Genômica

Gato ou lebre?

Genômica

JOSÉ FERNANDO GARCIA Médico-veterinário, professor, pesquisador e consultor (UNESP e AgroPartners) [email protected]

Partindo-se da premissa de que não é bom ser enganado, alguém deve ter criado a expressão: “fulano comprou gato por lebre”. Enganos podem ter origem em um simples descuido, mas também na má-fé e na trapaça.

Por isso, o desenvolvimento de estratégias e métodos para a comprovação da verdade acaba se tornando necessário em muitas situações, sejam elas preventivas ou corretivas.

Um exemplo de engano que exige reparo é o de um pai biológico que alega não ser o pai de um filho seu. As consequências desse engano, quando não solucionado, podem ser gravíssimas.

Outro exemplo similar é o da rejeição à transfusão de sangue ou ao transplante de órgão, em que enganos sobre a compatibilidade do sangue ou órgão com o receptor podem ser fatais.

Graças ao desenvolvimento de testes de laboratório, iniciados a partir de trabalho pioneiro do pesquisador austríaco Karl Landsteiner nos idos de 1900, que descobriu diferenças nas proteínas das células sanguíneas de cabras, foi possível começar a prevenir ou remediar esses tipos de engano.

Os primeiros testes permitiam explorar alterações naturalmente existentes na forma de proteínas presentes na superfície das células sanguíneas, a qual varia entre os animais.

Graças à ação de anticorpos (hemaglutininas) que se ligam a essas proteínas, foi possível determinar padrões de aglutinação de células (grupos sanguíneos). Como essas diferenças no formato das proteínas são causadas, em última instância, por alterações nos genes que as determinam, descobriu-se que existia um “padrão genético” transmitido de acordo com as regras de herança Mendeliana (aquela q...

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