Embrapa discute raças bovinas na fronteira com a Bolívia

Durante uma palestra realizada em Arroyo Concepción, na Bolívia – a cerca de 10 km de Corumbá/MS – a pesquisadora Raquel Soares, da Embrapa Pantanal, conversou com universitários do país vizinho sobre raças bovinas localmente adaptadas presentes na fronteira. “Queremos ver o que eles conhecem, entender quais são as expectativas e perspectivas para a conservação e uso dessas raças no país deles”, afirma a pesquisadora que busca a existência de rebanhos crioulos entre proprietários rurais, universidades e instituições de pesquisa locais.
O contato com os vizinhos da Bolívia, diz Raquel, é uma forma de procurar ´parentes´ da raça conhecida como bovino Pantaneiro, encontrada no Pantanal brasileiro, nas raças bovinas crioulas presentes em território boliviano. “Tenho notícias por publicações científicas e por conversas com os moradores daqui que existem pelo menos dois tipos de gado crioulo na região: o Yacumeño e o Chiquitano. Mas não sabemos, ainda, qual é a proximidade desses animais – em termos de perfil genético – do nosso bovino Pantaneiro”.
O Pantaneiro, bovino que passou por quinhentos anos de seleção natural em meio aos extremos ambientais do bioma, desenvolveu uma rusticidade característica da raça. Ele pode pastejar em locais alagados, manter taxas reprodutivas satisfatórias mesmo em períodos com menor disponibilidade de alimentos como a seca, possui baixa exigência nutricional, habilidades maternas e diferenciais para a produção de carne e leite. Porém, existem apenas cerca de 500 animais comprovadamente Pantaneiros no país, atualmente – o que os coloca em risco de extinção e aumenta a urgência da conservação de seu material genético.

Data: 29/10/2017
Fonte: Embrapa

Últimas notícias