Venda de gado gordo: “audiência” de um técnico de campo

A comercialização do gado para abate é um tema importante e decisivo para a viabilização dos sistemas pecuários, desde os mais simples, extensivos e familiares de pequeno porte até as operações mais empresariais, de grande tecnificação e escala. Não me refiro somente ao valor obtido pelos animais, mas também ao sistema de comercialização, liquidez e agilidade na venda e diferenciação de valores para produtos diferenciados. Vou tentar abordar alguns temas de minha vivência e “audiência” como técnico de campo no RS.
Escala
Como em tantos negócios, quem tem mais negocia melhor. No gado gordo não é diferente. O volume de animais abatidos anualmente é um importante diferencial de um fornecedor para uma indústria ou intermediário (corretor). Não se iluda: quem tem grande volume de animais de qualidade média deve estar negociando melhor (ou sendo mais bem pago) do que quem tem poucos animais de qualidade superior. Pode não ser sempre assim, mas deve ser na maioria das vezes. O volume e constância de abates são atributos que põem valor no gado antes de falarmos da qualidade dos animais (idade, raça, terminação, etc).
Peso Vivo Ou Rendimento
A maioria das indústrias do RS trabalha (preferencialmente) com a compra “a rendimento”, ou seja, pagando pelo valor do peso da carcaça na indústria (ex: R$ 10,00/kg de carcaça do novilho). Frigoríficos menores, abatedouros e açougues ainda compram rotineiramente animais para abate pelo peso vivo, ou seja, pelo peso de fazenda (ex: R$ 5,00/kg vivo).
Pergunta: “Mas Velloso, se um novilho médio rende 52% ou mais é melhor vender a rendimento, pois o preço do Kg vivo passa para R$ 5,20 ao invés de R$ 5,00.”. Não é verdade?
Resposta: É verdade, mas nem sempre acontece assim. Ocorre de alguns animais do lote não atingirem o rendimento e também de procedimentos realizados nos frigoríficos não serem padronizados entre as diferentes indústrias, levando à uma grande variação no rendimento de carcaça. Entram aí temas antigos como esfola, retirada da ferida de sangria, remoção de contusões, pesagens, etc. Logo, são frequentes as frustrações ao receber o romaneio de abate. Depois do gado abatido, carcaças reprovadas ou rendimentos baixos não há muito o que fazer. Não há como recuperar ou discutir essa informação do passado. Aí reside grande parte da relação de desconfiança entre produtor e indústria. Todos os detalhes você encontra na coluna "Do Pasto ao Prato", edição de março da AG.

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Data: 09/03/2018
Fonte: Revista AG

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