Caprinovinocultura

 

Genética para estimular a produção

Empresa investe em ferramentas de melhoramento para atender demandas de criadores e consumidores da carne de cordeiro

Denise Saueressig
denise@revistaag.com.br

O trabalho que dá origem a animais de qualidade e a cortes de carne que agradam o consumidor inicia com investimentos em genética. A premissa direciona a rotina da Álamos, empresa com sede no Paraná e que há 18 anos difunde o melhoramento entre o rebanho brasileiro. O início das atividades, ainda no final da década de 1990, foi com os búfalos, mas logo surgiu o interesse pela ovinocultura. Quem conta é o proprietário e fundador da Álamos, Eduardo Bergstein. “Em 2004, realizamos uma pesquisa aprofundada considerando fatores como rentabilidade e conversão alimentar. Foi assim que descobrimos a eficiência dos animais Dorper e White Dorper”, relata o empresário.

As primeiras importações de embriões e sêmen com origem na África do Sul, berço da raça, ocorreram em 2005. A seleção de animais melhoradores passou a ser prioridade para a empresa e, em 2010, foi fundada a Central Álamos Genética com autorização do Ministério da Agricultura. “Percebemos que precisávamos multiplicar esse material que tínhamos, já que as importações custam caro. Assim, entre 2005 e 2009, criamos a base do nosso rebanho para podermos atuar com a central”, explica Bergstein.

Entusiasta da ovinocultura e da raça Dorper, o proprietário da Álamos elogia o acabamento e a precocidade desses animais. “Um Dorper puro, aos 90 dias, já pode ter peso para o abate. Cordeiros oriundos de cruzamento com a raça e que recebam manejo adequado podem estar prontos aos 120 dias com peso em torno de 35 quilos”, cita. “É uma atividade com giro muito rápido”, acrescenta.

Coleta e congelamento de sêmen e embriões, aspiração folicular para fertilização in vitro e inseminação artificial estão entre os serviços procurados pelos criadores

A admiração não impede que Bergstein identifique os gargalos do setor no País. “A cadeia ainda não está 100% estabelecida. Mais de 50% da carne ovina consumida aqui é importada, sobretudo do Uruguai. Nós conquistamos ganhos genéticos importantes nos últimos anos, mas o grande desafio é evoluirmos em projetos comerciais”, considera.

Na avaliação do empresário, o Brasil reúne as condições necessárias para um maior desenvolvimento da atividade, como clima propício, oferta de alimentos, qualidade genética e domínio do ciclo biológico. “No entanto, falta uma indústria especializada como existe nas cadeias de aves, suínos e bovinos”, constata.

O empresário Eduardo Bergstein (em pé) e a veterinária Tácia Bergstein Galan coordenam a multiplicação do material genético de grandes campeões Dorper

GENÉTICA, SANIDADE E NUTRIÇÃO

Entre os serviços mais requisitados na área de reprodução em caprinos e ovinos estão a superovulação de doadoras, sincronização de cio de receptoras, coleta e congelamento de sêmen e embriões, aspiração folicular para fertilização in vitro, inseminação artificial (laparoscopia e cervical), comercialização de sêmen e de embriões, exames ultrassonográficos e assistência técnica aos produtores. A empresa mantém em torno de 5 mil doses de sêmen congeladas, desde os primeiros animais importados até grandes campeões, como o Kaiowas Perseus TE 751, grande campeão nacional da raça Dorper em 2016.

Responsável técnica da Álamos Genética, a médica veterinária Tácia Bergstein Galan, declara que, além dos serviços realizados na sede da Central, em São Luiz do Purunã/PR, ela e sua equipe se deslocam até as fazendas dos clientes para a realização de procedimentos. Mestre em Biotecnologia Animal e doutoranda na Universidade Federal do Paraná em Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia, a especialista observa que as técnicas de reprodução representam uma ferramenta importante para a maior rapidez e eficiência do melhoramento. No entanto, é necessário considerar que todo o sistema precisa estar em bom funcionamento para o êxito dos processos. “Além de animais com genética superior, o criador deve manter o rebanho em condições adequadas de manejo sanitário e nutricional. São técnicas que naturalmente demandam uma organização maior das propriedades”, afirma Tácia.

DEMANDA EM ALTA

Além da central de genética, a empresa paranaense mantém a Álamos Agronegócios, que realiza a comercialização de animais vivos. No mês passado, a empresa realizou um leilão virtual para comemorar os 18 anos de atuação no mercado. Foram comercializados para as diferentes regiões do País 100% dos 40 lotes ofertados. “Realizamos um evento por ano desde 2009, com exceção dos últimos dois anos, quando preferimos dar uma pausa devido à nossa reestruturação interna”, declara Bergstein, que se diz surpreso com o resultado do leilão.

A procura aquecida pelo Dorper é justificada pelas qualidades da raça, na opinião do empresário. “É um animal vocacionado para a produção de carne, com gordura entremeada que dá um sabor especial para os cortes”, salienta. No campo, o Dorper é considerado rústico, com grande capacidade de adaptação a diferentes condições de clima. “É uma raça que se desenvolveu e aprendeu a sobreviver em regiões com temperaturas extremas e vegetação escassa, o que resulta em rapidez na conversão de massa seca em proteína”, completa Bergstein.