Sobrevoando

 

Qualidade

Toninho Carancho

carancho@revistaag.com.br

Cada vez mais nos tempos de hoje a qualidade se impõe. Qualidade em tudo, do que vendemos e do que consumimos. Dos produtos de primeira necessidade aos mais supérfluos.

Falando com amigos produtores de batata, eles comentavam que há poucos anos eles vendiam todo e qualquer tipo de batata, tanto aquelas consideradas premium, bem redondinhas, lisinhas, no tamanho certo, quanto aquelas mais rugosas, disformes e com furos. Claro que por diferentes valores, mas esses valores não eram de uma diferença muito grande. De uns tempos para cá, a diferença de preço das batatas realmente boas e bonitas para as mais feias foi aumentando de uma forma muito grande. E aquelas batatas realmente feias e disformes a venda está quase que impossível. Hoje o comércio e as pessoas querem coisas boas ou nada.

O problema é que nos acostumamos muito fácil com as coisas que tenham qualidade e depois não queremos nada pior. Ficamos chatos, críticos, exigentes.

Entrando mais na seara de nossos assuntos, gado e carnes, as coisas seguem no mesmo caminho. Depois de comprar um bom touro, marcado, com índices genéticos positivos, de pessoa ou empresa idônea e por valor compatível, o criador não quer mais saber de tourinho sem marca, sem índices e comprado de qualquer um. Ele está disposto a pagar mais pela qualidade. E por motivos óbvios. A qualidade real sai barata. Se você comprar qualquer coisa que tenha realmente uma qualidade superior, mesmo pagando mais por ela, você estará fazendo a coisa certa, agregando valor a você ou ao seu empreendimento e muitas vezes economizando no médio e longo prazos.

Os bons criadores estão comprando touros bons, com índices positivos por valores considerados altos em relação ao preço do boi e também aos tempos bicudos que estamos passando. Mas eles poderiam estar “economizando” e comprando touros mais baratos, que estão sobrando no mercado. E por que eles não fazem isso? Não fazem porque são bons criadores. Sabem que um bom touro se paga com folga e que um touro ruim dá um prejuízo enorme, então não se arriscam. Compram e pagam pela qualidade.

E isso vem acontecendo cada vez mais. Essa diferença entre o que é bem bom e o que é mais ou menos está aumentando a olhos vistos. Cada vez mais gente que sabe o que é bem bom e está disposta a pagar mais por esse produto. Seja boi, touro, novilha ou batata. Seja o que for.

E na carne, então...! Esses dias comprei uns kits de carne premium fornecidas por um amigo nosso. Ele seleciona os bois por idade, não mais do que 24 meses, seleciona por raça, preferência por Angus e Hereford ou bem cruzados com essas raças, e seleciona por acabamento, gordos mesmo. Abate esses animais em frigorífico de terceiros, aos poucos, em pequenas quantidades e corta as carcaças em peças especiais em local próprio. Ou seja, melhor impossível. Já comi essa carne em três ocasiões diferentes e com cortes de carne diferentes também, costela, bananinha, prime rib, t-bone, picanha e entrecot. Em todas as vezes e com todas as carnes, a sensação de todos os presentes foi de que comiam a melhor carne de suas vidas. Isso é qualidade. Mas, e o preço? Um pouco mais do que o preço normal do supermercado. Aliás ninguém quis saber do preço, mas todos queriam saber onde conseguiam comprar essa carne.

Faça as coisas com qualidade total e você terá, cada vez mais, resultados positivos.

Mas, afinal, o que é qualidade?

Nas palavras de Henry Ford, “qualidade é fazer a coisa certa quando ninguém está olhando”.