Sobrevoando

Lotação

Toninho Carancho
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Estive sobrevoando, por esses dias, o interior do estado de São Paulo, pros lados do Mato Grosso do Sul, e confesso que fiquei um pouco decepcionado. Fazia um tempo que não andava por aquelas paragens e achei que veria algo um pouco diferente, mas não. Deparei-me com pastagens bastante degradadas, na verdade, rapadas, com sinais de erosão. Aquele solo é arenoso e fácil de dar uma errada, e me parece que o pessoal está errando. Muito gado em pouca pastagem, gado apertado, com pouco estado corporal, mostrando que está passando fome. Lembro do primeiro artigo que escrevi para a AG, no qual tratei sobre esse assunto da superlotação, do aperto de gado e de pasto, onde tudo acaba indo pra trás. Achei que os criadores tinham melhorado, mas, pelo que pude ver das rodovias, continua tudo igual.

Muitas vezes, o pecuarista imagina um número de cabeças de gado e fica fixo nele, sem pensar que talvez esse número não seja o ideal. Para um manejo tradicional (sem manejo de campo), a lotação tem que ser muito bem pensada, porque não tem válvula de escape (a não ser a venda de animais) para que o gado fique em boa situação corporal, possa crescer, engordar, emprenhar, amamentar, desmamar um bezerro pesado etc. Em muitos lugares do mundo, as lotações são baixíssimas, porém adequadas a cada local. As vacas ficam gordas e são produtivas, mas, às vezes, podem precisar de mais de 20 hectares para isso. Falei 20 hectares por vaca, mesmo – às vezes, até mais. O que acontece é que, quando lemos um artigo que diz que precisamos de mais lotação por hectare, temos de ter em mente que, antes de elevar a lotação, necessitamos dar o suporte em capim para fazer esse aumento. Não adianta empilhar gado e rapar o pasto. Não queremos campo para jogar golfe, precisamos de bastante capim e de boa qualidade para manter as vacas e os bois produzindo adequadamente, e, daí, sim, f...

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