Confinador

 

ÓLEOS FUNCIONAIS

Tecnologia apresenta benefícios desde a cria até o confinamento

Juliane Diniz Magalhães*

Busca por produtividade, qualidade do produto final e maior margem de lucro é a máquina que toca a produção animal em qualquer sistema de produção. Nesse contexto, novas e inovadoras tecnologias vêm surgindo para melhorar os resultados produtivos e fornecer alimentos seguros e de qualidade à população.

Embora melhorar índices produtivos seja de suma importância, a demanda dos consumidores e da indústria passa por uma revolução em nível mundial. Os consumidores estão cada vez mais exigentes em saber a procedência do alimento que irão consumir e a indústria preocupada com a segurança e qualidade do produto que irá comercializar, informando em seus rótulos a real procedência do alimento e fomentando na mídia os produtos oriundos de sistemas de produção sustentáveis. Fatos como esses geram a necessidade de tecnologias modernas que consigam atender as exigências de mercado para produzir o alimento que está em crescimento de demanda. Um exemplo de tecnologia moderna dentro do segmento da nutrição animal são os aditivos chamados de Óleos Funcionais (OF).

Mas qual a função dos tais “aditivos” na nutrição de bovinos? A principal função dos aditivos no rúmen é controlar o ambiente ruminal, favorecendo a fermentação, melhorando a digestão e o aproveitamento dos alimentos que são fornecidos. Esse incremento visa à melhora no desempenho produtivo, aumentando a produção de carne e leite e alterando a composição dos mesmos.

O que se busca nos aditivos modernos e quais são os tipos disponíveis no mercado? Espera-se desempenho das funções semelhantes aos aditivos químicos, trazendo benefícios ao processo fermentativo no rúmen ou mecanismos de proteção à mucosa ruminal e intestinal, favorecendo a digestão e a absorção dos alimentos, além do benefício extra de serem amigáveis ao ambiente e livres de quaisquer possíveis riscos de resíduos no produto final.

Dentre os aditivos alternativos, o uso de óleos e extratos de plantas vem se ampliando a cada dia, o que tem feito técnicos do setor buscarem conhecimento de suas funções para orientar seu uso. Recentemente foram publicados em eventos científicos e revistas nacionais e internacionais resultados de pesquisas brasileiras comparando o uso de OF na alimentação de bovinos de corte e de leite em substituição aos antibióticos ionóforos, comprovando sua efetividade.

E o que seriam OF? São óleos vegetais e extratos que possuem atividades além do seu conteúdo energético. Essas atividades dependem do tipo de óleo, podendo ter atividade antioxidante, antimicrobiana ou anti-inflamatória. São exemplos: o óleo de mamona, o líquido da casca da castanha-de-caju e o óleo de coco. São aditivos para nutrição animal não químicos que estão sendo altamente demandados em nível mundial.

Muitas vezes os OF são confundidos com os óleos essenciais (OE), porém, eles têm características bem distintas. Ambos são extratos de plantas, mas os OE são derivados de essências ou especiarias, como alho, anis, alecrim, canela, tomilho, pimenta e orégano e possuem o cheiro, a essência e as característica das plantas de origem. Já os OF possuem funções específicas, atuando como antioxidantes, antimicrobianos ou anti-inflamatórios, sem apresentar o odor característico da planta que o originou.

Quando se fala em produtividade, qualidade do produto final, margem de lucro, sustentabilidade, demanda do consumidor e da indústria, como técnicos, assumimos uma responsabilidade de curto, médio e longo prazo com os modelos de produção animal que atuamos. No presente artigo abordamos como os OF compostos pelos princípios ativos cardol, cardanol e ácido ricinoleico podem contribuir para cada um dos quesitos citados.

Não há segredos na utilização dos OF, são compostos que melhoram o ambiente ruminal, trazendo saúde e maior fermentação e fazendo com que o bovino converta alimentos em carne e gordura de cobertura. Todos sabemos que para um ruminante a saúde do rúmen é determinante em sua vida produtiva, ou seja, saúde ruminal é sinônimo de produtividade e longevidade.

De forma resumida, o que se observa com o uso de OF:

• controle do pH ruminal;

• aumento na digestibilidade dos alimentos;

• maior disponibilidade de energia;

• redução na produção de amônia ruminal, redução na ureia no sangue;

• redução na produção de metano; e

• economia de energia e conversão em produtos cárneos e lácteos.

Pensando em produtividade a pasto, mesmo em condições adversas como a seca, foi avaliada a capacidade dos OF em melhorar o aproveitamento da fibra e aumentar o peso dos animais em pastejo diferido (ou vedado) apenas com suplementação mineral, dados que comprovam seus benefícios nos mais diversos sistemas de produção.

Em experimento conduzido por docentes da Universidade Estadual de Goiás (UEG) em uma fazenda no município de Mandaguari/TO, cento e vinte bovinos machos de sobreano foram divididos em 2 lotes (60 animais cada) e submetidos ao pastejo diferido em Brachiaria brizantha (Braquiarão), com água e suplemento mineral em cocho coberto à vontade, por 60 dias, nos meses de setembro a novembro de 2012. A única diferença entre os lotes foi a presença do OF.

O resultado foi um ganho adicional de 180 g por animal por dia, o que pode ser a diferença na entrada do macho em terminação ou da novilha em reprodução (Tabela 1).

Tabela 1 – Influência do Óleo Funcional sobre o ganho de peso em pastejo diferido

¹Controle: sem adição de aditivos; ²Essential: 2,43 g/animal; *p < 0,05. Fonte: SOUZA, L.R. et al. Desempenho de bovinos Nelore suplementados com óleos essenciais de caju e mamona, mantidos em pastagens de Brachiaria brizantha. PUBVET, Londrina, V. 8, N. 6, Ed. 255, Art. 1692, Março, 2014

Pensando em terminação, podemos observar os resultados dessa mudança no perfil de produção, refletindo em ganhos em carcaça e maior bonificação por cobertura, como observado no experimento conduzido pela equipe do professor Dr. Paulo Roberto Leme (FZEA/USP/Pirassununga), sob responsabilidade da mestra em Zootecnia Ana Paula Santos Silva, que comprovaram a eficiência dos OF quando comparados aos antibióticos ionóforos e não ionóforos mais utilizados no mercado. Os animais foram submetidos a uma dieta de 92% de concentrado, sem adaptação, ou seja, foram conduzidos do pasto ao confinamento.

Tabela 2 – Influência dos aditivos sobre o desempenho de bovinos

Tabela 3 – Influência dos aditivos sobre o desempenho de bovinos Nelore – Análise dos 21 primeiros dias, descontando 4% do peso vivo aos 21 dias

Fonte: L.J.Chagas, R.S.Marques, C.Sitta, C.Guerra, V.N.Gouvea, J.Souza, F.Batistel, and F.A.P.Santos, * University of São Paulo, Piracicaba, SP, Brazil. Feeding monensin or functional oils in high corn finishing diets for Nellore bulls. J. Anim. Sci. Vol. 90, Suppl. 3/J. Dairy Sci. Vol. 95, Suppl. 2. ¹Controle: sem aditivo; 2 Monensina – 30 mg de monensina/Kg de MS ingerida; 3OF: Óleo Funcional 0,3 – 0,3 g de OF/Kg de MS ingerida; 4 Óleo Funcional 0,5 – 0,5 g de OF/Kg de MS ingerida. *P < 0,05; médias seguidas por letras diferem entre si.

Tabela 4 – Influência dos aditivos sobre o desempenho e as características de carcaça de bovinos Nelore – Análise do período total (124 dias)

Fonte: L.J.Chagas, R.S.Marques, C.Sitta, C.Guerra, V.N.Gouvea, J.Souza, F.Batistel, and F.A.P.Santos, * University of São Paulo, Piracicaba, SP, Brazil. Feeding monensin or functional oils in high corn finishing diets for Nellore bulls. J. Anim. Sci. Vol. 90, Suppl. 3/J. Dairy Sci. Vol. 95, Suppl. 2. ¹Controle: sem aditivo; 2 Monensina – 30 mg de monensina/Kg de MS ingerida; 3OF: Óleo Funcional 0,3 – 0,3 g de OF/Kg de MS ingerida; 4 Óleo Funcional 0,5 – 0,5 g de OF/Kg de MS ingerida. *P < 0,05; médias seguidas por letras diferem entre si.

Inicialmente, foi observado o tempo que os animais levaram para atingir o consumo de matéria seca (CMS) equivalente a 2% do peso vivo (PV) nos primeiros dias de confinamento (Figura 1). Os bovinos consumindo OF chegaram ao consumo referente aos 2% do PV em menos de dez dias, o que certamente influenciou nos ganhos em carcaça (peso de carcaça e área de olho de lombo) e melhor acabamento (espessura de gordura subcutânea) ao final dos 120 dias de confinamento (Figura 2 e Tabela 1).

Figura 1 – Área de olho de lombo (contra-filé) e espessura de gordura subcutânea (acabamento) de bovinos terminados em confinamento com diferentes aditivos

Produzido pela equipe da Esalq/USP, sob o comando do professor Dr. Flávio Portela e conduzido pelo Dr. Lucas Chagas, dessa vez avaliando a adaptação e o desempenho nos 21 primeiros dias (Tabela 3) e após o período completo de 124 dias de confinamento, mais uma vez os OF destacaram-se com carcaças mais pesadas e maior acabamento de carcaça (Tabela 4). O aumento no consumo de alimentos nas fases iniciais de confinamento proporciona uma rápida adaptação e reflete no peso final, aumentando o potencial de ganho do animal.

Em suma, os dados nos mostram um maior peso de carcaça, área de olho de lombo e acabamento de carcaça dos animais alimentados. Porém, na prática, em quanto os produtores têm se beneficiado com o uso dos OF? No confinamento, produtores e técnicos têm observado aumento no ganho em carcaça de 8-12 kg (0,53 a 0,80@) e melhor acabamento (mais gordura de cobertura na carcaça), o que leva em grande parte dos casos a um melhor rendimento de carcaça. A pasto, animais em recria e vacas em reprodução, incremento em 1,5-1,9@ por ano, além de efeitos positivos sobre a reprodução comprovados com a redução da ureia no sangue e o aumento no ganho de peso. Em bezerros, redução dos tratamentos de diarreia e aumento no ganho de peso em creep-feeding ou por maior produção de leite da mãe a pasto. Aditivos seguros e amigáveis ao meio ambiente, trazendo saúde e segurança alimentar aos animais e aos consumidores.

Com todos os benefícios citados, os OF que possuem comprovação científica de resultados, estão surpreendendo pelos vastos benefícios que trazem para toda a cadeia de produção, do produtor à indústria. Para os modelos de produção animal que buscam estar sempre na vanguarda dos resultados e estão antenados à evolução do mercado de proteína animal, devem se atentar à tecnologia dos OF.

*Juliane é gerente de Ruminantes da Oligo Basics na Região Sul - juliane@ oligobasics.com.br


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