Mercado

 

Mercado em baixa

O Ministério da Agricultura divulgou em janeiro a estimativa do valor de receita da produção agropecuária para 2017. Os números são promissores e devem atingir um valor de R$ 544,99 bilhões, que representa um aumento de 3,2%, ou R$ 17,084 bilhões, frente ao ano de 2016.

A expectativa por uma safra recorde eleva os números estimados. Por outro lado, a pecuária de corte acaba retraindo um pouco esses números, já que a expectativa é que ocorra queda na receita da ordem de 2,4%, totalizando um montante de R$ 71,9 bilhões.

As exportações de carne bovina in natura, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), totalizaram 87,1 mil toneladas embarcadas em janeiro, aumento de 11,7% frente ao mesmo período do ano passado e redução de 0,2% frente a dezembro do mesmo ano. A receita total fechou em US$ 352,5 milhões.

Já na primeira semana de fevereiro as exportações de carne bovina in natura caíram, ainda segundo informações da mesma instituição. O total embarcado foi de 12,3 mil toneladas. Comparando ao mesmo período do ano passado, houve queda de 21,5%. Caso o ritmo se mantenha o mesmo, até o fechamento do mês haverá uma redução de 38,0% frente a fevereiro de 2016.

A tabela do Boi Gordo no Mundo mostra os preços praticados pela arroba no mercado mundial no período de 16/01 a 15/02/17. Como é possível constatar, a arroba brasileira segue vantajosa quando comparada com as outras praças apresentadas. Porém, o Brasil tem apresentado já há algum tempo aumentos sucessivos no valor da arroba em dólar que, juntamente com a retração de preços nos outros países, estão diminuindo essa vantagem que antes era absoluta. Provavelmente esse aumento se deve ao fato da desvalorização que o dólar vem sofrendo dentro do país frente ao real.

Comparando com os preços praticados no mesmo período do ano passado, o Brasil registrou um aumento da ordem de 25,7% no valor da arroba, assim como a Austrália, que teve um aumento de apenas 2,7%. Por outro lado, a arroba da Argentina e dos EUA teve quedas de 9,9% e 10,3%, respectivamente.

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) divulgou em fevereiro o balanço da primeira safra de milho e a previsão de área e produção referente à segunda safra 2016/2017. Na primeira safra, foram semeados 5,48 milhões de hectares com produção estimada de 28,82 milhões de toneladas. Já na segunda safra, a área estimada de plantio é de 11,03 milhões de hectares e a produção esperada é de 58,59 milhões de toneladas. Os aumenA Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) divulgou em fevereiro o balanço da primeira safra de milho e a previsão de área e produção referente à segunda safra 2016/2017. Na primeira safra, foram semeados 5,48 milhões de hectares com produção estimada de 28,82 milhões de toneladas. Já na segunda safra, a área estimada de plantio é de 11,03 milhões de hectares e a produção esperada é de 58,59 milhões de toneladas. Os aumentos são de 4,7% e 44%, respectivamente, quando comparados à primeira safra.

Diante disso, somando as duas safras, a previsão é que seja produzido um total de 87,41 milhões de toneladas de grãos de milho, incremento de 33,4% frente à safra 2015/2016. Além disso, os estoques finais da safra 2016/2017 estão previstos em 15,56 milhões de toneladas contra os 7,75 milhões de toneladas dos estoques da safra 2015/2016.

Portanto, a pressão baixista no mercado em 2017 se deve ao aumento da produção caso o clima não afete as lavouras, e também caso a demanda não se altere. Os pecuaristas que adotam o milho como tecnologia dentro do seu sistema produtivo, para o incremento de ganho de peso dos bovinos via suplementação a pasto ou através de confinamento, provavelmente terão redução de custos e consequente aumento da margem financeira que havia se estreitado quando o milho disparou de preço nesse passado recente e que agora volta a patamares mais interessantes.

O mercado do boi gordo apresentou queda, como já previsto na edição anterior, na maioria das praças analisadas da segunda quinzena de janeiro à primeira quinzena de fevereiro, conforme pode ser observado no gráfico da Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF.

A fraca demanda interna por carne bovina, decorrente principalmente do começo de ano quando incidem os impostos sobre a população, diminuindo o seu poder de compra, travou o mercado e acabou exercendo pressão baixista nos preços. A expectativa é que os preços se mantenham em baixa até a passagem do carnaval, quando a população volta às atividades normais do cotidiano, apesar de a crise econômica em que se encontra o País ainda afetar a demanda por carne.

Somente o Estado do Rio Grande do Sul apresentou um ligeiro aumento de preço da ordem de 1,0% quando comparado aos 30 dias anteriores ao apresentado pelo gráfico. Já os demais estados apresentaram retração generalizada, sendo os estados de Minas Gerais e de Goiás os mais afetados, com quedas de 4,3% e 5,9%, respectivamente.

O gráfico da Média do preço da desmama mostra os valores praticados no mercado de 16/01 a 15/02/17. O mercado da reposição no período analisado seguiu o mesmo comportamento do decorrer do ano de 2016 e fechou em nova queda de preços. A tendência é que esse cenário não mude em um futuro próximo devido às incertezas do mercado do boi gordo que emperram as negociações, além do fato de a oferta estar maior do que a demanda.

Das praças analisadas, somente os estados do Mato Grosso do Sul e do Paraná apresentaram ligeiros aumentos de preços, da ordem de 0,2% e 3,4%, respectivamente, frente aos 30 dias anteriores ao apresentado pelo gráfico. Nos demais estados analisados, todos tiveram quedas de preços. O Estado de Goiás registrou a maior retração e fechou com queda de 4,2%, sendo que a média de todas as praças ficou em 1,5%.

Quem estava se beneficiando com as quedas de preços da reposição era o invernista, que viu as suas relações de troca melhorarem ao longo do ano de 2016, apesar das quedas ocorridas no valor da arroba no mesmo período, que não foram suficientes para impedir o aumento do seu poder de compra. Porém, o que observamos agora não é mais isso. Os preços baixos pagos pela arroba atualmente estão diminuindo as relações de troca, apesar das sucessivas quedas do preço da reposição. O gráfico da Relação de troca média apresenta os números obtidos de 16/01 a 15/02/17.

Quando o período analisado é comparado aos 30 dias anteriores ao apresentado, a relação de troca do boi gordo de 16 arrobas com a desmama apresentou queda média de 1,2%, considerando todas as praças estudadas, enquanto que a relação de troca do boi gordo de 16 arrobas com o boi magro apresentou queda de 1,6%.

De modo geral, o mercado não apresentou nenhum comportamento fora do previsto. Os preços da arroba sofreram queda devido ao começo de ano e consequente redução do poder de compra da população que travou o escoamento da produção, além de os preços da reposição continuarem em queda devido à maior oferta frente à menor demanda e também pelas incertezas futuras do mercado do boi gordo.

Por fim, podemos esperar para o futuro próximo que o mercado continue andando para trás nesse primeiro trimestre. Não há indícios de reviravolta no mercado do boi gordo e muito menos no mercado da reposição.

Antony Sewell e Arthur G. S. Cezar
Boviplan Consultoria