Escolha do Leitor

NELORE INTEIRO x NELORE CASTRADO

Alexandre Menezes Dias¹; Leonardo Batista de Oliveira¹; Luís Carlos Vinhas Ítavo¹; Rogério Gonçalves Mateus¹; Eva Nara Oliveira Gomes¹; Fabiane Ortiz do Carmo Gomes Coca¹; Camila Celeste Brandão Ferreira Ítavo¹; Ériklis Nogueira²; Bruna Biava de Menezes1; Rodrigo Gonçalves Mateus³

Experimento realizado na Fazenda Guarani, situada no município de Sidrolândia/ MS, e na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (Famez) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul avaliou 180 novilhos da raça Nelore, sendo 90 animais castrados e 90 não castrados, com idade média de 28 meses e peso corporal médio inicial de 415,64 kg. Os tratamentos foram distribuídos em delineamento inteiramente casualizado, com dois tratamentos, animais castrados e não castrados, com 90 animais por tratamento.

Os animais foram distribuídos em 30 cabeças/baia, onde ficaram por 63 dias, sendo 15 para adaptação à dieta e 48 para coleta de dados. Foram realizadas quatro pesagens, sendo a primeira no início da adaptação; a segunda, no início do confinamento; a terceira, aos 24 dias; e a quarta pesagem, aos 48 dias, em jejum de sólidos por 16 horas.

As dietas eram compostas de milho grão e núcleo mineral-proteico- vitamínico na proporção de 850,0 g/kg de milho grão inteiro e 150,0 g/kg de núcleo mineral proteico- energético (Tabela 1). Foram realizadas análises bromatológicas da dieta, determinando os teores de matérias seca, orgânica e mineral, proteína bruta, extrato etéreo, fibra em detergente neutro e em detergente ácido.

Os 15 dias de adaptação ocorreram em piquetes de Brachiaria brizantha cv. Marandu de 0,35 hectares, onde a ração foi fornecida e aumentada a cada três dias, de acordo com o peso corporal dos animais.

Nos três primeiros dias, recebiam 1% do seu peso corporal de ração e a cada três dias esse valor era aumentado 0,2% em proporção ao seu peso corporal inicial. No 15º dia, os animais já estavam consumindo 2% do seu peso corporal. No 16º dia, foram pesados e distribuídos nas baias em seus respectivos tratamentos, onde permaneceram até o abate. O fornecimento da dieta teve ajuste para 10% de sobras, realizados em três tratos diários, às 8h, às 12h e às 16h.

O fornecimento de água foi administrado em bebedouros de concreto de 1.000 litros de água para as duas baias. O ganho de peso total foi calculado pelo ganho de peso dos animais por 48 dias de confinamento. O peso de carcaça quente, em kg, foi tomado no frigorífico logo após abate, antecedendo o resfriamento da carcaça.

Após 48 dias de confinamento, os animais foram abatidos em frigorífico comercial, com o valor da arroba de R$ 105,00. O peso de abate foi tomado na propriedade antes do embarque para o frigorífico, em jejum de sólidos por 16 horas. O rendimento de carcaça foi calculado com o peso de abate anotado na propriedade antes do embarque e o peso de carcaça quente.

Entre a 12ª e 13ª costela, realizou- se um corte horizontal visando expor o músculo Longíssimus dorsi e realizada a medição da espessura de gordura subcutânea (mm) obtida pela média de duas observações. A conversão alimentar foi determinada pelo consumo de matéria seca diário em kg/dia pelo ganho médio diário em kg/dia. O preço de aquisição dos animais praticado no momento da compra dos animais foi de R$ 3,38/kg do peso corporal.

O preço do milho grão inteiro praticado foi de R$ 0,27/kg. O preço/ kg do núcleo grão inteiro foi de R$ 1,25. Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias, comparadas pelo teste Tukey a 5% de probabilidade.

Os animais não castrados apresentaram maior peso de abate, ganho de peso total, ganho médio diário, peso de carcaça quente, rendimento de carcaça, melhor conversão alimentar e peso em arrobas produzidas, quando comparados aos animais castrados terminados em confinamento recebendo dieta alto grão (Tabela 3). Os animais não castrados apresentaram uma taxa de crescimento de 16,28% superior em relação aos castrados.

Resultados de pesquisa mostraram que os bovinos não castrados crescem mais rapidamente e utilizaram o alimento mais eficientemente. Apresentaram maior ganho médio diário (1,42 kg e 1,15 kg), apresentando uma taxa de crescimento de 23,48%. Machos Nelore inteiros ganham 24% a mais de peso.

A classe sexual é um dos fatores determinantes da composição do ganho de peso, devido à influência da ação hormonal. Para a variável de conversão alimentar, os animais não castrados foram 11,11% mais eficientes. Apresentaram ainda melhor conversão alimentar (kg consumido/kg de ganho). Verifica-se, assim, a importância do hormônio testosterona não só no ganho de peso, mas também na conversão alimentar. Os ganhos de peso dos animais não castrados foram superiores aos castrados, o que proporcionou maior peso de abate em consequencia da maior deposição de tecido muscular. Porém, os animais castrados apresentaram maior espessura de gordura subcutânea (Tabela 3).

Os animais não castrados obtiveram maior peso de abate devido ao maior ganho de peso no período de confinamento (Tabela 3). Assim, os animais não castrados podem atingir o peso de abate mais rapidamente, podendo reduzir o tempo de confinamento e, consequentemente, o custo de produção. Os animais inteiros se mostraram mais eficientes em relação ao ganho ganho médio diário, consumo de alimento, conversão alimentar e rendimento de carcaça. Não foram observados durante o experimento problemas relacionados a comportamento de agressividade ou sodomia.

Os animais castrados foram mais eficientes na deposição de gordura subcutânea (Tabela 3). Entretanto, os inteiros apresentaram espessura de gordura subcutânea dentro dos padrões exigidos pela indústria frigorífica, de 3 a 6 mm. Pode ter favorecido o acabamento a dieta alto grão, que apresentou teores de extrato etéreo e nutrientes digestíveis totais na dieta de 4,77% e 84,39%, respectivamente. Os animais não castrados apresentaram maior receita bruta, maior custo por animal, porém, maior lucro por animal, o que proporcionou maior retorno quando comparado aos animais castrados (Tabela 4). Os dados da Tabela 4 corroboram com o trabalho de Lopes et al. (2008), em que estudaram o efeito do ganho de peso na rentabilidade em confinamento.

Os autores constataram que o custo que mais interfere é a aquisição dos animais, seguido dos custos com a alimentação, e observaram que o lucro foi maior quando o ganho de peso total foi de 1,3 kg. Dessa forma, o ganho de peso influencia no custo operacional efetivo do confinamento.

Lopes et al. (2005) analisaram comparativamente, por meio de simulação, a rentabilidade da terminação de bovinos de corte castrados e não castrados e consideraram que os ganhos médios diários dos animais não castrados foram superiores aos castrados e concluíram que a prática da castração influenciou negativamente o custo total de produção da arroba de carne. Porém, os autores relataram que o frigorífico penalizou os animais não castrados em R$ 2,00 por arroba, devido a isso, a lucratividade e a rentabilidade dos castrados foram satisfatórias. Isso não foi observado, pois os animais não castrados apresentaram espessura de gordura subcutânea que atende as exigências do frigorífico (Tabela 3).

O pecuarista pode optar por confinar animais não castrados com ganhos de peso superiores a 16,7% em relação aos animais castrados, o que proporcionaria maior rentabilidade utilizando animais não castrados. Os animais castrados e não castrados apresentaram lucro, porém, os inteiros foram superiores (Tabela 4). Ítavo et al. (2008) concluíram que animais não castrados apresentam maior margem líquida e lucratividade, tanto por animal como por área, quando comparados a animais castrados, no entanto, as características de carcaça não permitem a comercialização no mesmo valor pago para a arroba do boi.

A carne bovina e o milho são commodities agrícolas e sofrem influência do mercado externo, sendo assim vulneráveis à variação de preço, por isso, a compra do milho em relação ao valor da arroba paga ao produtor é fator determinante à viabilidade do sistema. Logo, sua aquisição requer uma atenção à época do ano e suas sazonalidades. Um dos benefícios observados com a utilização do confinamento como estratégia de manejo na propriedade seria retirar os animais na fase de terminação do pasto, o que possibilita aumentar a disponibilidade de forragem para as outras categorias do rebanho, aumentando a taxa de lotação e o giro de capital.

Os animais não castrados podem ser utilizados na obtenção de carcaças de qualidade, desde que abatidos jovens e com condições nutricionais suficientes para depositarem gordura na carcaça. Recomenda-se a terminação de novilhos Nelore em confinamento recebendo dieta alto grão. Os animais castrados apresentam maior espessura de gordura subcutânea que animais não castrados. Os animais não castrados apresentaram maior ganho de peso e lucro no sistema de terminação em confinamento com dieta alto grão.

¹Alexandre, Leonardo, Luís, Rogério, Eva, Fabiane, Camila e Bruna são da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul; ²Ériklis é da Embrapa Pantanal (Corumbá/MT); ³Rodrigo é da Universidade Católica Dom Bosco. Consulte bibliografia com os autores - Contato: alexandre. menezes@ufms.br