Raça do Mês

 

NOVO CARACU

Adaptado e pronto para disseminar 35 anos de melhoramento genético

Marina Petri

A raça desembarcou no Brasil quando não passávamos de uma Colônia, há quase 500 anos. Desde então, está completamente adaptada às condições geográficas brasileiras. Enquanto algumas raças, com excelente qualidade de carne, apresentam dificuldades de se ajustar ao clima tropical, com temperaturas elevadas, o Novo Caracu é uma das melhores alternativas NOVO CARACU para quem quer um animal adaptado e visa ao mercado da carne nobre e ao ganho de peso.

O seu perfil explica muito: fêmeas que apresentam boa habilidade materna, excelentes índices de fertilidade, facilidade de parto e docilidade. Os touros são resistentes, têm rusticidade, ótima conformação de carcaça, precocidade, são imbatíveis na cobertura a campo — 50 vacas/touro – e Adaptado e pronto para disseminar 35 anos de melhoramento genético também desenvolveram enorme potencial para qualidade da carne.

Para chegar às características atuais do chamado Novo Caracu, foram quase cinco séculos de seleção natural. A raça de origem europeia, Bos Taurus, enfrentou alimentação escassa, doenças, temperaturas elevadas e altas cargas parasitárias durante esse período. Por isso é considerado, verdadeiramente, um gado europeu adaptado ao clima brasileiro.

Depois de passar algumas décadas em um processo de quase extinção por causa da ascensão dos zebuínos, o Novo Caracu superou muitas dificuldades, entre elas o preconceito de alguns pecuaristas, provando ser, hoje, uma das melhores alternativas de cruzamento industrial nos trópicos. Em todo o Brasil, os mais de 120 criadores contam com o apoio da Associação Brasileira de Criadores de Caracu, a ABCCaracu. Assim, a Raça está em constante evolução e presente em 26 estados da Federação, comprovando na prática a enorme adaptabilidade às mais adversas situações geográficas e climáticas.

A partir desse animal adaptado, a Associação passou a incentivar o melhoramento genético visando a animais ainda mais produtivos, com melhor qualidade de carne e preservando as características originais de adaptabilidade. Assim surgiu a parceria com respeitadas entidades nacionais como: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) – com o Programa de Melhoramento Genético Geneplus, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Instituto de Zootecnia de São Paulo (IZ).

MELHORAMENTO GENÉTICO

Depois do “mal da vaca louca” que se alastrou pela Europa na década de 1980, passou a existir uma pressão crescente por uma terminação precoce, livre dos riscos de doenças. Trata-se de um movimento mundial em direção à compra de animais jovens, que ofereçam carne de qualidade e com pH baixo. Assim, a carne não escurece e nem endurece, ficando mais atrativa ao consumidor no ponto de vendas, girando com mais facilidade. O Novo Caracu vem exatamente atender essas exigências, graças ao consistente trabalho de aprimoramento genético.

Essas parcerias, após mais de 35 anos, entre a ABCCaracu, Iapar, IZ e Embrapa resultaram nos ganhos genéticos que os pecuaristas desfrutam hoje. A atuação dessas instituições atendeu as premissas do trinômio: genótipo-ambiente-mercado. Em outras palavras: a preocupação em manter a boa adaptabilidade dos animais, a eficiência da produção e a qualidade final do produto.

Com a orientação da Embrapa Gado de Corte e simultaneamente ao surgimento do renomado Programa de Melhoramento Genético Geneplus, deu-se início ao trabalho de aprimoramento que resultou no Novo Caracu. Em 2015, 54 fazendas de todo o País somavam 81.753 cabeças de gado Caracu participantes do Programa.

Os dados coletados nas fazendas são enviados à Embrapa e, após serem feitas as análises, retornam ao criador na forma de DEP’s, Diferença Esperada na Progênie. O criador recebe um software com os dados da fazenda e consegue analisar o progresso genético anual, as linhas de tendência e a avaliação dos acasalamentos. Nessa fase, o criador seleciona os reprodutores que deseja utilizar e as matrizes que serão colocadas em estação de monta. A partir das características de cada animal, o software simula e avalia o acasalamento, gerando uma previsão de como sairá a cria. De acordo com os objetivos da fazenda, são escolhidos os acasalamentos mais promissores.

Para João Victor Battistelli, zootecnista técnico da ABCCaracu e do Programa Geneplus, “a coleta de dados é de grande importância dentro de um programa de melhoramento. São esses os dados que abastecem a base de informações e dão consistência e confiabilidade nas avaliações. Com os resultados em mãos, cabe ao criador, junto ao técnico responsável, fazer a leitura correta das tendências da fazenda para cada característica analisada e, a partir dessa análise, tomar as decisões mais adequadas para melhorá-las, sempre em busca do objetivo traçado na implantação do programa.”

Os resultados nas propriedades já são vistos e, comprovadamente, estão melhores a cada ano, segundo o zootecnista, técnico do Programa Geneplus e inspetor técnico da Raça Caracu, Bruno Barzotto Abdalla. “Por exemplo, na última avaliação, nós tivemos ganho no peso ao sobreasobreano. Um ganho surpreendente em um curto intervalo de tempo. É muito importante ter essas informações de ganhos genéticos anuais e da raça em geral, porque assim os programas de melhoramento tornam-se uma ferramenta fundamental ao desenvolvimento da pecuária mundial”, conta o profissional.

Abdalla ainda afirma que a tendência é que os programas sejam amplamente utilizados pelos pecuaristas no intuito de qualificar o rebanho que se deseja obter, seja focado em produção de touros, matrizes ou produtos. “É um trabalho voltado ao melhoramento genético, seja ele de qual raça for, e que só tem a contribuir com os aumentos da produtividade nesse novo contexto econômico em que a pecuária está inserida. Com os animais avaliados, podemos garantir ao pecuarista que eles são realmente melhoradores e que, quando utilizados na reprodução, poderão expressar aptidões acima da média”, ressalta Abdalla.

Para o pesquisador da Embrapa Roberto Torres, engenheiro agrônomo e doutor em melhoramento genético, “é uma ignorância imaginar que a gente pode produzir carne e ser competitivo no mercado mundial com raça pura.” O pesquisador explica que “a heterose, o vigor híbrido nos animais cruzados, proporciona uma produção com maior lucratividade, melhoria de qualidade de matrizes, melhoria de desempenho. Há mais facilidade em selecionar e direcionar a produção como, por exemplo, macho para carcaça. Isso sem se preocupar tanto com a parte reprodutiva”, já que a carne que resulta dessa heterose “tem essa possibilidade de conquistar mais o mercado. O efeito desse vigor híbrido é maior quando a distância genética entre as raças também é maior.”

Os touros provados do Novo Caracu têm sêmen disponível em sete centrais em todo o País.

NOVO CARACU NAS CENTRAIS

Uma das formas de se começar o cruzamento industrial com o Novo Caracu é através da inseminação artificial (IA). Nesse caso, o pecuarista pode dispor de uma grande quantidade de sêmen, com linhagens diferenciadas, em mais de sete centrais de inseminação. Alexandre Zadra, zootecnista e supervisor de área da CRI Genética, conta que, para se fazer um animal tricross, é necessário usar um animal adaptado ao Brasil tropical. “É preciso ter pelo fino, chamado de pelo zero e, dentre as raças que transmitem pelo zero, a Caracu é a que melhor complementa o Angus. Quer dizer, o Novo Caracu é um animal tipo continental e tem uma musculosidade excepcional que complementa a raça Angus”, explica Zadra.

Por ser considerado um animal que traz excelentes resultados, as centrais vêm aumentando a disponibilidade de sêmen de touros Caracu. Zadra explica o motivo: “Existe uma tendência no uso do Caracu mocho sobre essas matrizes meio-sangue Angus. Os técnicos vêm colhendo resultados há alguns anos desse tricross, sabendo que vão produzir animais rústicos, com bom ganho em peso e com uma carne muito macia.”

Com o aumento na oferta, Zadra espera também um crescimento nas vendas de sêmen: “a IATF traz facilidade e menor dependência de mão de obra. No Brasil temos cerca de um milhão de matrizes F1 Angus. Agora, elas precisam de um cruzamento com uma raça adaptada, tipo continental. Essa terceira raça deve ser taurina para fazer carne macia, ter pelo zero e um bom tamanho de carcaça”. Esse é o Novo Caracu.

Os pesquisadores da Embrapa confirmam que a raça Caracu é uma das melhores para cruzamentos por causa da sua rusticidade e qualidade. O cruzamento industrial com a raça Nelore, por exemplo, gera animais dentro dos padrões exigidos pelo mercado mundial: precocidade e carne de qualidade.

Uma pesquisa realizada pela Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul – a BifeQuali Cruza – fez um comparativo de desempenho entre o Novo Caracu e o Angus quando usados nos cruzamentos com Nelore. Além de avaliar os touros, a pesquisa também observou o desempenho dos bezerros, filhos do Novo Caracu com matrizes cruzadas. “Esses animais tiveram um peso final muito semelhante aos animais 3/4 taurinos não adaptados. Com a vantagem de não sofrerem com o calor e de apresentarem essa questão de qualidade de carne superior”, conta Torres. A pesquisa concluiu que o Novo Caracu, voltado pra seleção de corte, proporciona um bom novilho. O touro trabalha em monta a campo e o cruzado, por ser adaptado, exige menos cuidados durante o processo de recria.

O Iapar também realizou pesquisas com a raça. Daniel Perotto, PhD em melhoramento genético animal e pesquisador do Instituto, em Ponta Grossa, no Paraná, conta que “o principal desafio que se impõe aos pecuaristas consiste em entender que o sucesso do cruzamento depende de vários fatores, entre os quais a aptidão biológica da raça e a estrutura de rebanho, que determina a percentagem de mestiços no rebanho e portanto o nível de heterose que pode ser explorado. No caso do Novo Caracu, trata-se de uma raça excelente em características maternas e como tal deve ser explorada nos cruzamentos. Há que se lembrar que uma das grandes vantagens do cruzamento surge quando o esquema adotado pelo pecuarista permite a exploração de uma alta percentagem de vacas cruzadas como matrizes.”

As centrais consideram a raça fértil, com touros espetaculares. “Quando se utilizam grandes reprodutores sobre uma matriz meio-sangue Angus, nós fazemos uma tricross muito boa, de alta fertilidade. O Novo Caracu proporciona uma dimensão de tamanho muito boa. Ele é muito precoce e, realmente, com habilidade materna espetacular. É uma grande mãe! Até mesmo a meio-sangue Caracu com Nelore”, entusiasma-se Zadra.

QUALIDADE DA CARNE

A maciez e a suculência são as características fundamentais da carne que o mercado vem exigindo e valorizando. Na procura por atender essa demanda, o criador Lício Isfer foi o primeiro a entrar no programa de melhoramento genético visando o Novo Caracu. Isfer é pecuarista há 40 anos na Fazenda Guaraúna, localizada no Paraná.

Ele é dono de um plantel de 1.000 cabeças distribuídas em 250 hectares, e quis transformá-las em animais de ponta, com maior musculatura, maciez e suculência na carne. Isfer conta porque decidiu implantar um programa de melhoramento genético: “Primeiro despertei para o fato de que vendemos carne e não boi. Depois percebi uma tendência mundial em valorizar a carne de qualidade. Não queria ficar de fora desse movimento. Temos que aproveitar esse nicho de mercado e estimular o diferencial por qualidade que o consumidor final está procurando. Cada estação de monta que a gente deixa passar sem tomar uma atitude ficamos mais distantes desse ideal da carne pelo qual todos estão trabalhando.”

A carne do Novo Caracu foi comprovadamente considerada mais macia depois de pesquisas realizadas. O Laboratório Designer Genes Technologies Brasil fez uma análise com animais da Raça Caracu durante a ExpoLondrina, a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, cidade no Norte do Paraná. A coordenadora do laboratório, Liliane Suguisawa, conta que os animais com Área de Olho de Lombo (AOL) acima de 75 cm² indicam ser animais de alto rendimento de cortes cárneos. Os touros Caracu da exposição tinham valor médio de 116,44 cm².

Também foi levada em consideração a Espessura de Gordura Subcutânea (EGS).

A indústria frigorífica no Brasil exige, no mínimo, 3 mm para proteção durante resfriamento intenso das câmeras frigoríficas e também é um indicativo de precocidade. Os animais tinham em média 7,04 mm.

E por último, o Marmoreio, a gordura entremeada na carne. Estudos da Associação Canadense de Classificação de Carcaças chegaram à conclusão de que a marmorização influencia no paladar da carne. Essa influência pode variar de 7 a 33%, dependendo da situação. Para os entendedores de carne, sabe-se que o Marmoreio é a condição básica para atender os pedidos de mercados mais exigentes e nichos que remuneram por essa qualidade. O valor mínimo exigido é de 1,51. Os animais da ExpoLondrina tiveram resultado de 2,46.

Para Torres, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, a carne do Novo Caracu pode ser considerada mais saudável porque os novilhos exigem menos cuidados durante o processo de recria, já que são mais adaptados. “Esse uso de produtos químicos para controle de parasitos e carrapatos é uma coisa que tem sido levantada como muito importante para a segurança dos alimentos. Quando comparado a um animal 3/4 zebuíno, ele ainda tem uma qualidade de carne superior, que permite agradar clientes de mercados mais exigentes”, explica Torres.

Perotto, pesquisador do Iapar, defende que a implementação de sistemas de produção que antecipem a idade do abate contribuem para melhorar a qualidade da carne, alimento rico em proteínas, das quais grande parte da população humana é carente.


BOI 777

O objetivo dessa técnica é otimizar o ganho de peso e a qualidade da carne em um período reduzido de tempo. Ou seja, acelera-se a terminação do animal fazendo uso de uma boa nutrição. Ao mesmo tempo, visa-se a uma carcaça de qualidade usando combinações genéticas apropriadas. Como resultado, tem-se um boi que proporciona cortes mais bonitos, saborosos e mais valorizados pela indústria e pelo varejo. Tudo isso mantendo a criação o menor tempo possível dentro da fazenda.

Para Flávio Dutra de Resende, pesquisador científico da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), e coordenador do projeto Boi 777, o pecuarista precisa focar nas arrobas produzidas por ha/ano. “A média brasileira é muito baixa, cerca de 4 arrobas ha/ano e conforme dados do levantamento do Rally da Pecuária, propriedades que estão produzindo menos de 6 arrobas ha/ano estão no vermelho e o pecuarista não sabe”, conta Resende.

Exemplos de cruzados Nelore x Caracu na Fazenda Primavera, em Presidente Médice, estado de Rondônia

A técnica está dividida em três fases: a da cria, de recria e a de terminação. Resende explica como funcionam essas três fases: “Na fase de cria, tem-se o aumento da fertilidade do rebanho e a antecipação de partos na estação de nascimentos, com consequente melhoria no peso à desmama. O resultado final é mais kg de bezerros desmamados/ha/ ano. Na fase de recria, há uma melhoria significativa do desempenho individual dos animais e, consequentemente, aumento no ganho por área. E, por último, a fase de terminação, na qual o animal tem maior potencial de ganho em carcaça. O pecuarista começa a observar aumentos nos rendimentos de carcaça da boiada e, em decorrência disso, maior peso de carcaça ao abate.”

O resultado da técnica é um abate mais rápido, em até dois anos, enquanto o tradicional é em torno de três anos. Ou seja, é possível fazer três giros em seis anos, enquanto normalmente se faz dois em seis anos. O pecuarista acaba tendo mais retorno na mesma quantidade de área. Uma carcaça mais jovem recebe mais aceitação do mercado, até podendo participar de programas de bonificação.

Porém, Resende ressalta que o segredo está no uso de um bezerro com potencial de ganho, ou seja, que tenha respaldo genético, além de uma sanidade em ordem e pastagem em condições adequadas. Há uso de complementação nutricional nos períodos mais críticos. “A falta de potencial genético do animal limitará o desempenho e comprometerá o sucesso da operação, pois todos os custos fixos da fazenda são os mesmos, com genética boa ou não”, afirma o pesquisador.

Para ele, a raça Novo Caracu “já passou por intensos processos de seleção e sua rusticidade é inquestionável. Tal rusticidade, associada ao potencial de ganho de peso, são fundamentais para obtenção dos objetivos propostos pelo sistema 777, que é desmamar um bezerro com 7 arrobas, colocar mais 7 arrobas na recria em até um ano e terminar o animal em até quatro meses em confinamento, ou semiconfinamento, como mais 7 arrobas. Totalizando, assim, 21 arrobas em até 24 meses de idade.”

Roberto Torres explica que a heterose proporciona uma produção com maior lucratividade, melhoria na qualidade de matrizes e no desempenho


ADAPTAÇÃO E RUSTICIDADE

A raça Novo Caracu está espalhada por 26 estados do Brasil. Em Rondônia, José Alberto Simões da Silva, conhecido por Seu Zé, ficou com receio de investir na raça quando o médico veterinário, especialista em reprodução bovina, Jeferson Palauro, surgiu com a ideia de inseminar dez vacas Nelore com sêmen de Novo Caracu. Os resultados começaram a aparecer após quatro meses de nascimento dos novilhos. “Peguei a balança do meu irmão, pesamos os bezerros com quatro meses. Vocês sabem quanto o Caracu deu para o Nelore? Duas arrobas de diferença. Isso com o mesmo pasto, mesmo capim e mesmo mineral”, conta Seu Zé.

Palauro descreve que o animal adaptou- se bem à Região Norte do Brasil: “Ele saiu do frio e adaptou-se ao calor aqui de Rondônia. O Novo Caracu demorou 30 dias para se acostumar e foi perdendo pelo nesse período. É um animal hoje extremamente adaptado e rústico. Coisa que os criadores aqui de Rondônia valorizam muito, já que o clima aqui é muito quente e os carrapatos aparecem com facilidade.”

Seu Zé manteve as fêmeas F1 e pretende fazer a recria com o auxílio do especialista. “A raça Novo Caracu agrega peso, habilidade materna, docilidade. Ele é rústico, fácil de mexer e é um animal que tem baixo custo”, completa Palauro.

Em Tocantis, os criadores também enxergam os resultados positivos com o Novo Caracu. Perisson Ricardo Peris, inspetor de Registro Genealógico da ABCCaracu conta que a facilidade digestiva do animal, que consegue digerir capim grosseiro, e o pelo curto, resistente a ectoparasitas, garantiram o sucesso da raça no estado. “Colocamos os bezerros aqui vivendo com outras raças, nas mesmas condições, e o Novo Caracu saiu na frente. A média é de animais com 20 arrobas com 22 meses. Isso garante que ele poderá ser abatido mais cedo, já que ele se adianta em torno de seis meses com relação ao Nelore”, conta Peris.

O estado também é muito quente, com temperaturas altas, e um inverno seco considerado um período crítico. Para Peris, o touro Novo Caracu traz melhores resultados também de cobertura: “Uma outra raça não cobre por causa do calor. O touro de outra raça estaria na sombra quando estivesse sol. Aqui no estado, o Novo Caracu cobre de 40 a 50 matrizes e em outras raças esse número cai e fica em torno de 30 vacas. Não tem outro animal para competir em termos de rusticidade.”

FÊMEAS DISPUTADAS

As fêmeas F1, vindas do cruzamento de Novo Caracu x zebuínas, chegam a ser disputadas por criadores que realizam o cruzamento tricross ou necessitam de fêmeas para receptoras de embriões. O cruzamento tricross tem a premissa de manter um bom nível de heterose e introduzir características desejáveis da terceira raça. Ou seja, quando se cruza Nelore x Novo Caracu, se obtém um gado com mais características do Novo Caracu aquelas já citadas anteriormente.

As fêmeas Novo Caracu são diferentes e destacam-se pelo porte e conformação da carcaça. São conhecidas por terem uma indiscutível habilidade materna, fertilidade, produtividade de leite (que se reflete no ganho de peso do bezerro), docilidade e facilidade no manejo com a cria. Tudo isso conseguindo adaptar-se às adversidades ambientais e nutricionais.

Nas pesquisas realizadas pela Embrapa Gado de Corte, a fêmea Novo Caracu cruzada com Nelore apresentou uma precocidade sexual superior à da novilha Nelore, quando desafiada muito cedo, e inferior à da fêmea Angus. Mas, segundo Torres, “para aqueles criadores que trabalham com a prenhez aos dois anos, as fêmeas Caracu x Nelore não diferiram das fêmeas meio-sangue Angus. As duas tiveram desempenho superiores em relação às fêmeas puras Nelore. E também foram superiores na capacidade de reconcepção. Um gargalo muito grande no sistema de cria. Isso mostra que quando se faz o cruzamento com o touro Novo Caracu, em cima das matrizes Nelore, é produzida uma fêmea extremamente aproveitável no sistema de produção e que pode ajudar a aumentar a rentabilidade da propriedade.”

Uma das marcas registradas é a habilidade materna dos animais

DESAFIOS PARA O FUTURO

Para os especialistas e conhecedores do Novo Caracu, é preciso disseminar mais os benefícios gerados pela raça: “É um setor que, infelizmente, ainda vive de modismos. Há expectativas por soluções mágicas. O Novo Caracu deve trabalhar para superar preconceitos e conquistar espaços”, explica Torres. Para ele, os touros e fêmeas dessa raça têm todas as qualidades necessárias para se firmar como uma grande solução nacional rumo à excelência na pecuária.

Para Torres, também é importante para o Novo Caracu “continuar estimulando bons trabalhos de seleção, que mantenham a funcionalidade da raça, mas que proporcionem animais cada dia melhores, com excelente desempenho em ganho de peso, com formação de carcaça cada dia melhor, em termos de musculosidade do animal e de seu acabamento. Fazer uma parceria estreita com as empresas de coletas de dados e ultrassom para que a gente tenha uma avaliação da raça para qualidade de carcaça. Talvez em um futuro próximo, investir na identificação desses animais de melhor eficiência.”

Perotto, pesquisador do Iapar, concorda: “O principal desafio que o Caracu enfrentará no futuro será a concorrência com as raças compostas que estão em formação no Brasil ou que estão sendo importadas de outros países como da África do Sul. Não creio que esteja faltando algo ao Novo Caracu, basta continuar o trabalho de seleção visando ao aprimoramento de características maternas e o entendimento de que se trata de uma raça materna e como tal deve ser explorada”.


CARACTERÍSTICAS

NOVO CARACU

- Rusticidade
- Resistência ao calor
- Super cobertura a campo
- Resistência a endo/ectoparasitas
- Prepúcio alto
- Casco preto e resistente
- Facilidade de partos
- Mais bezerros em seu rebanho

Mais de 35 anos de melhoramento genético