Brasil de A a Z

 

Recuerdos de Paraguay

William Koury Filho é zootecnista, mestre e doutor em Produção Animal, jurado de pista de Angus a Zebu e proprietário da Brasil com Z® – Zootecnia Tropical

Amigos pecuaristas, julho foi de muita poeira nos currais pelo Brasil, seja apartando touros ou avaliando bezerros, chuva só um pouquinho em um cliente no Sul da Bahia. A agenda incluiu ainda consultoria técnica em importantes leilões de reprodutores melhoradores, mercadoria que temos chamado de “semente certificada”.

É satisfatório observar o crescente reconhecimento do mercado a projetos consistentes de melhoramento genético e morfológico funcional. Liquidez e valorização têm sido a resposta para mercadorias alicerçadas por conceitos sérios e que dão maior segurança ao investimento, seja para quem produz genética ou gado comercial.

Por falar em conceito, a conversa agora será sobre o Paraguai, país em que a Associação de Criadores de Nelore realiza ações bem interessantes.

Agora, em julho, fui para uma empreitada de três trabalhos em Assunção, o primeiro foi o julgamento do Nelore e Nelore Mocho, mas antes ainda vamos falar da viagem. Fui com minha esposa, gostaria que ela conhecesse a bonita capital do Paraguai. Lá chegando, nossa mala não chegou, isso às 3 horas da manhã, porque, antes ainda, o voo que sairia de Guarulhos às 22h30 atrasou depois que tivemos de mudar de aeronave por um problema na saída de emergência – melhor assim. Para confortar um pouco, mesmo às 3 da madruga, Raul Appleyard, um grande técnico paraguaio, estava no aeroporto para nos levar ao hotel.

É, amigos, nem tudo dá certo sempre, perrengues acontecem... mas vamos lá, então. Julgamento muito bacana, cansativo, pois eram cerca de 170 animais e muitos campeonatos para hablar no popular portunhol.

Depois do julgamento, nos levaram de volta para o hotel. Em frente, há um grande shopping, estávamos hospedados na Av. Aviadores del Chaco, uma via extremamente sofisticada, com hotéis, restaurantes, concessionárias de carros importados, bares, enfim, sensacional!

Lá no shopping tínhamos pouco tempo, pois já eram 20h50, ou seja, dez minutos antes do fechamento das lojas. Fomos a uma grande loja de departamentos para garantir a compra do básico para passar a noite e ir, no dia seguinte, dar a palestra teórica e o treinamento prático.

A palestra e o treinamento foram muito bons, com técnicos, criadores e estudantes muito interessados. Voltamos para o hotel e nada da mala. Mais uma vez saímos para comprar algumas roupas, agora, para jantar com um casal de amigos e para trabalhar no dia seguinte no julgamento de Nelore a campo.

Estava ansioso para o derradeiro trabalho da empreitada, pois no ano passado julguei a pista, mas não pude ficar para o julgamento de campo, um conceito que acho muito interessante e pode ser aplicado no Brasil.

O julgamento foi como apartar touros para um leilão especial ou para identificar os melhores animais dentro dos rebanhos que prestamos consultoria, um trabalho prático de curral – gosto disso!

Nos últimos cinco anos, julguei três exposições nacionais em Assunção e tive a oportunidade de conhecer mais sobre a pecuária daquele país e o que a Nelore del Paraguay tem feito para competir em um cenário até então dominado por raças sintéticas e pelo Brahman.

Uma das ações realizadas por lá é o registro de animais com perímetro escrotal mínimo de acordo com uma tabela de idade e desenvolvimento. Também é permitida a utilização de touros LA Ceip, obviamente respeitando algumas gerações até que os produtos descendentes possam ser registrados como PO.

Nas pistas, a linha apontada é julgar aquilo que você precisa para melhorar o rebanho de campo, identificar animais precoces e funcionais. Enquanto aqui no Brasil a distância entre pista e pasto se dá em função do gigantismo dos animais nas competições, lá tive até que dar o recado para cuidarem para não chegar a extremos, animais de frame muito pequeno.

Outra coisa bacana é a campanha da carne Nelore criada a pasto e dizendo que a raça escolheu o Paraguai.

É, amigos, andar para conhecer outros lugares, gente diferente e seleção de animais é algo que nos faz maiores, pois na vida o que fica são as experiências que trocamos com pessoas, é o conhecimento que compartilhamos e que, de alguma forma, promovem as mudanças.

Ah! A mala só chegou cinco dias depois em nossa casa em Jaboticabal e, com isso tudo, tivemos uma viagem muito especial e com muita história para contar sobre lugares e pessoas que agora fazem parte de nossas vidas. Valeu!


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