Implantando a infraestrutura da pastagem: parte II

Dando sequência à série de artigos da coluna Santo Capim, este artigo traz a segunda parte do planejamento para a implantação da infraestrutura da pastagem, dimensionando as medidas dos recursos, áreas de descanso e sombreamento.
2 - Dimensionando as áreas de descanso: nestes locais são implantados comumente os recursos, fonte de água, cochos para a suplementação dos animais e áreas com sombra. As medidas de cada um destes recursos devem ser criteriosamente definidas para que todos os animais do lote tenham acesso a eles sem que haja disputas entre os animais que dominam e aqueles que são dominados, evitando-se condições de estresse que provocam queda no desempenho animal. É preciso dimensionar uma área sem sombreamento e uma com sombreamento para cada animal do lote, convertido em unidade animal (UA). Em regiões onde o clima é classificado como quente e úmido, dimensiona-se 6 m2/UA sem sombreamento e mais 6 m2/UA com sombreamento, totalizando 12 m2/UA, enquanto que em clima quente e seco, dimensiona-se 3 m2/UA sem sombreamento e mais 3 m2/UA com sombreamento, totalizando 6 m2/UA.
2,1. Sombreamento: uma vez dimensionada a área para cada UA do lote, leva-se em consideração as seguintes características: a melhor sombra é a oferecida pelas árvores plantadas em renque, fileiras, ruas, linhas ou carreiras; fazer o plantio no sentido NORTE-SUL, para que a sombra “caminhe” ao longo do dia de oeste para leste, reduzindo a formação de lama. A sombra artificial deve ter uma largura mínima de 4 metros e uma altura mínima de 3,5 metros em seu ponto mais baixo (pé direito); no caso de ranchos com telhado, construir com apenas “uma água” com no mínimo 10% de inclinação, sendo o ponto mais baixo voltado para OESTE. Quanto mais plano for o terreno maior deverá ser a área destinada por animal; quanto maior for a área de sombra por animal menores serão os riscos de acidentes e infecções no úbere e patas (CAMARGO; RIBEIRO, 2004).
Entretanto, tem sido ensinado e aceito com naturalidade nas escolas de Zootecnia que apenas animais europeus e seus cruzamentos com zebu, e principalmente vacas em lactação (aumentos de 10% a 20% no volume de leite produzido e no teor de sólidos do leite; maiores taxas de absorção e assimilação de nutrientes minerais; maior taxa de concepção), é que respondem ao sombreamento, com uma argumentação fundamentada nas premissas seguintes:
Os zebuínos são originados da Índia, onde predomina o clima tropical; aqueles animais adquiriram características anatômico-fisiológicas evolutivas que os permitem maior adaptabilidade às condições de clima tropical, quais sejam – maior número de glândulas sudoríparas e sebáceas por cm2 de pele, glândulas sudoríparas mais ativas/funcionais, pelagem clara refletora de raios solares, pele rica em melanina, filtrando raios ultravioleta minimizando riscos de eritema solar (câncer de pele), etc. Todos os detalhes você encontra na coluna Santo Capim, do professor Adilson Aguiar.

Data: 02/02/2018
Fonte: Revista AG

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