Mercado

 

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Arroba anda de lado

O saldo positivo das exportações de carne bovina brasileira em 2016, que voltaram a crescer após a retração de 2014, está impulsionando o País a ampliar e a buscar novos nichos, já que, no decorrer do ano passado, colaboraram e ainda vão continuar colaborando em 2017 para o escoamento da produção interna que segue travada em razão da atual situação econômica do Brasil.

A expectativa agora está na abertura de mercado para a Coreia do Sul, para o Japão e na ampliação das exportações de carne bovina para os países árabes. No final do ano passado, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Antônio Jorge Camardelli, declarou que o mercado árabe é um dos que mais apresenta potencial de crescimento.

A tabela Boi Gordo no Mundo mostra os preços médios praticados da segunda quinzena de dezembro até a primeira quinzena de janeiro. Como pode ser constatada, a arroba brasileira segue vantajosa no mercado global.

Comparando o período apresentado com os 30 dias anteriores da análise, houve reduções de 2,5% no valor da arroba brasileira, 9,8% no valor da arroba argentina e 10,3% no valor da arroba australiana, enquanto houve aumento somente da arroba americana, da ordem de 11,8%.

No âmbito de exportação de gado vivo, o cenário também é favorável e promissor. Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), o Brasil exportou em dezembro do ano passado 23,4 mil cabeças de bovinos vivos, faturando US$ 19,2 milhões.

Em comparação com o mesmo período de 2015, houve aumento de 56,5% no volume embarcado, cujos principais destinos foram Líbano, Egito e Turquia. Já no acumulado de janeiro a dezembro de 2016, o Brasil exportou 282,3 mil bovinos vivos, acarretando em um aumento de 36,1% frente ao ano anterior. Desse montante total, a Turquia foi responsável pela importação de 56,2% dos animais exportados pelo Brasil, merecendo destaque na liderança.

O baixo consumo interno de carne bovina pela população brasileira ocorrido no ano de 2016, decorrente da instabilidade econômica e política do País adentrou o novo ano que se inicia.

A pressão é baixista no valor da arroba nesse começo de ano, sendo que a tendência é que isso se prolongue até o final de janeiro. A limitação no poder

de compra da população, que em todo começo de ano se vê obrigada a cumprir com os pagamentos de impostos, além dos gastos realizados com as festas de final de ano, impede que o consumo de carne seja satisfatório a ponto de manter, ou muito menos elevar, os preços praticados pela arroba no período que antecede esses fatos.

O gráfico sobre a Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF mostra os preços praticados de 15/12/2016 a 13/01/2017.

Podemos observar que os preços se mantiveram praticamente constantes durante a segunda quinzena de dezembro, já que o mercado ficou parado devido à pequena oferta de animais terminados, aliada ao baixo consumo, o que equilibrou os preços. Os pecuaristas, em todo final de ano, tendem a não vender seus animais para evitar questões fiscais. Algumas oscilações nos preços ocorreram, porém, com um viés de baixa.

Já no final da primeira quinzena de janeiro, algumas praças apresentaram quedas de preços provavelmente pelos fatos citados, confirmando a tendência de queda. Portanto, a previsão generalizada de retração de preços pode vir a ocorrer até o final de janeiro.

É importante ressaltar que, com o consumo voltando ao normal, a possibilidade de os preços voltarem a subir é real, pois a oferta de animais terminados continuará restrita.

Analisando todas as praças e comparando com os 30 dias anteriores ao período apresentado pelo gráfico, as quedas mais acentuadas nos valores da arroba ocorreram nos estados do Mato Grosso do Sul e do Pará com, respectivamente, 3,7% e 5,3% de retração. Somente houve aumento no estado do Rio Grande do Sul na ordem de 3,6%.

Na reposição, as sucessivas quedas no ano de 2016 podem ser explicadas pelo aumento da oferta de animais juntamente com a resistência do invernista em pagar os preços requeridos. Dessa forma, no ano de 2017, a tendência é que o cenário continue estável.

O gráfico da Média do preço da desmama da quinzena final de 2016 e da primeira quinzena de 2017 mostra os preços médios praticados nos valores da reposição.

Frente aos 30 dias anteriores, todos os estados apresentaram quedas de preços. Os estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraná e Rio Grande do Sul apresentaram quedas de, respectivamente, 0,4%, 4,5%, 8,1%, 2,3%, 4,9%, 4,2%, 6,8% e 2,1%.

As relações de troca do boi gordo com a desmama e do boi gordo com o boi magro continuam interessantes para o invernista nesse começo de ano. Como observado no decorrer do ano de 2016, as relações melhoraram mês após mês, pois os preços da reposição se mantiveram em queda constante e, apesar das retrações da arroba, essas não foram suficientes para diminuir as relações, e sim, aumentá-las.

O gráfico mostra a Relação de troca média e as relações praticadas de 15/12/2016 a 13/01/2017.

Os aumentos mais expressivos nas relações de troca ocorreram em Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul, quando comparados aos 30 dias anteriores ao do gráfico. Houve aumentos na relação de troca do boi gordo com a desmama na ordem de 3,7%, 6,6% e 5,9%, respectivamente. Já na relação de troca do boi gordo com o boi magro, os aumentos foram de 5,1%, 4,2 e 6,4%, respectivamente.

De modo geral, o começo do ano não diferiu significantemente do que estava ocorrendo até o final de dezembro. O mercado segue travado devido ao baixo escoamento da produção interna aliado à baixa oferta de animais terminados. No curto prazo, esperamos uma retração já evidenciada decorrente, principalmente, da queda do consumo da população até a quitação dos impostos de começo de ano.

Por fim, a expectativa é que o mercado continue andando de lado nesses meses iniciais de 2017, sem alterações consideráveis. Não há fatos concretos que permitam uma previsão e um comportamento diferente do que observamos no fechamento do ano passado.

Antony Sewell e Arthur G. S. Cezar Boviplan Consultoria