Mudanças climáticas: perdas na produção agrícola podem chegar a R$ 3,7 tri

As mudanças climáticas têm potencial de afetar as mais diversas dimensões da vida humana, como produção de alimentos, acesso à água e os recursos naturais. O bolsista da Cátedra Escolhas de Economia e Meio Ambiente de 2017, Bruno Souza, analisou em sua dissertação de mestrado o impacto da mudança climática na produtividade agrícola do Brasil. A defesa do trabalho “Mudanças Climáticas no Brasil: Efeitos Sistêmicos Sobre a Economia Brasileira Proveniente de Alterações na Produtividade Agrícola”, ocorreu nesta sexta-feira, dia 10/08, na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, FEA-USP.
A banca avaliadora contou com o professor orientador Eduardo Amaral Haddad (FEA/USP), e dos professores convidados Eduardo Azzoni (FEA/USP); Vinícius de Almeida Vale, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e José Gustavo Féres, da Escola Brasileira de Economia e Finanças (FGV/EPGE).
Seu estudo parte das previsões climáticas contidas no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), conhecidas como Representative Concentration Pathways (RCPs). Este documento apresenta vários cenários climáticos, dos quais o estudo utiliza os dois mais extremos: o otimista e o pessimista. O primeiro deles, representa um quadro onde a redução das emissões de gases do efeito estufa (GEE) seria contida em 40% a partir de 2020. No outro, as emissões de CO² permanecem elevadas, alcançando o triplo dos níveis atuais até 2100. Diante destes quadros, o trabalho estima a perda da produtividade nas culturas de cana-de-açúcar, soja, milho, feijão, café e laranja, entre 2020 e 2100. Juntas, essas seis culturas representam representam 82% da produção agrícola nacional.
Os resultados obtidos mostram que as perdas totais na produção destas culturas alcançariam cerca de R$ 647 bilhões, o equivalente a 9,7% do PIB brasileiro em 2017, no cenário otimista. Já no cenário pessimista, as perdas poderiam atingir R$ 3,7 trilhões que corresponde a 55,6% do PIB brasileiro de 2017. Isso também provoca impactos indiretos em outros setores da economia, este efeito adicional foi dimensionado com a aplicação do método Equilíbrio Geral Computável, EGC. Estas simulações indicam que esses impactos na economia do país poderiam alcançar uma perda de R$ 2,2 trilhões no quadro otimista e R$ 9,2 trilhões no cenário pessimista. Além disso, o trabalho produz um índice vulnerabilidades que torna possível identificar como esses impactos afetam cada uma das cinco regiões brasileiras.
Ao final, Bruno destaca que as culturas que mais seriam afetadas pelas mudanças climáticas seriam a cana de açúcar e a soja em todas as regiões do país.

Data: 14/09/2018
Fonte: FEA/USP

Últimas notícias