Guia do Criador mostra os principais fatos que marcaram a pecuária em 2017

O ano de 2017 já não tinha começado muito bem. Crise econômica ainda se atenuando, muita carne na praça e pouco consumidor. As coisas foram se assentando até que em março veio o primeiro duro golpe à pecuária, a Operação Carne Fraca colocava em xeque a segurança alimentar do produto mundialmente. O Ministério da Agricultura (pásmem!) agiu rápido e segurou os ânimos.
Entretanto, o estrago já estava feito. Embargos surgiam e o consumo, que já estava nocauteado, no chão se manteve. A cotação da arroba do boi gordo sentiu o duro golpe. Segurou-se nas cordas. O tempo passou, a exportações voltou e o boi pastou. Até que no mês de junho, veio o golpe de misericórdia. A deleção premiada dos irmãos Wesley e Joesley Batista nocauteou os preços. A arroba despencou a menos de R$ 124,00.
Uma enorme apreensão crescia em torno da continuidade (ou descontinuidade) do Grupo JBS no Brasil, que, por sua vez, saiu das compras. A luta caminhava para um desfecho dramático até que uma luz de esperança acendeu. Com a saída do concorrente das principais praças, Minerva ampliou sua atuação na América Latina e o Marfrig reativou plantas para aumentar em 24% sua capacidade de abate.
Pequenos e médios frigoríficos entraram na jogada, mas com tanta oferta conseguiram pressionar os preços para baixo. Mas, enquanto uma porta se fecha outra se abre. “Famintos”, os turcos vieram ao Brasil e varreram a bezerrada meio-sangue Angus X Nelore. A desmama de R$ 4,50/kg vivo, no ápice da delação, já supera os R$ 6,00 em algumas regiões. Problema resolvido? Não! Quando tudo caminhava para um desfecho triunfal, a Rússia, nosso terceiro maior importador, anunciou embargo à carne suína e bovina.
A alegação é de que encontraram nas carcaças resíduos de ractopamina (???), um promotor de crescimento. Substância proibida na Europa também por aqui para o uso em bovinos, a justificativa soou como retaliação à recusa brasileira ao trigo russo. Até o fechamento dessa edição não houve reviravolta no caso. De todo o ocorrido, fica de lição que a pecuária possui uma força hercúlea.
PIB crescendo, dólar mais estável e dinheiro do FGTS no bolso acendem a esperança de um 2018 mais próspero que 2017, apesar conclusões apontarem para mais do mesmo, em virtude da dobradinha Eleições-Copa do Mundo. Tudo vai depender da quantidade de carne que irá para a panela ou à grelha dos torcedores. E em meio a esses altos e baixos, não deixe de acompanhar setor a setor a retrospectiva da cadeia produtiva pecuária.
Ciclo pecuária deve virar para o abate de fêmeas, arroba retorna à casa dos R$ 150, touros mantêm volume de vendas, mas com preço menor, mercado de receptoras encolhe drasticamente, exportações fecham no azul, confinamento cresce na crise enquanto os produtores de leite são esfolados. Ficamos por aqui e veja todos os detalhes desse enredo nas páginas seguintes deste Guia do Criador 2018.

Data: 04/12/2017
Fonte: Revista AG

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