Brasil de A a Z

 

Números de 2017 Planejar é “preciso”

William Koury Filho é zootecnista, mestre e doutor em Produção Animal, jurado de pista de Angus a Zebu e proprietário da Brasil com Z® – Zootecnia Tropical

Amigos da lida, agora é 2017, ano que já começou intenso e para valer! Na política, a esperança que a Operação Lava Jato dê uma sacodida nos maus políticos e seus comparsas tomou um baque com a queda do avião que levava seu relator, o ministro Teori Zavascki. Agora, nos resta torcer pela nomeação de uma pessoa competente, honesta e com reputação ilibada para assumir essa importante missão. Vivemos uma crise, que também é uma grande oportunidade de amadurecimento e consolidação de uma democracia saudável.

Porém, para nós, do setor produtivo, embora seja muito importante o engajamento político, não há tempo para viajar nas diversas teorias da conspiração baseada em uma série de coincidência de fatos, mesmo assim, vale o desabafo – que fase! Enquanto isso, Trump assume a presidência da maior potência econômica e bélica do planeta. Bom, firmamos o corpo e focamos no trabalho porque o campo não para. O grosso dos nascimentos de bezerros está chegando ao final e a estação de monta também caminha para o fim nos primeiros meses do ano.

O calendário começa para a BrasilcomZ, e com ele, ajustes no planejamento de 2017. Neste ano o foco será o desenvolvimento e/ou a aplicação de softwares para gestão das informações, além de cumprir com nossos compromissos técnicos/científicos e comerciais, é claro. De início, contamos com as avaliações de sobreano, e com o fechamento de provas de desempenho individual. Ambos, parte importante no processo de seleção e segmentação dos touros jovens, que serão a geração mais recente a trabalhar na estação de monta no segundo semestre ou que serão vendidos – os superiores – como reprodutores e – os inferiores – como bois de corte. É também mais uma oportunidade para seleção das novilhas de reposição, depois para a sequências de avaliações, acasalamentos dirigidos, leilões, palestras e treinamentos.

Pois é, tem muita coisa para acontecer neste ano, e, mesmo com todo o planejamento possível, surgirão imprevistos, novas demandas, enfim, ajustes serão necessários no decorrer do período.

Imprevisibilidades, como a regularidade das chuvas, costumam ser a “desculpa” do pecuarista para não se planejar, quando na verdade deveria ser um motivo a mais. Se a seca prolongada complica para todos, imagina para aqueles que não se organizaram para um plano B. Puxa vida, todo ano tem seca, às vezes mais severa, outras, mais amena.

Amigos, estamos na era da informação. Embora o tradicional pecuarista goste mesmo é de estar na lida, na operação de campo, para ser competitivo e obter maior lucratividade na atividade é essencial ter o controle da capacidade produtiva da fazenda, evolução do rebanho e também o controle financeiro de cada atividade.

Outro ponto que deve ser atentado é a gestão da sucessão, sempre mais complicada em empresas familiares – a maioria. O pecuarista tradicional associa sucessão com morte, na verdade estamos falando da preparação de substitutos e de evitar que atitudes tenham que ser tomadas de repente, o que só é bom para os advogados. Para o bem-estar da família e do próprio negócio, o planejamento, antecipando esse processo é, sem dúvida, o caminho mais adequado.

Propositadamente, a primeira coluna do ano trata de um tema mais genérico, se levarmos em consideração que, como a maioria dos leitores, prefiro abordar assuntos técnicos e de estar no campo e nos currais. Porém, cada vez mais tenho a consciência de que qualquer empresa que queira evoluir deve estabelecer metas a partir de uma boa gestão administrativa e financeira.

No melhoramento genético animal, é fundamental a coleta de dados com qualidade. Medir para poder evoluir. Se não medimos, não sabemos como o rebanho está para uma determinada característica produtiva, assim como se não tivermos os custos e o resultado, não podemos saber como anda a saúde financeira de nosso negócio. É difícil trabalhar no escuro e aumentar eficiência e lucratividade.

Para finalizar, utilizo uma das frases clássicas utilizadas pelo Nelore Lemgruber, que gosto muito.

“Quando você pode medir o que está expondo e explicar o assunto com base em números, quer dizer que você sabe alguma coisa do que está falando. Mas quando você não pode se apoiar em números, o seu conhecimento é de um tipo escasso e insatisfatório”, Lord Kelvin - Revista Falus - África do Sul, 1985.

É, amigos, a gestão administrativa e financeira é fundamental, e se apoiar em números para definir as diretrizes de seu negócio é “preciso”. Tenham um excelente ano!