Nono

 

Obrigado por tudo, SEU NONÔ!

Em 8 de setembro perdemos Manoel “Nonô” Henrique Pereira, um dos precursores e difusores do plantio direto na palha na agricultura brasileira

Leandro Mariani Mittmann [email protected]

Seu Nonô ao lado da Rotacaster, plantadeira de sistema convencional que ele adaptou ao plantio direto

A agricultura conservacionista mundial perdeu um dos seus maiores entusiastas e difusores: em 8 de setembro, o produtor paranaense Manoel Henrique Pereira, mais conhecido como Seu Nonô, perdeu a luta contra o câncer, aos 76 anos. Nonô formava com os também produtores Herbert Bartz e Franke Dijkstra (veja eles acima na capa da edição especial de janeiro de 2013) o trio que trouxe para o Brasil e, sobretudo, propagou pela agricultura brasileira e também mundial, a partir de meados de 1970, o sistema de plantio em que o solo não é revolvido. O método, que evita a sangria do solo pela erosão, foi um marco na agricultura brasileira, e tem relação direta com os sucessivos recordes de produção de grãos e fibras.

A relação de Seu Nonô com o plantio direto é de uma dedicação de pai para filho. Ele viajou pelo mundo e recebeu em sua fazenda, a Agripastos, em Palmeira/PR, milhares de interessados em ouvi-lo contar e ensinar sobre os benefícios do PD. A relação entre ambos é longa. Exatamente em 27 de setembro de 1976, ele adquiriu, por exatos 93.175,80 cruzeiros, uma plantadeira de sistema convencional da marca Rotacaster, que foi, depois de muito esmero seu e de seus empregados, adaptada para realizar o plantio direto. A partir de então, a história de Seu Nonô tornou-se uma saga em prol da agricultura conservacionista, ou em outras palavras, pelo bem do solo.

E aqui n’A Granja Seu Nonô sempre foi uma fonte de informações fiel e de extrema significância na proposta da revista em levar ao leitor o melhor para ele e suas lavouras. Dez anos atrás Seu Nonô recebeu gentilmente um jornalista da publicação em sua fazenda, onde posou ao lado da histórica Rotacaster no seu museu do plantio direto. Em seu último contato com a revista, em fevereiro último, fez questão de conceder, mesmo de dentro do hospital em que estava internado, entrevista por telefone para uma reportagem sobre conservação de solos.

Gentileza que ultrapassou décadas. Como em uma de suas primeiras manifestações à revista, na edição de dezembro de 1983. Em ambas as entrevistas, separadas por mais de três décadas, manifestou preocupação sobre a necessidade do plantio direto ser bem orientado pela assistência técnica. “O risco é entrar no programa com pouca informação, porque, de resto, só existem vantagens”, disse naquela edição. “A assistência técnica é um dos pilares do processo”, mencionou na entrevista recente. Seu Nonô foi, na verdade, o verdadeiro mestre na prestação de assistência técnica do plantio direto pelo mundo. Os solos agrícolas do planeta têm eterna gratidão ao empenho dele.

Em dezembro de 1983, A Granja veiculou entrevista com Nonô em que ele destacava a importância da assistência técnica para difundir o plantio direto