Expointer

 

Show de genética

Apesar da queda na venda de animais, feira realizada em Esteio/RS valorizou o trabalho de qualificação do rebanho brasileiro

Uma das mais tradicionais exposições agropecuárias do País, a 39ª Expointer foi realizada entre os dias 27 de agosto e 4 de setembro, no Parque Assis Brasil, em Esteio/RS. Os resultados financeiros da feira foram considerados de superação econômica pelo Governo do Rio Grande do Sul, que é promotor do evento.

No total, os negócios tiveram incremento de 12,5% em comparação com o ano passado, chegando a R$ 1,923 bilhão. A venda de máquinas agrícolas contabilizou R$ 1,909 bilhão. A comercialização de animais somou R$ 11,775 milhões, volume 24,9% abaixo da receita obtida em 2015.

O presidente da Comissão de Exposições e Feiras da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Francisco Schardong, diz que, apesar da queda na venda de animais, há uma projeção positiva para os remates de primavera, quando os criadores buscam a qualificação dos rebanhos. “A compra de reprodutores por outros estados gera uma expectativa bastante positiva, principalmente para os cruzamentos que vêm sendo realizados no Centro- -Oeste”, avalia.

A qualidade da carne produzida a partir da genética gaúcha foi ressaltada pelo vice-presidente da Farsul, Gedeão Pereira. “O Brasil está nos enxergando com olhar diferenciado, especialmente os maiores mercados de carne gourmet, com destaque para São Paulo”, considera.

A Expointer 2016 recebeu a inscrição de 4.285 animais. O número ficou abaixo do registrado no ano passado, quando a feira contou com a presença de 4.758 exemplares. Criadores alegaram, entre outros motivos, o alto custo para participar da exposição, a longa duração da feira e a dificuldade de encontrar mão de obra para cuidar dos animais durante o evento.

A Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac) irá capitanear um movimento entre os empresários e entidades do setor para garantir um subsídio aos criadores que expõem seus animais na Expointer. A ideia é viabilizar uma ajuda financeira aos produtores que facilite a adesão à exposição já em 2017. “Iremos prospectar um aporte extra que auxilie na presença de mais criadores e mais raças em Esteio”, observa o presidente da Febrac, Eduardo Finco. Segundo ele, é preciso “lotar os pavilhões mais uma vez”. Nesse trabalho, a Febrac também pretende integrar novas raças para unir esforços em apoio tanto às grandes associações quanto às pequenas.

Além dos julgamentos, provas e leilões de animais, a Expointer tem uma programação intensa de discussões sobre as cadeias produtivas do setor. Um dos encontros realizados este ano envolveu a nova Lei do Leite, que entrou em vigor em junho. O Sindicato dos Médicos Veterinários no Estado do Rio Grande do Sul (Simvet/RS) reuniu representantes do Governo, indústrias e fiscalização para debater a nova legislação, que ainda está no prazo de adequações. Segundo a representante da diretoria do Simvet/RS, Andréa Troller Pinto, a nova regulamentação vai auxiliar toda a cadeia produtiva, passando pelo produtor, a indústria e o transportador. “Nós vamos ter mais segurança com relação à matéria-prima e, obviamente, as empresas que prezam pela qualidade vão rapidamente se adequar às determinações. A cadeia ficará sob controle”, afirma, destacando que o transporte, descoberto da legislação anterior, terá de cumprir uma série de requisitos ou sofrerá punições.