Mercado

Mercado segue firme rumo ao quarto trimestre

As exportações de carne bovina brasileira voltaram a crescer no mês de agosto, após a queda em volume e em faturamento observada no mês de julho. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), foram embarcadas 114,3 mil toneladas de carne bovina que resultaram em um faturamento de US$ 468 milhões, proporcionando um aumento de 4% em volume e 10% em faturamento frente ao mês de julho.

Os dois principais importadores de carne bovina do Brasil no mês de agosto foram Hong Kong e União Europeia. Ambos apresentaram crescimentos nas importações, tanto em volume como em faturamento. Os aumentos foram da ordem de 20% em volume e de 24% em faturamento para Hong Kong, enquanto que para a União Europeia os aumentos foram de 28% em volume e de 36% em faturamento, merecendo destaque especial. Vale ressaltar o salto da China da nona colocação em julho para a sétima colocação em agosto, mostrando a retomada das importações.

Analisando o acumulado do ano, de janeiro a agosto, ainda segundo dados da Abiec, houve crescimento de 9% em volume e retração de 2% em faturamento quando comparado ao mesmo período do ano passado.

Dentre as categorias mais exportadas, a carne in natura continua na liderança, seguida da industrializada, dos miúdos, das salgadas e das tripas.

Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o Brasil exportou em agosto 43,6 mil cabeças de bovinos vivos que resultaram em um faturamento de US$ 33,1 milhões. Em relação a julho, houve aumento de 140,4% em volume e 160% em faturamento. O principal destino foi a Turquia, que importou 38,6% do volume total de animais que deixaram o território brasileiro.

O mês de setembro foi marcado pelo começo das exportações de carne bovina in natura para os Estados Unidos. Como relatado na edição passada, após anos de negociação, o Brasil conseguiu abrir um novo nicho dentro do país norte-americano e agora passa a exportar também carne in natura. A previsão do início das exportações do novo produto era somente para meados de novembro; porém, os trâmites administrativos estão sendo resolvidos e já foram enviados dois contêineres sul- -mato-grossenses para as terras americanas.

A arroba brasileira segue vantajosa no mercado internacional frente às outras praças exportadoras. A tabela do Boi Gordo no Mundo mostra os preços praticados da segunda quinzena de agosto à primeira quinzena de setembro.

Os elevados preços dos grãos praticados ao longo do ano de 2016 assustaram os pecuaristas que utilizam esses insumos em seus sistemas de produção. Porém, as situações favoráveis das lavouras de soja e de milho norte-americanas estão pressionando os preços para baixo no mercado internacional de grãos. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), apenas 7% das lavouras de milho estão em condições ruins. É esperado um aumento de 11,4% na produção de milho na safra americana de 2016/2017, chegando a quase 385 milhões de toneladas.

Segundo dados da Scot Consultoria, os frigoríficos que não desossam conseguiram aumentar sua margem em 5,2 pontos percentuais da primeira semana de setembro para a segunda semana do mesmo mês e chegaram a um total de 19,5% de margem. Esse fato é decorrente dos aumentos dos preços da carne, tanto no varejo como no atacado, pois houve redução dos estoques e aumento da demanda interna, apesar do escoamento ainda estar lento.

Embora tenha ocorrido a recuperação da margem das indústrias devido a esse aumento de preços, ainda há resistência para o repasse significativo aos pecuaristas, pois os frigoríficos estão tentando ressarcir-se das margens estreitas confrontadas durante os últimos meses. Porém, a oferta restrita de animais terminados devido à entressafra força as indústrias a aumentarem um pouco o preço da arroba. Com isso, o mercado segue bem firme e não há previsão de retração de preços.

O gráfico da Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF mostra o comportamento dos valores praticados de 16/08 a 15/09. Podemos observar que os preços na maioria das praças a partir do começo do mês de setembro tiveram ligeiro aumento devido aos fatos já supracitados. Apenas o estado do Rio Grande do Sul teve retração de preço acentuada.

Apesar da recuperação do preço da arroba e com a melhora nas condições das pastagens com a entrada do período chuvoso do ano, não é esperado aumento de preços significativos no mercado da reposição. Ainda há resistência por parte do invernista em pagar os preços praticados, embora venha ocorrendo queda mensal desde o começo do ano. A expectativa é que o mercado da reposição ande de lado no futuro próximo.

O gráfico da Média do preço da desmama mostra os preços realizados de 16/08 a 15/09. Houve retração em todas as praças apresentadas que ficaram, em média, na ordem de 1,76% frente aos 30 dias anteriores ao do período analisado.

Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF - 16/08 a 15/09/2016

Fonte: Scot adaptado por Boviplan
*RS em R$/kg PV.

As relações de troca do boi gordo com a desmama e do boi gordo com o boi magro melhoraram entre a segunda quinzena de agosto e primeira quinzena de setembro, devido ao aumento de preço da arroba e ao recuo do preço da reposição. O gráfico da Relação de troca média mostra os números obtidos. Somente os estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul apresentaram piora pontual nas relações de troca quando comparados aos 30 dias anteriores. Ponto positivo para o invernista que vinha sofrendo com o estreitamento de sua margem devido aos preços da reposição.

Média do preço da desmama de 16/08 a 15/09/2016

Fonte: Scot adaptado por Boviplan

No geral, a retomada do crescimento das exportações e a ligeira melhora no preço da arroba não mascaram as desconfianças que ainda pairam no ar. As incertezas políticas e econômicas do Brasil geram dúvidas quanto ao rumo do País, porém, o que estamos presenciando é um mercado de carne sólido para os próximos meses.

Relação de Troca média - 16/08 a 15/09/2016

Fonte: Scot adaptado por Boviplan
*Relação de Troca refere-se ao cruzamento industrial

Por fim, a expectativa para o próximo mês é que os preços mantenham- -se firmes, com possíveis aumentos pontuais como os já observados, pois as indústrias estão com as margens um pouco mais folgadas e há restrição de oferta de boiadas terminadas; portanto, é plausível praticar um preço maior na aquisição da matéria-prima. Além disso, o mercado de reposição tende a andar de lado e as exportações prometem continuar crescendo.

Antony Sewell e Arthur G. S. Cezar
Boviplan Consultoria