Na Varanda

Tempos de entressafra

Na

Francisco Vila é economista e consultor internacional [email protected]

O produtor rural exerce uma profissão contínua. De sol a sol, 365 dias por ano. A natureza não conhece nem respeita artifícios humanos, como o horário de trabalho ou a separação da semana em dias úteis e de descanso. São o ritmo biológico, o clima e os múltiplos imprevistos da flora e da fauna que ditam o ritmo da atividade rural.

No entanto, como estamos percebendo – com cada vez maior clareza –, entramos numa nova época da evolução humana. Como consequência, precisamos ampliar nosso pensamento para o mundo fora da porteira. O livro do recém-falecido filósofo Zygmunt Bauman, “Modernidade líquida”, caracteriza bem o que sentimos todos os dias. As coisas de ontem e hoje não valerão necessariamente no amanhã. Ao longo de milênios, o agro exigia um braço forte. Isso resultou no domínio masculino na produção de alimentos.

Com a invenção do trator, já houve uma redução significativa da força braçal. E, ao longo dos últimos anos, chegaram ao campo implementos hipersofisticados, que permitem sua manobra por mulheres. Temos, como exemplo, máquinas da John Deere que operam com até 22 marchas, ou seja, três vezes mais do que um carro de luxo. Só que isso, novamente, está sendo ultrapassado pela introdução do chamado trator autônomo. Esses robôs sobre rodas são comandados pelo dedo humano ou pela sua voz, usando aplicativos que começam a substituir os braços – seja de homens, seja de mulheres.

Se tudo muda o tempo todo, será que estamos devidamente preparados para, todos os dias, incorporar novas tecnologias e aplicar modelos de negócio mais flexíveis? Essa reflexão nos leva ao momento atual, com a necessidade de compreender melhor tanto o ...

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