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O elo entre lavoura e pecuária

Mecanização deve considerar a mecânica e a tecnologia específica para o confinamento

Paulo Ferraz Netto*

À medida que a pressão para eficiência competitiva da pecuária em relação a outras atividades do agronegócio aumenta, a necessidade de adoção do confinamento é inevitável. Por esse motivo, além do maquinário envolvido no preparo do solo, como grades niveladoras e semeadoras, e na produção de feno ou silagem, a exemplo das segadeiras, colhedoras de forragem e enfardadeiras, ganha destaque também a tecnologia envolvida no confinamento.

Para tanto, faz-se necessário entender todo o processo e onde as máquinas entram nessa história. O primeiro grande benefício do sistema é o aumento de ganho de peso do rebanho. Quando confinados, os animais têm uma capacidade de engorda maior e mais rápida. A idade ao abate cai e assim também acontece com os custos de manutenção.

Algumas técnicas como manejo adequado, uso de espécies tolerantes à seca, adubação e irrigação, poderiam aumentar a produção das pastagens na seca, mas nunca em níveis que possibilitassem ganhos de peso parecidos aos obtidos na estação chuvosa. Isso se deve ao fato de o amadurecimento das plantas, que acontece durante o período da seca (junho-setembro), resultar em formação de massa verde composta de paredes celulares (lignina) mais resistentes à degradação ruminal, que, em consequência, reduz a qualidade e a digestibilidade das forragens, diminuindo a taxa de passagem e, consequentemente, a ingestão voluntária de matéria natural.

Essa etapa da criação pode ser feita pelos próprios proprietários do rebanho ou por recriadores. Para tanto, participam de sistemas de parcerias, utilizando os mais variados tipos de contratos. Se o resultado do confinamento vai ser positivo ou não vai depender da forma com que será planejado e manejado e seus objetivos. Os atributos essenciais para um confinador eficiente são:

• emprego de um programa de manutenção preventiva de máquinas e equipamentos;
• atuação estratégica;
• equipe capacitada e especializada;
• gestão de risco e análise de mercado.

Objetivo focado sempre em:

• mínimo de desperdício;
• máxima homogeneidade da dieta;
• alto desempenho dos animais;
• lucratividade.

Na fase de planejamento, o objetivo é minimizar os riscos referentes às variações de mercado e otimizar recursos disponíveis. As táticas de compra e logística de insumos, gerenciamento de contrato de compras e vendas dos animais e coordenação das atividades na fazenda são traçadas nesse momento.

No operacional, o foco é dar agilidade e competitividade ao sistema produtivo, através da condução do empreendimento de acordo com o planejado.

A preocupação deve se concentrar também no dimensionamento e na locação das instalações e edificações e, principalmente, no dimensionamento de máquinas e equipamentos.

O local escolhido para instalação do confinamento precisa ter uma fonte de água confiável e de qualidade, com capacidade para atender o consumo dos animais (e também para a limpeza das instalações) e, facilidade de energia elétrica.

Também é importante que a construção das edificações de um confinamento seja em área distante de rodovias ou zonas urbanas, já que o barulho e a movimentação em demasia estressam os animais e prejudicam o ganho de peso.

Com atenção às questões ambientais, deve-se evitar que áreas próximas a rios, córregos e nascentes sejam utilizadas, para se evitar impactos ambientais indesejados.

Terrenos com boa capacidade de drenagem e com pequena declividade natural são os mais apropriados, já que tendem a manterem-se mais secos, o que favorece o manejo e as condições sanitárias dos animais. O tratamento dos dejetos pode ser revertido em adubo orgânico e se tornar outra fonte de renda. Uma ferramenta muito importante para a manipulação dos efluentes é o tanque de distribuição dos dejetos.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Além das máquinas agrícolas necessárias para o plantio do pasto, milho, sorgo, soja, etc., o confinamento exige o uso de ensiladeiras, vagões para transporte de forragem e misturadores de dietas totais, tratores e implementos para manuseio dos insumos, pás carregadeiras e empilhadeiras para apoio na fábrica de ração, balança para o equilíbrio adequado da dieta, esteiras e roscas transportadoras para movimentação dos grãos e farelos e um desintegrador (triturador para grãos e forragem), balanças rodoviárias para conferência dos insumos adquiridos, currais de manejo antiestresse com bretes e balança de gerenciamento de produção e sistemas automatizados de irrigação nos currais para melhorar o conforto térmico e diminuir a incidência de doenças pulmonares.

Esse “arsenal” tem como objetivo padronizar, acelerar e garantir a eficiência na operação de confinamento. Para se obter excelente resultado com o confinamento de bovinos é fundamental que o pecuarista invista em bons equipamentos para processar a alimentação servida aos animais. O dimensionamento dessas máquinas depende do número de animais a serem confinados.

COLHEDEIRA DE FORRAGEM

Equipamento capaz de garantir um excelente tamanho de corte com alta produtividade. Já existem no mercado equipamentos com sistema de descarga traseira que permite o enleiramento e a pré-secagem com posterior recolha da forragem com afiador automático das facas, regulagem hidráulica de altura de corte e bica de descarga controlada hidraulicamente e recipiente acoplado para adição de inoculantes e aditivos.

VAGÃO FORRAGEIRO

A partir de 200 cabeças já se justifica a aquisição de um vagão forrageiro, que mistura e distribui a ração diretamente no cocho, o que, além de padronizar e homogeneizar os nutrientes fornecidos, dão mais agilidade e qualidade ao produto oferecido aos animais diretamente no cocho, sendo que um vagão de 1.500 kg de capacidade operacional teria condição de atender até 1.200 cabeças.

É um equipamento muito versátil, pois um único implemento é capaz de desensilar, pesar, misturar e descarregar no cocho com absoluta precisão os alimentos que compõem uma ração formulada.

Avaliação adequada das misturadoras de ração total, para animais em produção, é uma ferramenta importante para maximizar o desempenho dos animais e minimizar efeitos adversos causados pelas más misturas.

Fábrica de ração garante o fluxo de trabalho das máquinas

As principais características relacionadas à função dos vagões misturadores são:

• melhorar a qualidade da dieta fornecida, ou seja, garantir que aquilo que foi formulado para um determinado ganho de peso é mesmo fornecido;

• controlar o consumo de matéria seca em diferentes lotes.

O silo-pulmão deve estar localizado no fluxo da linha de produção da fábrica

uso em confinamento de vagão misturador garante que o animal consuma em proporção ajustada de forragem e concentrado, sem que ocorra a seleção de ingredientes. As formulações das dietas são baseadas no consumo de matéria seca.

Com a utilização de vagões misturadores, uma pessoa consegue ser responsável pelo trato de um número maior de animais, quando comparado com confinamentos alimentados com vagão forrageiro convencional, onde existe a necessidade de se fazer o carregamento dos ingredientes por camada.

FÁBRICA DE RAÇÃO

A fábrica de ração é projetada para atender as mais diferentes necessidades, pois reúne diversos equipamentos que garantem a solução completa para a produção de ração.

Pode ser equipada de forma parcial, ou seja, contendo apenas alguns equipamentos selecionados ou de forma completa que será descrita a seguir.

BALANÇA RODOVIÁRIA

Equipamento de mensuração de insumos na entrada e saída de produtos das plantas de confinamento. Deve ser instalada na recepção da propriedade com a finalidade de se certificar se as quantidades de insumos entregues conferem com as negociadas.

MOEGA DE GRÃOS

As moegas são estruturas utilizadas para recepção de produto a granel. Normalmente, a descarga de um caminhão de 25 toneladas dura de 8 a 15 minutos. Para diminuir esse tempo a valores próximos de 5 minutos, alguns projetos têm empregado o equipamento denominado tombador, no qual o caminhão carregado estaciona sobre uma plataforma articulada, que é inclinada entre 40º a 45°.

SILO DE ARMAZENAMENTO E PULMÃO

O silo de armazenamento é uma estrutura metálica ou de alvenaria com a função de estocagem de ingredientes para um período determinado de tempo com grandes volumes, com fluxo intermitente, o que permite flexibilidade na compra desses insumos.

O silo-pulmão deve estar localizado no fluxo da linha de produção da fábrica de ração. Sempre antecedendo um processamento, ou seja, pré-limpeza e moinhos.

ARMAZENAGEM TEMPORÁRIA A GRANEL

Os sistemas alternativos são recomendados, principalmente, para projetos que são carentes de estruturas de armazenagem. E dentre os sistemas difundidos no Brasil existe o silo-bolsa.

Nesses tipos de armazenagem é aconselhável que o produto se apresente limpo, seco, e com baixos índices de grãos quebrados e trincados e devidamente tratados para evitar proliferação de insetos. Os teores matéria seca recomendados para milho, soja e trigo devem ser superiores a 80% e girassol, 90%. Essas sugestões são para minimizar os riscos de desenvolvimento de insetos e fungos.

ROSCA TRANSPORTADORA (CHUPIM)

A rosca transportadora destina-se ao transporte de materiais granulados ou em pó, secos ou com baixa umidade, envolvendo uma infinidade de produtos, tais como silagens, cereais a granel ou triturados e rações.

MESA DE PRÉ-LIMPEZA

A mesa de pré-limpeza procura agilizar o processo produtivo e garantir mais qualidade ao produto final. Nesse implemento agrícola, é possível secar os insumos e ainda fazer a retirada das impurezas.

CAÇAMBA DE PESAGEM E TRANSPORTE

É um equipamento simples e de baixa manutenção.

Destinadas à dosagem e ao transporte de materiais granulados ou em pó, as caçambas de pesagem são utilizadas nos mais diversos setores da indústria.

Deve ficar disposta sobre balanças e são alimentadas por gravidade ou mecanicamente até que se atinja um peso pré- -determinado.

Após esse processo, é acionado o motor elétrico (opcional) que descarrega a caçamba através de uma rosca sem fim, estrategicamente conectada ao equipamento, transportando o produto até a próxima fase do processo.

TRITURADORES

Como o nome sugere, trituram grãos em geral, principalmente milho debulhado e seco que será utilizado para o trato diário de animais.

O objetivo do processamento dos grãos (milho e sorgo) é o de se expor o amido que está contido nesses grãos (72% da matéria seca no milho com 78% a 80% de NDT (nutrientes digestíveis totais) e 66,8% da matéria seca no sorgo – National Research Council (NRC).

O projeto específico e bem dimensionado do triturador para beneficiamento de grãos permite maior produção com menor potência requerida e possui sistema interno de ventilação adequado para transportar o material triturado para o ciclone ou outro local desejado.

REIDRATADOR

O reidratador adiciona água de forma homogênea aos grãos moídos, promovendo a reidratação dos mesmos e consiste em devolver a umidade adequada para que o grão seja fermentado nas condições para o processo de silagem. A reconstituição desse grão ocorre com adição de água de 28-32% seguido de moagem ou laminação e armazenamento anaeróbio.

Comprovadamente, a ensilagem do grão reidratado aumenta potencialmente a digestibilidade do amido, proporcionando ganhos no desempenho.

MISTURADORES

Os misturadores são equipamentos ideais para a produção de misturas secas ou levemente úmidas (silagem de grãos úmidos), sementes, granulados e outros materiais semelhantes.

Um bom conhecimento sobre as opções disponíveis no mercado em termos de tamanho, funcionamento e rendimento de cada modelo facilita na avaliação de suas vantagens e desvantagens.

Normalmente, o mais barato não é o de menor custo. Aspectos como manutenção, confiabilidade e durabilidade são os mais importantes paro o bom funcionamento da operação.

MISTURADORA COM ROSCA VERTICAL

Para se trabalhar com silagens de fibra longa e fardos de feno, sistema mais versátil, podendo trabalhar com qualquer tipo de volumoso. Exige tempo de mistura maior e a manutenção é muito baixa.

O carregamento acima da capacidade ideal limita a vida útil do misturador

MISTURADORA DE ROTOR TOMBADOR

É considerado atualmente o mais moderno e eficiente sistema de mistura, ideal para dieta de alto grão, é indicado para trabalhar com fibra curta e possui tempo médio de mistura de 3 minutos.

Para um pequeno confinamento, principalmente, é preferível se eleger uma misturadora de ração total e se optar pelo modelo mais flexível possível em termos de capacidade de operar com diversos tipos de volumosos. Dessa maneira, o produtor terá a liberdade de trabalhar com diferentes tipos silagens e cana picada.

Se for o caso, o equipamento deve também permitir trabalhar com mais de um tipo de alimento volumoso com diferentes tamanhos de partícula, por exemplo a silagem de milho e o feno em fardos, porque muitas vezes pode ser necessário.

UNIFORMIDADE DA RAÇÃO

Frequentemente nos deparamos com a produção da mistura em fazendas em tempo inferior ao recomendado. Os resultados confirmam o impacto negativo da produção de misturas com tempo inadequado, uma vez que pode onerar até 1% o custo total da produção animal. Misturadores variam grandemente em relação aos tempos de mistura. O tempo inadequado de mistura é a primeira razão para baixos resultados de uniformidade das dietas.

MISTURADOR SOBRECARREGADO

A sobrecarga visando agilizar o processo de mistura também prejudica a qualidade da mesma e, assim como o tempo, é responsável por uma menor uniformidade dos nutrientes da ração, que pode ocorrer durante o processo de mistura, e sobrecarregar a capacidade do misturador. O carregamento acima da capacidade ideal limita a vida útil do misturador.

DESGASTE DO EQUIPAMENTO

Comumente pouca atenção é dada ao fato de que o desgaste, a quebra ou o ajuste inadequado da máquina podem afetar a uniformidade da ração oferecida. Quando o equipamento está em desgaste ou com problemas, a eficiência da mistura é diminuída.

Devido ao uso em volumes expressivos de gorduras, melaço e/ou aditivos líquidos pode acontecer o acúmulo de alimentos nas hélices, nas paredes e nas portas do misturador. O acúmulo irá diminuir a eficiência do misturador.

ERROS DE PESAGEM

Podem também ocasionar problemas na uniformidade da ração. A mistura dos ingredientes pode afetar diretamente o atendimento das exigências nutricionais dos animais. Em geral, pouca atenção é dada a esse processo, sendo uma das causas de os valores em nutrientes analisados não corresponderem àqueles previstos nas fórmulas.

Misturar e distribuir adequadamente os alimentos da dieta são alguns dos muitos processos que integram o sistema de alimentação de bovinos em produção. Rações balanceadas mal misturadas podem causar um rendimento dos animais abaixo do esperado.

TREINAMENTO

Os operadores dos equipamentos devem estar comprometidos com o projeto. Serão eles os responsáveis pela precisão no carregamento dos ingredientes, pelo tempo ideal de mistura, pela precisão na descarga de ração no cocho e pela correta manutenção dos equipamentos. Ter conhecimento de todas as etapas do processo causará nos empregados mais segurança e respeito ao trabalho de cada um. A equipe precisa ter disciplina operacional, que são princípios, atitudes e valores da organização dos indivíduos que influenciam diretamente na segurança, qualidade e eficácia da operação com o intuito de executar cada tarefa sempre de maneira correta obtendo assim a excelência do negócio através do aumento da qualidade e produtividade com redução de custos e desperdícios.

O grande desafio é produzir com melhor qualidade e custos de produção mais baratos, ou seja, sermos mais eficientes. Portanto, o uso de novas tecnologias e, principalmente, da informação é de extrema importância nesse processo, pois auxilia para uma tomada de decisão mais acertada.

Alguns investimentos agregam pouco valor ao processo de produção, oferecendo poucos recursos, e outros fazem exatamente o contrário, oferecem muitos recursos e são pouco utilizados, não justificando seu investimento.

A justificativa para recorrência dessa situação é a mão de obra pouco qualificada que encontramos no campo. Um curral construído com conceitos para o manejo racional, tronco de contenção, balança eletrônica de última geração, identificação eletrônica e software de gerenciamento não serve para nada se estiver nas mãos de gente despreparada. Para se justificar esses investimentos e se utilizar ao máximo os recursos tecnológicos, é preciso se capacitar.


PROBLEMAS DIGESTIVOS

Devido ao fornecimento de dietas densas com alto grão em confinamento, existem alguns problemas de adaptação dos animais, como a acidose lática ruminal, em que devemos procurar o equilíbrio, fazendo adaptação das dietas de alto volumoso para alto concentrado para que se evitem problemas como ruminite, laminite e abcessos hepáticos. A utilização de vagões misturadores de ração total homogeneíza muito mais a dieta e consegue prevenir os problemas de acidose lática ruminal.

O grande desafio da operação de confinamento é minimizar as diferenças entre o formulado e o consumido pelos animais. Para tanto, passamos por várias etapas que demandam equipamentos específicos, variando desde maquinários para confecção de silagem, até softwares de apoio ao gerenciamento da operação.

Esses softwares de gestão são as melhores ferramentas para um melhor gerenciamento do fornecimento de ração para os animais. Possuem um sistema de identificação individual de curral composto por leitores integrados à balança do caminhão e conectado a um tablet ou computador de bordo, são em sua maioria de fácil utilização e privilegiam a função do tratador para coleta e transmissão de dados entre o escritório e o curral, eliminando erros comuns ao processo.

A rotina deve ser controlada e acompanhada corretamente e em tempo real, para que se evitem prejuízos. O fornecimento de ração deve ser feita de maneira uniforme e precisa, pois representa uma das maiores vulnerabilidades no que se refere ao controle de dados na rotina de confinamento.

Sem um controle eficaz da rotina do trato, é bem provável que se perca a eficiência das etapas anteriores. As informações coletadas no fornecimento são estratégicas para o ajuste e planejamento nutricional, resultando em incremento do ganho e maior eficiência na utilização dos insumos, evitando desperdícios de tempo, ração, combustível, pessoal e recursos na manutenção dos vagões distribuidores.


GERENCIAMENTO ELETRÔNICO

Com o intuito de melhorar a eficiência no fornecimento de ração, existe no mercado a automatização do sistema de alimentação para bovinos, utilizando-se de um controle automático de fornecimento da dieta. Com um sistema de gerenciamento eletrônico (acoplados nos vagões forrageiros/rotormix) ocorre o ajuste dos horários e da quantidade de alimento fornecido a cada curral de confinamento.

O sistema assegura a quantidade de ração servida nos cochos de alimentação dos animais e nos horários desejados, com diminuição de mão de obra. Os tratos são registrados por linha ou curral e distribuído aos animais neles localizados.

Cochos de concreto pré-moldado apresentam boa resistência e manutenção

COCHOS E BEBEDOUROS

Cochos de concreto pré-moldado têm sido muito usados, já que apresentam uma boa resistência e manutenção aceitável. Entretanto, também são utilizados cochos simples feitos de latão cortado ao meio, aproveitamento de esteiras de usinas ou mesmo de madeira apresentam como vantagem o baixo custo. O importante é que tenham 70 cm disponíveis/ cabeça, permitindo que todos os animais possam se alimentar ao mesmo tempo. Assim, para um lote de 90 animais, por exemplo, serão necessários 63 metros de cocho. Na parte frontal do piquete ficam os cochos de alimentos e, no lado oposto, as porteiras que se comunicam com o corredor de serviço ou circulação (corredores de passagem do gado para entrada e saída dos piquetes). À frente dos cochos estará localizado o corredor de alimentação, por onde passarão os veículos para distribuição dos alimentos. Os esteios de cerca e coberturas devem ficar do lado interno do curral e não no corredor de alimentação, para não atrapalhar a distribuição dos alimentos.

Os cochos de alimentos podem ser construídos de diferentes materiais como tambores, anilhas e madeira, desde que possam conter o volume de alimentos (volumoso) que serão oferecidos aos animais. Poderão ser colocados até a uma altura máxima de 40 cm do solo (do fundo do cocho ao chão). Os bebedouros devem ser de baixa capacidade volumétrica (2.000 l) para facilitar a higienização e providos de boias de alta vazão.

CONCLUSÃO

Os sistemas que se utilizam do confinamento como estratégia de produção devem estar bem desenhados e dimensionados a fim de obterem lucros e otimizarem o uso do maquinário. Entretanto, devem trabalhar com o número acertado de animais. Esse número está diretamente relacionado com a posição geográfica da propriedade, disponibilidade de ingredientes para formulação da ração associando logística e destino final do produto.

*Paulo Ferraz é médico-veterinário e consultor na Ajuste Pecuário