais e deixou órfãos os médios e pequenos, que não conseguem acompanhar todos os avanços proporcionados pela pesquisa e a tecnologia. O Censo Agropecuário 2006 (IBGE) demonstrou que 4,7 milhões de propriedades rurais produzem sem o mínimo de apoio para o aumento da produtividade e que apenas 9,32% delas receberam algum tipo de assistência técnica e extensão rural.

Essa realidade levou o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que há mais de 23 anos contribui para o crescimento da nossa agropecuária levando formação profissional e promoção social ao campo, a assumir o compromisso de implantar uma metodologia nacional de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) direcionada, principalmente, aos pequenos e médios produtores que não têm acesso a novas tecnologias. O modelo idealizado pelo Senar tem foco na adequação tecnológica associada à consultoria gerencial, que prioriza a gestão da atividade de forma eficiente e, com isso, permite mudanças efetivas no ambiente das empresas rurais.

1. Diagnóstico produtivo individualizado: quando são levantadas informações produtivas, ambientais, sociais e econômicas necessárias para estabelecer metas e um cronograma de ações eficazes.

2. Planejamento estratégico: importante etapa de pactuação dos objetivos que ocorre entre o produtor e seu técnico de campo, sempre com acompanhamento de um supervisor.

3. Adequação tecnológica: é quando são feitas recomendações pela equipe técnica que geram impacto direto em todo o sistema de produção.

4. Capacitação profissional complementar: utilizando a experiência do Senar, os cursos de curta e média duração complementam os conhecimentos trazidos pelo técnico de campo e auxiliam nas decisões tomadas pelo produtor rural.

5. Avaliação sistemática de resultados: conjunto de ferramentas operacionais e tecnológicas desenvolvidas pelo Senar que apontam para o alcance do resultado ou sinalizam a necessidade de ajustes no planejamento da propriedade. Tudo isso, de forma contínua e monitorada por, no mínimo, dois anos.

Visitas mensais — O modelo de atendimento prevê visitas mensais individuais a grupos de produtores selecionados nos estados. Todo esse trabalho é coordenado por uma equipe especializada formada por coordenadores, supervisores e técnicos de campo que compõem uma rede nacional de assistência técnica e gerencial. Cada supervisor acompanha até 15 técnicos de campo. Cada técnico de campo atende de 25 a 30 agricultores e pecuaristas.

A remuneração da equipe segue critérios de meritocracia, ou seja, depende do cumprimento das metas pactuadas com o produtor e o Senar, que devem contemplar o aumento da produtividade e da renda no campo. O resultado técnico passa a ser o meio, e o fim é o produtor. O nosso foco é o resultado econômico da propriedade. É outra visão da assistência técnica. O grande desafio é encontrar e formar um grupo de técnicos, uma equipe que seja capaz de transferir tecnologia e ensinar o produtor a gerenciar o seu negócio como uma verdadeira empresa. Hoje o técnico que atende as propriedades é, em grande parte do País, aquele que vende os insumos.

Como o modelo de ATeG é inovador, desde sua criação, em 2013, o Senar organiza e capacita turmas de instrutores, multiplicadores da metodologia, formadas por médicos veterinários, agrônomos e zootecnistas ligados às Administrações Regionais do Senar em cursos presenciais de 88 horas. Nessas capacitações são repassados conhecimentos metodológicos ligados à postura profissional dos técnicos de campo do Senar, além de todo o conteúdo gerencial que será utilizado na avaliação técnica e econômica das propriedades acompanhadas. De volta aos seus estados, esses instrutores capacitam os técnicos na metodologia da ATeG que, em seguida, passam a atender diretamente os produtores rurais.

O Senar produziu cartilhas específicas para as cadeias produtivas e um documento norteador de execução. A “bíblia” de ATeG traz informações sobre o modelo de assistência técnica com meritocracia do Senar, orientações sobre a adesão do produtor, a formação dos grupos de proprietários, como acontece a assistência na propriedade e a estrutura da nossa metodologia. Atualmente, a Metodologia da ATeG está sendo desenvolvida por Administrações Regionais do Senar em 18 estados, atendendo aproximadamente 13 mil produtores.

Existe uma grande demanda dos produtores por uma fonte de recursos para implementar aquilo que os nossos técnicos orientam. O produtor que toma crédito com orientação tem chances bem maiores de pagar e ter retorno na sua atividade. Por isso, o Senar vem firmando parcerias com instituições financeiras, como a Caixa Econômica Federal, para impulsionar a concessão de crédito rural. O papel do Senar é buscar condições para o agricultor produzir e continuar crescendo. É o que está sendo feito com esse modelo inovador de ATeG.