Sementes

 

Evento debate os rumos do setor de SEMENTES

A 19ª edição do Congresso Brasileiro de Sementes teve a participação de pessoas de uma dezena de países

Mais de 1.400 participantes de dez países, entre pesquisadores, estudantes, produtores e sementeiros representando a cadeia de sementes, reuniram-se por quatro dias para discutir os gargalos do setor, conhecer os avanços e buscar soluções para os desafios. Foi na 19ª edição do Congresso Brasileiro de Sementes, promovido pela Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates), em Foz do Iguaçu/PR, no mês passado. Um dos temas mais abordados foi a pirataria, impactos e prejuízos da prática para o segmento. “Com a pirataria, todo o setor perde. O produtor fica com a falsa sensação de economia e na verdade colhe menos. O sementeiro perde mercado. A pesquisa perde força e apoio financeiro, essencial para custear anos de trabalho para que se chegue a cultivares seguras e produtivas. É um efeito negativo em cadeia”, explicou o presidente do CBSementes e pesquisador da Embrapa Soja, José de Barros França Neto.

O Tratamento Industrial de Sementes (TIS) foi tema de debate coordenado pelo diretor vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (Abrass), Jorge Soares. No Brasil, a adoção desse processo é superior a 35% e, aos poucos, esse percentual tem aumentado. “Os agricultores estão percebendo que, além das exigências legais, há ganhos relacionados à logística e à qualidade do tratamento – o que reflete no resultado final das sementes no campo”, explicou Soares. “O processo influencia diretamente na qualidade das sementes e, além de envolver manuseio químico, interação com pessoas e com meio ambiente, existem também aspectos culturais, de tradição e interesses comerciais envolvidos”.

Outro dos muitos temas abordados foi o sistema de resfriamento, uma alternativa usada para garantir a qualidade das sementes ortodoxas na armazenagem, visto que em temperaturas muito altas o potencial germinativo e o vigor dessas sementes podem ser comprometidos. Em um país tropical como o Brasil, garantir essas condições em todo o processo de armazenagem e transporte da semente apresenta um desafio para o setor. “As sementes estão em contínua deterioração e o resfriamento torna-se útil, pois retarda a velocidade do processo degenerativo”, ressaltou o engenheiro agrícola Francisco Amaral Villela, da Universidade Federal de Pelotas/RS. “Quanto menos adequadas forem as condições de armazenagem, mais acelerada é a deterioração das sementes”, alertou.