Como aprender com os erros do vizinho?

“Ovo fraco”? Não era “Carne fraca”? Pois é! O mundo não está limitado ao universo brasileiro; lá fora também ocorrem falcatruas. Assim, podemos analisar como outras culturas tratam essas ocorrências. E como já repetimos diversas vezes, um produtor inteligente aprende com os erros do vizinho.
Primeiro, um olhar no retrovisor para recordar a curva de febre do caso da “Carne fraca”. A forma como foi conduzida, a maneira como reagimos e os resultados dos recentes choques na produção da carne ensinaram que numa próxima vez devemos agir de modo diferente. Tanto a ação das autoridades - ao levantar a questão do comportamento incorreto de funcionários de indústrias e de agentes públicos - como o tratamento pela imprensa, e ainda, a histeria que se instalou no setor mostraram imaturidade maior do que os fatos concretos justificaram.
Provavelmente, lembramos o pequeno escândalo que se seguiu após a descoberta de que pecuaristas irlandeses venderam carne de cavalo como carne de boi. Nada contra uma ou outra forma de proteína animal, mas, num mercado maduro, é preciso fornecer o que se promete. Os responsáveis foram punidos e a vida seguiu normalmente. Tudo isso, dentro de pouco tempo.
Agora, um novo escândalo, mais virtual-midiático do que real, abalou, por alguns dias, a vida do consumidor europeu. Trata-se do uso do inseticida FIBRONIL na produção de ovos além do limite estabelecido pelas normas da sanidade pública. Esse defensivo é aplicado no combate aos parasitas nas granjas, nomeadamente na Holanda. Convém recordar que aquela região é a principal fornecedora de ovos para 12 dos 28 países que formam a União Europeia. Assim, o incidente regional tornou-se, em menos de 24 horas, uma noticia que chegou ao conhecimento da maioria dos 510 milhões de consumidores europeus. Como foi e o que fizeram?
A Holanda produz 10 bilhões de ovos por ano, e 65% vão para outros países. O volume de ovos envolvidos no caso foi de 10 milhões. O sistema de rastreabilidade total permitiu identificar 138 granjas, que foram imediatamente bloqueadas. Os animais foram abatidos. Os ovos em circulação (transporte, armazéns, supermercados) foram recolhidos e a população foi instruída relativamente ao (não) perigo do consumo direto ou de outros alimentos produzidos com ovos, como é o caso de massas, maionese, etc. Toda a imprensa adotou uma postura de esclarecimento e apoio e menos de dramatização. O assunto não foi capa de revista. Foram presas 20 responsáveis, as empresas levaram multas e ninguém mudou sua prática de consumo porque tinha certeza de que não correria risco (como, aliás, no caso das carnes aqui). Veja tudo na coluna "Na Varanda" do economista Francisco Vila.

Data: 06/10/2017
Fonte: Revista AG

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