Sobrevoando

 

Catálogos

Toninho Carancho
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Sempre gostei de catálogos. É chegar a um remate e já vou atrás deles.

Pode ser o leilão, que for. Não consigo acompanhar os lances sem anotar os valores.

Pode ser aquele catálogo que na verdade é apenas uma lista de vendas, muito comum em remates de gado geral/comercial, onde consta só o nome do proprietário, a categoria do que está sendo vendido (bezerro, garrote, boi, vaca, novilha, etc.) e a quantidade.

Ou aqueles verdadeiros catálogos, onde consta a foto, dados, filiação, árvore genealógica, campeonatos e tudo mais. Para mim, é impossível ficar parado sem anotar os preços.

E depois de tudo anotado, levo para casa e guardo.

Provavelmente nunca mais vou olhar para eles, mas guardo igual. Vai que eu preciso de alguma informação. Só me livro dos catálogos quando os dois ou três lugares que tenho para estocar ficam abarrotados. Aí então, muito a contragosto, dou uma selecionada nos que eu acho mais interessantes, lembro do leilão e de alguma coisa boa ou engraçada que aconteceu e decido se fico com ele ou se vai para o lixo.

Os catálogos são uma lembrança boa para mim. Vejo touros importantes que foram vendidos por valores que hoje parecem muito baixos. Também encontro vacas (Nelore) vendidas por valores que hoje parecem muito altos. Lembro de cheiros, de pessoas, do clima, da atmosfera. Lembro também daquelas barbadas que se apresentaram e ninguém se deu por conta. Ou daquela euforia de preços altos e também ninguém se deu por conta do exagero.

É da vida. É assim que são os remates. Únicos, diferentes, do momento.

Ninguém acerta sempre a melhor compra, também nem sempre erra. Tudo isso está ali, impresso no catálogo. É como se fosse a ata da reunião. Fica tudo registrado, um pouco no papel e o resto na memória.

Mas escrevi toda essa introdução, que acabou ficando bem maior do que eu imaginava, para falar sobre o melhor material que já vi e que tenho conhecimento. Revolucionou o que eu entendia por catálogo até aquele momento. Foi como tomar um soco na cara com toda a força. Foi impactante e depois de abri-lo e ler, emocionante. Ainda me impressiono com o catálogo feito para o leilão da Fazenda Santa Gertrudes, em Morungaba/ SP, propriedade de Nagib Audi, maior investidor do cavalo Árabe daquele tempo. O ano era 1988. Tenho esse catálogo comigo, autografado pelo Nagib. O leilão se chamava “Joias Vivas” e o catálogo, o dobro do tamanho desta revista que você tem em mãos, com capa dura, tipo livro, daqueles que você tem na mesa de casa para se exibir para seus amigos, com mais de 160 páginas em cores, ricamente ilustrado e comentado.

Na capa, uma reprodução de ilustração equestre, lindíssima, feita por renomado pintor francês e o título, “2.000 anos de seleção esperam por você”. Sensacional.

Como meu espaço está terminando, vou continuar esta ode na próxima edição.

Se souberem de outro catálogo que realmente tenha chamado a atenção, enviem seus comentários pra mim, se possível vou dar uma olhada nele. Fui.