Brasil de A a Z

 

Quais as diferenças entre Nelore Mocho e Nelore Padrão? Quem é melhor?

William Koury Filho é zootecnista, mestre e doutor em Produção Animal, jurado de pista de Angus a Zebu e proprietário da Brasil com Z® – Zootecnia Tropical

Amigos da lida, não sei para vocês, mas para mim 2017 começou acelerado. Claro que normalmente já é assim, pois em fevereiro é tempo de colheita e plantio na agricultura. Na pecuária estamos em plena estação de monta e final da estação de nascimento. Sei que é assim, mas este ano está diferente, penso que seja em função de que, em tempos de economia fraca, temos de inovar e encontrarmos soluções criativas para obtermos melhores resultados financeiros. É a tal história, em tempos de “crise”, “crie”, e faça das dificuldades um impulso para no momento seguinte/oportuno dar uma arrancada.

É, nós, que trabalhamos com boi, não podemos estar nada satisfeitos com os preços, explicados pelo consumo em baixa no mercado interno, já que o brasileiro perdeu poder de compra. Fora isso, há aqueles consumidores que perderam o emprego – e não foram poucos. Perspectivas? Pelo que lemos e assistimos nos noticiários, creio que, para o segundo semestre, podemos ter alguma recuperação da economia - caso as reformas necessárias sejam realmente implementadas por este Governo.

Já que não podemos fazer muita coisa da porteira para fora, pois quem dita as regras do mercado são tantos fatores fora do nosso alcance, não tem “mimimi”, o negócio é trabalhar pela maior produtividade da porteira para dentro do negócio. Sejamos eficientes!

Porém, vamos ao tema título da coluna de hoje. É obvio que a maior diferença é que um tem chifre e o outro não tem, ou ainda pode ter um calo (pele mais grossa de onde sairiam os chifres), ou batoque, pequenos rudimentos de chifre, “chifres” moles/soltos - não presos ao crânio.

Vamos iniciar a prosa com a história do touro Caburey, da marca OB, pioneira na seleção de Nelore Mocho no Brasil. Aí começam os mitos referentes ao caráter mocho do touro, que seria consequência de mutação genética. Pode até ser, mas em um ancestral comum relativo a um processo de milhares de anos, nesse caso específico, o que parece melhor explicar o ocorrido são os milhares de cruzamentos absorventes na formação da raça Nelore no Brasil.

Como o caráter mocho exerce dominância sobre o genes que determinam a presença de chifres, é viável fixar o fenótipo mocho a partir de acasalamentos dirigidos. Utilizando dessa premissa, a marca OB fixa o caráter mocho no Nelore com propriedade.

E quem é melhor: o Nelore mocho ou padrão/aspado?

Existe a vantagem do mocho com relação ao aproveitamento de área de cocho, menos contusões no manejo pré-abate e menor probabilidade de acidentes graves com colabores que lidam diretamente com o gado.

Para o Nelore padrão, a grande vantagem é o tamanho da população, bem maior que no mocho, o que permite maior pressão de seleção. Tal fato torna maior o desafio na seleção e na evolução genética no mocho, por exemplo, por existir menos touros mochos líderes de sumário comparado com padrão.

Nos diversos rebanhos mochos que acasalamos, utilizamos touros padrão em vacas “firmes” no caráter mocho para inserir características/genes desejáveis para seleção e, no acasalamento seguinte, temos de voltar com um touro mocho para fixarmos a ausência de chifres – é mais ou menos assim.

Amigos, a verdade é que, mocho ou padrão, é tudo Nelore! Fora a presença ou não de chifres. Pois é, tecnicamente não tem melhor, nem pior, existem indivíduos bons e ruins tanto no Nelore mocho como no padrão, o importante é utilizar reprodutores bem avaliados em suas DEPs e morfologia e definir critérios de seleção por funcionalidade e produtividade que permitam evolução do rebanho e melhores resultados econômicos.

É amigos, independentemente de mocho ou aspado, o fato é que o Nelore brasileiro é uma fonte de genética produtiva e adaptada aos trópicos. Não foi por modismos, e, sim, por competência, que a raça dominou, em termos numéricos, as pastagens em nosso gigantesco País.