Genética

 

Touros jovens

André de Souza e Silva*

Quando falamos em melhoramento genético, melhoria de rebanhos e aumento da produtividade, estamos falando intrinsecamente da descoberta de novos reprodutores que sejam capazes de transmitir às gerações futuras os componentes genéticos que trarão o aumento da produtividade.

Porém, o que seria essa produtividade? O aumento do peso absoluto não serve de parâmetro como melhoria genética. Na verdade, o que se busca é a melhoria de um conjunto de características. Características ligadas a fertilidade, ganho em peso e morfológicas.

Sendo assim, os programas de melhoramento genético têm como filosofia a identificação de indivíduos (machos e fêmeas) que sejam geneticamente superiores e façam disseminação dessa genética Brasil afora.

A forma mais acessível e democrática de proporcionar essa disseminação é através da inseminação artificial, na qual o produtor tem acesso à genética de ponta dos melhores indivíduos descobertos pelos programas de melhoramento.

Mas aí vêm algumas perguntas: Qual touro devo escolher? Por que devo utilizar um touro jovem? Tenho segurança ao utilizar um touro jovem? Minha resposta é: sim! E vou explicar através desta equação: o ganho genético é composto da intensidade de seleção feita no rebanho, da acurácia das características selecionadas, do desvio- -padrão dessas características e pelo intervalo de gerações.

É possível trabalhar com dois fatores dessa equação: o primeiro é a intensidade de seleção, em que podemos impor uma forte pressão de seleção, como, por exemplo, a escolha das matrizes que permanecerão e as que serão descartadas do rebanho; o segundo fator que podemos alterar é, por exemplo, diminuir o intervalo de gerações através da utilização dos touros jovens. Dessa forma, maximiza-se o ganho genético. Isso é traduzido em maior quantidade de quilos de bezerros por hectare, aumento na taxa de prenhez e aumento da taxa de desfrute da propriedade.

Os animais que são selecionados para participar de um teste de progênie devem passar por um rigoroso processo de avaliação que deve compreender todas as fases desse indivíduo. No Paint, o Programa de Avaliação e Identificação de Novos Touros, os animais são avaliados ao desmame, ao sobreano, recebem o Certificado Especial de Identificação e Produção (Ceip) e apenas 0,1% dos animais nascidos e avaliados são selecionados para o teste de progênie.

Nesta safra, por exemplo, tivemos 25 mil machos nascidos e apenas 16 jovens reprodutores foram selecionados para terem genética disseminada.

Na fase de desmame, os animais são avaliados em grupos de contemporâneos, em que são pesados e passam pelo processo de avaliação por escores visuais de CPM (conformação, precocidade e musculosidade), pois queremos que o animal seja pesado e tenha uma distribuição adequada desse peso.

Para André de Souza, a genômica é uma tecnologia que trabalha lado a lado com a seleção massal

Após esse processo, são realizadas as análises estatísticas e temos a classificação dos animais avaliados através de um índice. Da mesma forma, faz-se ao sobreano, quando esses animais têm 16 meses. Então, até o momento, avalia-se a fase na qual o indivíduo tem forte influência do ambiente criado pela mãe e também mensuramos como esse indivíduo é capaz de se desenvolver sozinho.

Os melhores animais são candidatos a receberem o Ceip, documento que comprova a superioridade genética do animal e que é chancelado pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa). Os 200 melhores animais classificados passam ainda pela avaliação genômica.

A genômica é uma tecnologia que trabalha lado a lado com a seleção massal na identificação dos melhores animais. Através da ferramenta genômica consegue-se aumentar a acurácia, eleva-se o fator confiabilidade desses animais. Eles chegam a ter 70% de acurácia em suas características, isso equivale dizer que esse jovem reprodutor já possui 20 filhos avaliados.

Há alguns critérios que os programas de melhoramento genético devem se atentar na hora de selecionar os animais que farão parte do teste:

• Pressão de seleção: os animais devem ter passado por etapas e sido avaliados em toda sua vida até chegarem à puberdade e terem obtido desempenho quanto indivíduos que mostram sua superioridade genética, de tal forma que foi comprovada através do certificado de avaliação genética, como é o Ceip.

• Acasalamento dirigido: a maioria dos programas dispõe de software de acasalamento dirigido, no qual são calculadas e preditas as DEPs dos produtos que nascerão. Esses cálculos são gerados a partir das DEPs das matrizes e dos touros utilizados, sempre buscando otimizar o ganho genético. Sendo assim, os touros jovens são os maiores valores genéticos dentro de um programa e promoverão acelerado ganho nas gerações futuras. É importante ressaltar que nessa etapa o pecuarista deve levar em considerações as revisões fenotípicas que os touros possuem, a fim de buscarem animais de fenótipo interessante ao sistema em que está inserido.

? Consistência genética: é importante que os animais escolhidos para participarem de um teste de progênie tenham as informações genéticas das mães analisadas, como, por exemplo, filhos de vacas que pariram precocemente e que são longevas, mantendo-se produtivas dentro do rebanho por longo período.

? Consanguinidade: essa é uma questão que deve ser analisada com muito cuidado, pois um coeficiente de endogamia elevado pode ocasionar defeitos genéticos e levar à diminuição de produtividade. Por essas razões, os animais que compõem o teste de progênie não devem ser de poucas linhagens, isso limita a sua utilização.

? Quantidade a ser utilizada: essa é uma questão que vem sendo muito debatida entre técnicos e produtores. Não existe uma quantidade máxima, na verdade é que a utilização de touros jovens deve ser massificada e utilizada em larga escala. Dentro do Paint, a orientação é que sejam utilizados em pelo menos 15% das matrizes de cada fazenda que participa do programa.

Quais as vantagens em se utilizar um touro jovem? Temos inúmeras vantagens, como o melhor e maior aproveitamento das DEPs dos touros de maior potencial genético; a disseminação dessa genética superior; dentro dos programas de melhoramento, ocorre o que chamamos de aumento dos laços genéticos, dessa forma, ocorre melhoria nas avaliações; aumento da intensidade de seleção; e diminuição do intervalo de gerações e tem-se oportunidade de mercado.

Atualmente vemos em leilões e dados de centrais de inseminação que os touros que são mais valorizados e têm maior demanda são os líderes dos sumários. Então, a oportunidade de mercado é essa. Você, produtor, pode ter o que o mercado quer comprar, como filhos de Lítio AJ, Quaraça 34 da Bacuri, PAINT Nitro, PAINT Domínio e PAINT Phanton, por exemplo, touros que foram provados quando passaram por testes de progênie. É como diz o velho ditado: bebe água limpa quem chega primeiro.

*André de Souza é médico-veterinário e gerente do Paint, programa de melhoramento genético para bovinos de corte da CRV Lagoa