RENDEU 4% A MENOS

O dia era histórico para quem trabalhava com cruzamento entre raças. No relógio, os ponteiros marcavam 5:10 da manhã quando Dr. Barrison Villares, um dos maiores pesquisadores da bovinocultura de corte e um ícone no estudo de carcaças bovinas, me passara a prancheta com as planilhas contendo o número, tipo racial e idade de cada animal que seria abatido e avaliado pelo experiente pesquisador no 1º Concurso de Carcaça da Expocruza de Uberaba. Para mim, zootecnista recém-formado era uma honra conviver, mesmo que por pouco tempo, com Dr. Villares.
A corajosa decisão da ABCZ em realizar uma exposição de raças taurinas e seus cruzamentos dentro da “zebuzeira” Uberaba deixaria muitos dos tradicionais criadores de zebu indignados, pois até então o parque Fernando Costa tinha em seu solo somente pegadas deixadas por animais de raças zebuínas
Nas 3 horas de abate, Dr. Villares confirmava pela dentição a idade que constava na planilha da ABCZ, além da conformação de carcaça, classificando ainda quanto ao acabamento. Foram no total 30 animais dos diversos tipos sanguíneos, destacando-se, em rendimento, os cruzados Limousin e Piemontês, enquanto os animais Simbrasil e os cruzados Red Angus apresentavam melhor acabamento, mas, como esperado, pior rendimento de carcaça que os animais de raças de dupla musculatura.
Passaram-se 25 anos desde aquele histórico concurso de carcaça, e um dos maiores alaridos com os quais me defronto dia a dia diz respeito às brutais diferenças encontradas nos rendimentos de carcaça.

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Data: 25/08/2017
Fonte: Revista AG

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