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PELO FIM DA MARCA A FOGO

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Maioria dos produtores não considera que o manejo cause sofrimento aos bovinos e diz não ter uma alternativa viável e barata para identificação permanente

Mateus Paranhos da Costa* e Carmen Perez**

No dia 16 de fevereiro de 2010, o jornal britânico The Guardian publicou uma matéria informando que 25% da carne vendida no Reino Unido eram importados de países que não estavam preocupados com a questão do bem -estar animal e que 3% da carne bovina era importada do Brasil, onde as práticas que incluem a marca a fogo, a castração e a descorna de bovinos eram feitas sem o uso de anestesia, prática proibida no Reino Unido.

Na época, houve um movimento para pleitear, junto ao editorial desse jornal, o direito de resposta por parte do Governo Brasileiro. Mas, responder o quê? As informações apresentadas pelo jornal correspondiam à realidade e, infelizmente, correspondem ainda nos dias de hoje, pois esses procedimentos dolorosos eram e continuam a ser realizados na maioria das fazendas do Brasil sem o uso de anestesia e analgesia.

A dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável que, quando não aliviada, ocasiona sofrimento e angústia aos bovinos. Além da sensação dolorosa aguda, que ocorre no momento da realização dessas práticas de manejo, deve-se ter em conta que, na maioria das vezes, elas resultam em processos inflamatórios de longa duração.

A marca a fogo, por exemplo, gera um processo inflamatório que pode se estender por até oito semanas, causando dor intensa e prolongada que agrava o estresse e, consequentemente, prejudica ainda mais o estado de bem-estar dos animais.

Manejos como esse geralmente levam os bovinos a terem medo dos humanos, tornando-os mais reativos aos...

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