Mercado

Escassez de boi gordo impulsiona o mercado da carne

A retomada do crescimento das exportações da carne bovina brasileira a partir de agosto, após a retração em volume e em faturamento ocorrida em julho, quando despencou a demanda chinesa, continuou no mês de setembro. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), o volume total embarcado foi de 119,9 mil toneladas de carne, o que gerou US$ 486 milhões de receita, com aumentos de 5% e 4%, respectivamente, frente ao mês anterior. Também houve aumento no acumulado de janeiro a setembro de 2016 frente a 2015 de 8% em volume, totalizando mais de 1 milhão de toneladas exportadas, que resultaram em US$ 4,187 bilhões.

Os principais países importadores da carne bovina brasileira no mês de setembro foram Hong Kong, China e União Europeia. Vale destacar a mantença de Hong Kong na liderança e a China, que voltou a figurar entre os maiores importadores, saltando da sétima colocação em agosto para a segunda colocação em setembro. O crescimento da importação chinesa comparando esses dois meses foi de 197% em faturamento e 213% em volume.

Dentre as categorias mais exportadas, a carne in natura segue na liderança, seguida da industrializada, dos miúdos, das tripas e das salgadas.

A tabela Boi Gordo no Mundo ilustra os preços da carne bovina praticados no mercado internacional da segunda quinzena de setembro até a primeira quinzena de outubro.

O produto brasileiro segue vantajoso frente às outras praças devido ao valor do dólar dentro do território nacional; porém, devem-se ressaltar os sucessivos aumentos do valor da arroba brasileira e a queda de preço da mercadoria americana no decorrer de 2016. A alta foi de 27,1% e a retração, de 14%, respectivamente, frente ao intervalo da última quinzena de dezembro de 2015 e a primeira quinzena de janeiro de 2016 comparado ao período apresentado pela tabela.

Após um longo período em que as margens dos frigoríficos andavam apertadas, desde meados de setembro começou a haver uma recuperação que as elevou aos patamares históricos médios, segundo dados da Scot Consultoria. Isso se deve ao aumento dos preços no varejo pelos estoques enxutos, apesar de ainda assim o escoamento estar lento, decorrente da baixa demanda interna favorecida pelas crises políticas e econômicas em que se encontra o Brasil atualmente, embora as exportações amenizem esse cenário.

O gráfico da Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF apresenta os preços a prazo praticados no decorrer de 16/09 a 14/10/2016. Podemos observar uma tendência de alta na maioria das praças estudadas, exceto no Rio Grande do Sul, que teve queda de 2,5% frente aos 30 dias anteriores ao período analisado.

Essa elevação de preços pode ser explicada pela oferta restrita de anianimais terminados aos frigoríficos devido à falta de pastagens provocada pela seca, além do menor volume de animais confinados nesse ano devido aos preços dos grãos que assustaram os pecuaristas. Diante disso, as escalas de abate estão curtas e acabam forçando as indústrias a pagarem mais pela arroba facilitada pela recuperação da margem já supracitada. Portanto, o preço da arroba no começo do quarto trimestre segue firme, conforme a previsão da edição anterior e a tendência é que não haja alterações significativas no curto prazo, apesar da chegada do período chuvoso e a decorrente recuperação das pastagens.

Comparando os preços da desmama do período apresentado com os 30 dias anteriores ao mesmo, somente no Estado de São Paulo observou-se aumento de preço, da ordem de 1,4%, enquanto que nos demais estados houve quedas. Em Minas Gerais, a retração foi de 0,6%; em Goiás, de 2,1%; no Mato Grosso do Sul, de 2,4%; no Mato Grosso, também de 2,4%; no Pará, de 0,2%; no Paraná, de 2,3%; e, por fim, no Rio Grande do Sul, onde a queda foi de 1,3%.

Quem continua sendo favorecido é o invernista que passou por um longo período de baixo poder de compra da reposição quando os preços estavam em patamares mais elevados. Com os aumentos dos preços praticados pela arroba e com as quedas sucessivas dos preços da reposição, houve melhora na relação de troca do boi gordo com a desmama e do boi gordo com o boi magro. O gráfico da Relação de troca média apresenta os valores obtidos de 16/09 a 14/10/2016, considerando um boi gordo de 16 arrobas.

Os estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul foram os únicos a terem piora na relação de troca do boi gordo com a desmama, da ordem de 0,66% e de 1,23%, respectivamente, frente aos 30 dias anteriores ao apresentado. Nos demais estados houve melhora nessa relação, dos quais podemos destacar os estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná, que obtiveram os maiores aumentos, da ordem de 4,92%, 4,66% e 6,58%, respectivamente.

De modo geral, o começo do quarto trimestre cumpriu os indícios e as previsões realizadas no final do terceiro trimestre. O mercado manteve-se firme com ligeiros aumentos nos preços da arroba resultantes da oferta restrita de animais terminados aliada à maior flexibilidade dos frigoríficos, que recuperaram sua margem que há muito vinha estreita. Além disso, o mercado da reposição continuou andando de lado, comportamento que vem desde o começo do ano.

Em suma, não há previsão de mudança do cenário em curto prazo, apesar do começo do período chuvoso, sendo que a tendência é que o mercado siga nos patamares atuais.

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Antony Sewell e Arthur G. S. Cezar
Boviplan Consultoria