Do Pasto ao Prato

 

GENÉTICA: LEMBRE, PENSE E CUIDE DO BÁSICO

Fernando Velloso é médico-veterinário e sócio-proprietário da Assessoria Agropecuária FF Velloso & Dimas Rocha
– www.assessoriaagropecuaria.com.br –

A decisão da realização de um programa de inseminação e a escolha do touro são tarefas importantes para o pecuarista. Muitas vezes, critérios técnicos básicos são esquecidos pela opção de um reprodutor com uma boa foto ou de uma escolha apurada.

Tentarei, neste texto, revisar o básico em reprodução e genética, pensando que a ordem a seguir pode ser um guia rápido e simples para optar pelo touro A ou B, eventualmente até pela raça A ou B.

Emprenhar

A primeira e mais importante tarefa de um touro é gerar uma matriz prenhe.

A escolha de empresas de inseminação sérias e preocupadas com a fertilidade dos reprodutores e alta qualidade seminal é um bom começo para ter boa taxa de prenhez. As empresas líderes nesse setor e associadas da Asbia têm muito cuidado com toda partida de sêmen. Evite sêmen produzido fora das principais empresas, congelado de forma “caseira” ou de origem “discutível”.

Complementar a qualidade seminal, os protocolos de IATF (Inseminação Artificial a Tempo Fixo) ajudam a elevar a taxa de prenhez do rebanho, em função da indução hormonal da ciclicidade e dos benefícios indiretos do programa no manejo reprodutivo do rebanho.

Nascer

As perdas por problemas de parto (distocias) são muito caras e o melhor bezerro segue sendo o vivo.

A adequação das raças usadas é o primeiro item a ser cuidado. Na sequência, a atenção na escolha de touros para novilhas é o próximo ponto. Existem reprodutores adequados para novilhas de 14, 18 ou 24 meses. Essa informação pode ser obtida através das DEPS Peso ao Nascer (PN) e Facilidade de Parto (FP) e também através do histórico do uso dos touros em novilhas de diferentes idades. Essa importante informação é de conhecimento dos técnicos de campo e das centrais de inseminação.

Genética confiável gera ganhos reais no produto final

Desmamar

O ganho de peso do nascimento ao desmame é uma característica de alto impacto econômico para o criador (vendedor de bezerros) e também para o pecuarista que faz ciclo completo.

A genética para alto peso ao desmame pode ser identificada em reprodutores com boas DEPS para Peso ao Desmame (PD) e com a seleção de matrizes para boa produção leiteira, através de pais com genética para Leite (L). Matrizes que desmamam mais de 50% de seu peso são as mais eficientes e esse resultado pode ser alcançado combinando genética superior para Peso ao Desmame, Leite e sem incrementos em tamanho adulto.

Recriar

O ganho pós-desmame tem grande influência na idade e taxa de prenhez das novilhas e da recria ou engorda dos machos. A DEP para Peso ao Ano (PA) é a ferramenta para escolhermos bons pais para uma recria eficiente. Nas fêmeas, a composição do ganho (músculo:gordura) é uma variável importante para combinarmos genética com os recursos alimentares disponíveis. O peso maduro (frame) e o biótipo devem ser observados para essa decisão. A DEP para o Tamanho ao Ano (TA ou YH) é um bom indicativo do porte e da curva de crescimento dos animais (mais precoces ou mais tardios).

Engordar

O alto potencial de ganho de peso nos sistema de terminação (a pasto ou em confinamento) é uma característica necessária e que pode ser identificada pelo DEP Peso ao Ano (ganho pós-desmame) e também através do Índice Econômico para Confinamento ($C).

As características de carcaça relacionadas ao momento para abate de qualidade final do produto podem ser avaliadas através dos DEPS para Peso Carcaça (PC), Área de Olho de Lombo (AOL), Gordura (G) e Marmoreio (MA). Essas características afetam diretamente o valor final do novilho (peso e rendimento de carcaça) e também a possível classificação e bonificação possíveis.

Conforme adiantei no arranque do texto, o proposto era revisar e lembrar que o básico é muito importante para a eficiência reprodutiva dos rebanhos e para a produtividade das fazendas. Todas as DEPs citadas estão disponíveis para consulta nos catálogos de inseminação artificial e a identificação de quais são os mais importantes para a sua situação é o passo inicial. Assim, podem-se organizar características por ordem de prioridade. Feito isso, é mão na massa para a devida comparação e eleição do melhor reprodutor para o seu programa de inseminação.

Não tenha dúvidas que o touro certo pode fazer um grande serviço para o seu rebanho e ao resultado financeiro de sua operação. Lembre, cuide e pense no básico na hora de escolher genética.


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