Brasil de A a Z

 

Poeira, estrada... e muito gado

William Koury Filho é zootecnista, mestre e doutor em Produção Animal, jurado de pista de Angus a Zebu e proprietário da Brasil com Z® – Zootecnia Tropical

Amigos da lida, setembro foi um mês de muito trabalho de curral e muita poeira nas andanças pelo País. Em plena seca, a conversa sobre a chuva é sempre um dos assuntos mais comentados pelos produtores, seja para reclamar da falta dela – como se todo ano não houvesse seca –, seja para comemorar a chuva recém caída, ou prevista.

Enquanto isso, em Brasília, o novo governo tenta segurar as rédeas da economia e administrar a crise política instaurada em meio a escândalos de fundos de pensão e indiciamento do ex-presidente na Lava Jato. O ambiente também está muito quente no planalto central e suas conexões. Vale lembrar que estamos em tempos de eleições municipais, e a “arma” mais certa que temos para substituir os políticos ruins pelos bons é o voto. Façamos a nossa parte, ou pelo próprio voto ou através de outras ações que poderão ser significativas para moralizarmos o quadro político do nosso País.

Pois é, mas para nós do agro não existe tempo para mimimi ou chororô, o clima está seco, as paisagens são menos alegres e é com o pó da estrada impregnado na roupa que seguimos em frente em prol da produção de um Brasil rural que dá certo e serve de exemplo.

Em agosto tivemos a Expogenética, e agora em setembro foi a Expoinel. Nesses eventos permanece a incansável discussão de quantos tipos de Nelore existem. O grande dilema sobre pista ou prova, e os estereótipos de que se é de prova não é bonito de raça e se é de pista não é bom nos sumários, parece estar impregnado na cabeça daqueles que gostam de um embate. O fato é que o Nelore brasileiro é um só, ajustes são necessários e a junção da ciência com o talento humano para seleção devem seguir em prol de animais cada vez mais eficientes para cumprir seus objetivos de produção.

Como esse assunto é complexo e, por vezes, cansativo em razão de algum exaltado no meio da conversa, vamos falar de conceitos e um pouco de nosso trabalho de agora. Nestes próximos três meses intensifica-se a temporada de acasalamentos dirigidos, momento em que utilizamos todas as informações práticas obtidas pelas avaliações fenotípicas acumuladas com os anos de experiências, somadas às interpretações das avaliações genéticas mais recentes nos principais programas de melhoramento genético.

No direcionamento dos acasalamentos trabalhamos com dois conceitos básicos:

1) conceito de complementariedade, ou seja, buscamos corrigir alguma característica genética ou morfológica visando a um determinado padrão de rebanho. Ex.: em matrizes mais altas e de menos costelas trabalhamos com touros mais profundos de costelas e mais “perto do chão”; em vacas menos pigmentadas trabalhamos com touros de pelagem mais firme. Nas avaliações genéticas utilizamos o mesmo critério, naquelas de menos leite utilizamos touros de genealogia e avaliações mais fortes para essa característica, assim como para ganho em peso, perímetro escrotal, etc.;

2) trabalhamos ainda o conceito de otimização, que é quando já temos algumas características forte no rebanho, e utilizamos reprodutores também fortes para fixar tal característica importante nos objetivos de seleção particular do projeto em questão.

E desse jeito trabalhamos com conceitos de seleção massal, mas olhando para o indivíduo, acasalando, uma por uma, um grande volume de matrizes por ano. Esse trabalho tem gerado resultados interessantes em qualidade e aproveitamento de reprodutores, o que economicamente impacta de maneira muito positiva o resultado financeiro dos selecionadores que produzem touros, a “semente” da pecuária.

Na próxima coluna, vou dar umas dicas sobre as características mais fortes e os cuidados que devemos ter ao utilizarmos algumas das principais linhagens e reprodutores que a BrasilcomZ tem trabalhado nesta estação de monta.

E assim segue a toada nos meses de setembro, outubro e novembro, muita estrada, muita poeira no início e algumas chuvas no decorrer do serviço. E, principalmente, muitas matrizes, genealogias, resultado de produtos, estudo de touros, enfim, muita zootecnia e melhoramento genético aplicado a campo. Vamo que vamo! Abraços e que venha a temporada de chuvas e, com ela, o verde que alegra o produtor. Valeu!